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Com Indústria 4.0, competitividade no setor da moda será melhor

16 julho 2018 - 10h39Kamilla Marques

A 4ª Revolução Industrial vai mudar radicalmente a forma como se fabricam os produtos e como serão consumidos. Na moda, por exemplo, será possível encomendar à fábrica uma roupa exclusiva e tê-la pronta meia hora depois. Essa e outras tecnologias já são realidade, inclusive no Brasil, e empresários de Mato Grosso do Sul podem facilmente aplicá-las em seus negócios ao realizarem consultorias com o Senai, por meio do CTVs (Centros Tecnológicos do Vestuário), localizados em Campo Grande e Dourados.

“A indústria brasileira enxerga a Indústria 4.0 como algo ainda distante, mas o Senai, por meio de suas consultorias e serviços técnicos especializados, vem mostrando que no Brasil já existe esta tecnologia disponível e profissionais capacitados para auxiliar as empresas a implanta-las e torna-las uma realidade”, afirmou o gerente de relações com o mercado do Senai/Cetiqt (Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil), Roberto Füllgraf, que é a principal referência do País em termos de formação profissional e prestação de serviços orientados à cadeia produtiva do setor químico e têxtil.

Ainda segundo Roberto Füllgraf, as empresas precisam começar a investir em inovação, caso contrário, ficarão para trás. “É preciso entender que é uma mudança que precisa acontecer agora, e não daqui 10, ou 20 anos. Claro que não se trata de um dia para ou outro, transformar a fábrica inteira em uma planta 4.0, mas é preciso dar o primeiro passo, fazer isso em partes, começar pelo setor de facção, por exemplo, depois passar para a distribuição, e ir expandindo para as demais etapas do processo produtivo. O importante é pensar que é possível fazer”, orientou.

Conselheiro do Senai/Cetiqt para a Região Centro-Oeste e presidente do Sindivest/MS (Sindicato das Indústrias do Vestuário, Fiação e Tecelagem de MS), José Francisco Veloso Ribeiro acrescenta que, à frente das duas entidades, tem atuado para apresentar aos empresários do segmento em Mato Grosso do Sul as possibilidades para que as empresas deem um salto tecnológico. “Junto com o Senai e seus parceiros, temos trabalhado junto aos empresários do Estado para que conheçam os serviços do Cetiqt e do CTV para que sejam mais competitivas no mercado. O CTV, parceiro regional do Cetiqt, disponibiliza diversos serviços para atender às demandas da indústria local e, caso não tenha disponível, busca no Cetiqt para traze-la ao alcance do empresário”, afirmou.

Planta 4.0

A planta de confecção 4.0 tanto já é realidade que foi apresentada pelo Senai aos visitantes da Olimpíada do Conhecimento 2018, que foi realizada entre os dias 5 e 8 de julho, em Brasília (DF). Quase toda automatizada, possui máquinas conectadas que produzem informações essenciais para tomada de decisão e aumento de produtividade.

Para iniciar o processo de compra de uma nova roupa, o consumidor se coloca diante de um espelho virtual, que possui uma câmera e é capaz de levantar as medidas do corpo da pessoa. Um robô colaborativo (que interage com seres humanos sem machucá-los) confere então a rigidez muscular do cliente para conferir com precisão o tamanho a ser produzido. Em seguida, a peça é desenhada e transportada para uma mesa, que corta automaticamente o tecido com ajuda de câmeras com reconhecimento de bordas, economizando material.

Os profissionais de costura também ganham ajuda da tecnologia na nova fábrica. Um sistema de realidade aumentada ensina virtualmente a sequência de passagem da linha e um QR Code posicionado no produto mostra a sequência de montagem da peça.  Ao terminar, o costureiro insere uma etiqueta informatizada com as informações do cliente e envia a peça a outro equipamento, que a dobra e embala automaticamente. Em seguida, um robô armazena o produto utilizando um sensor RFID (identificação por radiofrequência), que permite registrar sua posição exata no estoque.

Ao retirar o produto na loja, o consumidor apresenta o QR Code recebido por e-mail a um robô. Ao provar a roupa, ele tem ainda sua expressão facial lida por uma câmera. O objetivo é identificar a emoção do cliente e alimentar uma pesquisa de satisfação. Além de produzir de forma inovadora, o sistema também produz milhares de informações de todo o processo, utilizando tecnologias como internet das coisas e big data, que são armazenadas em nuvem. Esses dados servem para analisar com riqueza de detalhes o funcionamento da planta e são fundamentais para orientar decisões estratégicas.

 

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