As bolsas da grife îacaré são produzidas por artesãos toscanos.
(Foto: iacare.official)
Criada pela empresária Sarah Maria Gutierrez, a recém-lançada grife Iacaré tem colocado o nome de Mato Grosso do Sul na rota internacional de moda. Especializada em bolsas de luxo, a marca com nome inspirado na língua Tupi-Guarani utiliza couro de jacarés criados em uma fazenda de Corumbá, para fabricar peças exclusivas na Itália.
Com oito diferentes modelos, as bolsas da primeira coleção custam até 16 mil Euros, ou pouco mais de R$ 104 mil na cotação atual. As peças têm detalhes banhados a ouro, que para Sarah, justificam o valor. “Se fosse uma produção massiva, não faria sentido. Além disso, o jacaré é criado para alimentação e a pele é um subproduto, mas não menos importante”, pontua.
A marca apresentada inicialmente ao mercado europeu, terá seu lançamento oficial no Fashion Week de Milão, marcado para a última semana de setembro. Com isso, o produto confeccionado com material sul-mato-grossense, estará inserido no mercado internacional.
Bolsas possuem detalhes em ouro e são inspiradas nas flores, rios e texturas do Pantanal. Foto: @iacare.oficial A ideia de criar a marca surgiu quando Sarah percebeu que o couro de jacaré, apesar de imprimir personalidade, era pouco valorizado pelas grandes marcas de luxo. “Eu sempre achei a pele maravilhosa, mas percebi que a única forma de mostrar isso ao mundo seria transformando em uma bolsa bonita e bem feita”, lembra.
Sarah é de nacionalidade boliviana e casada com o proprietário da Fazenda Caimassu, a única no país que cria jacarés e que tem frigorífico próprio para o abate dos animais. Segundo ela, depois de tentativas frustradas de produção no Brasil e Bolívia, ela decidiu levar a ideia para a Itália, onde encontrou um mentor que trabalhou por 30 anos na Gucci. “Ele me disse que se eu quisesse trabalhar com exótico, deveria ir para a Itália. E assim fiz”, conta.
Com a ajuda de artesãos toscanos, as primeiras bolsas da Iacaré tomaram forma. A estreia oficial da marca será no dia 22 de setembro, na Galeria Rossana Orlandi, em Milão. “Eu sempre enxerguei as peças como obras de arte. Desde a pele, que para mim já é arte”, explica.
A primeira coleção, batizada de Origins, também traz inspirações das flores, rios e texturas do Pantanal de Mato Grosso do Sul. As bolsas são feitas em formatos que lembram mosaicos, aproveitando ao máximo cada pedaço da pele. “Eu queria fazer o melhor uso possível do couro e criar uma peça artística”, diz Sarah.
Além do luxo, a marca pretende educar o mundo sobre o Pantanal e a biodiversidade sul-americana. “Na Europa, quando se fala no Brasil a primeira coisa que eles têm como referência é a Amazônia. Queremos usar a marca para ensinar sobre o Pantanal, que é uma área que abraça todos os biomas”, finaliza.
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