Integrantes do grupo Elas em Melodia com seus instrumentos.
(Foto: Elas em Melodia)
No Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, o site Capital do Pantanal conversou com o grupo Elas em Melodia, formado exclusivamente por mulheres de Corumbá. O grupo tem se destacado por unir talento, sensibilidade e representatividade feminina em apresentações musicais que emocionam e inspiram.
O grupo nasceu de um convite para tocar em um evento voltado ao público feminino. “O Elas em Melodia surgiu de um momento muito especial entre mulheres. Naquele espaço de conversa, escuta e reflexão, falamos sobre cuidado, força e o papel das mulheres na sociedade”, contam as integrantes. A experiência despertou nelas a vontade de continuar juntas, ocupar espaços e mostrar a potência feminina através da arte.
As integrantes vêm de trajetórias diversas, mas todas convergem na música como ponto de encontro e expressão. Brunna de Arruda Ramos, fagotista, iniciou sua relação com a música ainda na infância, cantando na igreja. Mais tarde, no Instituto Moinho Cultural, conheceu o fagote, instrumento que hoje define parte de sua identidade artística. “Escolher o fagote também foi escolher ocupar um espaço diferente, já que ainda existem poucas mulheres nesse instrumento. Hoje tenho muito orgulho de ser uma das únicas mulheres fagotistas do meu estado, Mato Grosso do Sul, e de representar, através da música, a força e a presença feminina em espaços que ainda estão sendo conquistados”, diz Brunna.
Kaíza da Costa Alves encontrou o violino ainda criança, também na igreja que frequentava, e aos oito anos ingressou no Moinho Cultural. Para ela, o violino se tornou peça central de sua trajetória pessoal e profissional. “O violino vem sendo peça importante para mim quando o assunto é trabalho, pois foi por meio dele e da música que eu pude conhecer lugares e pessoas e continuar construindo um caminho trilhado e marcado por conquistas”, relata. Ela também destaca os desafios de conciliar diferentes papéis. “Tenho orgulho de ser mulher, mãe, professora, musicista e administradora do meu lar. Não é fácil, mas seguimos com a força passada de mulheres para mulheres, assim como é nosso grupo Elas em Melodia.”

A flautista Anny Kellen iniciou os estudos musicais aos 10 anos no Instituto Moinho Cultural, onde aprendeu a ler partituras e desenvolveu bases técnicas sólidas. Ao longo do tempo, integrou a Banda Municipal Manoel Florêncio, ampliando sua experiência artística. “Essas experiências fortaleceram minha formação e meu amor pela música”, afirma. Já Analice Martins de Moraes encontrou inspiração nas violinistas da igreja e, após ingressar no Moinho Cultural, transformou a música em uma forma contínua de expressão e sustento.
O nome do grupo traduz o espírito da formação. “Elas representa mulheres que se unem, que se apoiam e se fortalecem. Em Melodia representa a forma como expressamos nossas histórias, sentimentos e vozes através da música.” Para elas, a existência de grupos formados exclusivamente por mulheres ainda tem um papel importante dentro do cenário musical. “Sim, ainda existem muitas barreiras. Durante muito tempo, as mulheres foram colocadas em segundo plano dentro da música. Ter um grupo formado por mulheres é uma forma de mostrar que nós não estamos apenas presentes, nós também lideramos, criamos e ocupamos o palco com talento e força”, explicam.
A identidade musical do grupo reflete a diversidade e a potência feminina. Elas buscam criar apresentações que emocionem, conectem e mostrem que a música feita por mulheres também tem presença e personalidade. O repertório, cuidadosamente selecionado, dialoga com sentimentos, histórias e experiências de mulheres. Todas as decisões, desde a escolha das músicas até a construção das apresentações, são coletivas. “Todas têm voz, todas têm espaço para propor ideias. A construção do nosso repertório e das apresentações nasce do diálogo, da troca e do respeito entre nós”, destacam.

Para o grupo, a arte cumpre um papel social importante. “A arte tem o poder de dar voz, de provocar reflexão e de inspirar mudanças. Quando mulheres ocupam o palco, elas não estão apenas fazendo música, estão mostrando para outras mulheres que também podem estar ali, se expressando, sendo ouvidas e reconhecidas”, afirmam. Ao falar para outras mulheres que sonham em seguir na música, o conselho é direto: “Acreditem no talento de vocês. Durante muito tempo disseram às mulheres onde elas podiam ou não estar, mas a música também é um espaço nosso. Estudem, persistam e não deixem que ninguém diminua o seu sonho.”
No Dia Internacional da Mulher, Elas em Melodia celebra mais do que uma data simbólica; celebra luta, resistência e conquistas. É um lembrete de que muitas mulheres vieram antes abrindo caminhos e que cabe a cada uma continuar ocupando espaços, levantando outras mulheres e transformando a sociedade através da arte.
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