O trabalho está alinhado a uma política pública do Estado de Mato Grosso do Sul para permitir desenvolvimento da bioeconomia e abertura de novos mercados.
(Foto: Daniel Kantek/Ecoa Pantanal)
Estudo inédito, desenvolvido pelo Instituto Homem Pantaneiro (IHP), sobre o estoque de carbono no Pantanal, identificou mais de 1,2 milhões de hectares com maior potencial para desenvolvimento de projetos e obtenção de recursos por meio dessa solução baseada na natureza.
A iniciativa, desenvolvida com uma empresa especializada parceira, é uma proposta para otimizar os esforços em um território que tem grandes dimensões e desafios de logística, bem como assegurar uma matriz econômica para auxiliar na manutenção da propriedade. Esse trabalho está alinhado a uma política pública do Estado de Mato Grosso do Sul para permitir desenvolvimento da bioeconomia e abertura de novos mercados.
Devido ao modelo de ocupação de séculos, o Pantanal possui características únicas que ajudam a favorecer esse modelo de pagamento por serviços ambientais (PSA).
No Relatório de Oportunidades e Potencialidades do Crédito de Carbono para Proprietários Rurais do Pantanal foram identificados 1.203.050,23 de hectares com estoques que vão na faixa entre 75 a 100 tC/ha e 100 a 121,92 tC/ha (onde tC/ha significa toneladas de carbono por hectare). Esses quesitos é que tornam os projetos economicamente viáveis. Esse levantamento foi realizado com dados de carbono acima do solo e os mapas foram desenvolvidos a partir de plataformas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Também foram utilizados documentos da Atualização Bienal, que envolve o compromisso do Brasil, durante a COP17, para reduzir as emissões de gases de efeito estufa.
O diretor-presidente do IHP, Angelo Rabelo, detalha que essa proposta inédita capitaneada pelo Instituto busca assegurar uma matriz econômica de manutenção das propriedades no Pantanal, além de estar alinhada a um plano de políticas públicas. “O IHP obteve, em 2023, a primeira certificação de créditos de carbono no Pantanal a partir de muito esforço de iniciativas para a conservação do território. Essa solução baseada na natureza representa em uma oportunidade real para que proprietários no Pantanal possam ser remunerados diante do trabalho que já é feito para o uso sustentável. Mato Grosso do Sul tem um plano formatado para ser Estado Carbono Neutro até 2030 e já é uma referência em sustentabilidade. Esse estudo vem para assegurar e otimizar esforços.”
Para obter mapeamento técnico, esse levantamento utilizou tecnologia de ponta em ambiente de Sistema de Informações Geográfica (SIG), além de cruzamento de informações do INPE, Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, dos estados de Mato Grosso do Sul e de Mato Grosso, do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), da Verra, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e de pesquisas científicas desenvolvidas no Pantanal.
A análise ainda levou em consideração as 11 sub-regiões que existem no Pantanal e também as metodologias propostas pela certificadora Verra. Com isso, os estudos foram voltados para os projetos REDD+ (Redução de Emissões provenientes do Desmatamento e Degradação Florestal) e ARR (Arrendamento e Restauração Florestal). As áreas legalmente protegidas, bem como áreas de sobreposição com outras iniciativas de crédito de carbono, áreas de Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais, áreas de assentamentos e áreas públicas (cadastradas no Sistema de Gestão Fundiária e no Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural) foram excluídas no levantamento para atender a exigências legais.
A secretária executiva do IHP, Yanna Fernanda, destaca que o estudo feito pelo IHP em parceria buscou ter embasamento técnico e científico para permitir que os interessados das áreas no território possam ter subsídios para buscar a certificação. “O Instituto está sempre atento a novas oportunidades para impulsionar a conservação do Pantanal e tem sido pioneiro na implementação de soluções baseadas na natureza. Esse estudo inédito visa ampliar a conexão entre propriedades e viabilizar novos projetos que fortacem a preservação do território.”
Os maiores valores de estoque de carbono estão relacionados à formação Floresta Estacional Semidecidual Aluvial, e depois são seguidos pela Savana Florestada e pela Savana Estépica. *Com informações do IHP
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