Público reunido no Mirante do Porto durante a Aula Ancestral.
(Foto: SEMED/PMC)
Na noite desta quarta-feira (22), o Mirante do Porto, em Corumbá, virou palco de um encontro que deu a largada a uma nova etapa de formação para professores da rede municipal. A chamada Aula Ancestral marcou o início do curso de “Educação para as Relações Étnico-Raciais: histórias, memórias e vivências”, voltado a educadores da cidade. A proposta está alinhada à Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (PNEERQ), que começa a ganhar forma no município.
Realizado em um ponto simbólico, próximo à comunidade quilombola da Família Ozório, o evento reuniu diferentes vozes em um mesmo espaço: professores, estudantes e moradores participaram de um encontro marcado pela troca de experiências e pelo reconhecimento das identidades culturais presentes na região. A organização ficou a cargo da Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Educação, com apoio de órgãos ligados à cultura e à assistência social.
Entre os convidados, o professor Aronaldo Júlio, de Miranda (MS), trouxe ao público sua experiência com educação indígena e valorização da língua Terena. Com trajetória ligada a projetos em aldeias, ele destacou práticas voltadas à alfabetização bilíngue e à integração entre saberes tradicionais e o ensino formal.
Outro destaque foi Allan Lopes Ramos, bacharel em Direito e integrante do povo indígena Camba-Chiquitano. Atuando na Justiça Federal da 3ª Região, ele compartilhou reflexões sobre a presença e a influência dos povos originários na formação social brasileira, a partir de sua vivência pessoal e profissional.
A noite também teve espaço para manifestações artísticas, com apresentações musicais e de dança que reforçaram a conexão entre cultura e educação. Subiram ao palco a Banda Manoel Florêncio, a Oficina de Dança do Pantanal e o Grupo Urbe – Comunidade.
A iniciativa conta ainda com a participação de instituições como Undime-MS, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (por meio do Obisfron), Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (NEAB), Unicesumar Corumbá, Aquirrio e Ipedi.
A Aula Ancestral é apenas o ponto de partida de um cronograma mais amplo. Ao longo do ano, o curso prevê atividades práticas e imersivas, como caminhadas temáticas, visitas ao Quilombo Família Ozório, vivências com o povo Guató e o Circuito Afro. A proposta é conectar teoria e prática, aproximando os educadores de contextos históricos e culturais do estado.
Entre os focos da formação estão o enfrentamento ao racismo no ambiente escolar, a revisão de perspectivas eurocêntricas na educação e a construção de estratégias pedagógicas antirracistas. O curso também aposta em diferentes linguagens, da literatura ao audiovisual, para ampliar o repertório dos professores e fortalecer práticas mais inclusivas em sala de aula.
*Com informações da assessoria de comunicação da Prefeitura de Corumbá.
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