A morte de Sophia jogou luz sobre as falhas da rede de proteção à criança e ao adolescente em Campo Grande.
(Foto: Rede Social)
Há 678 dias, o Brasil conheceu Sophia, garotinha que aos 2 anos e 7 meses deixou vida de sofrimento, marcada pela violência física e psicológica perpetrada por quem tinha o dever de protegê-la das mazelas do mundo. Ironia do destino ou não, há quase dois anos, ela faz história.
A morte de Sophia jogou luz sobre o quão falha era a rede de proteção à criança e ao adolescente em Campo Grande, gerou pressão social sobre os órgãos responsáveis e fez, por exemplo, a demanda por medidas protetivas de urgência para meninos e meninas aumentar exponencialmente em menos de cinco meses – em 2022, eram em média 14,1 ordem protetivas impostas mensalmente na Capital e em maio de 2023, já eram 67,5 por mês.
A cidade ganhou três novas unidade do Conselho Tutelar – hoje são oito pontos de atendimento – e teve eleições para a escolha de conselheiros com participação popular recorde – mais de 30 mil eleitores.
Foi o Caso Sophia que também provocou debate sobre mais uma nuance no leque da homofobia. O pai da menina, Jean Ocampo, tentou, mas não chegou nem perto de obter a guarda da filha. Tanto Ocampo, quando o companheiro dele, Igor Andrade, acreditam que encontraram obstáculos nas vezes em que foram atrás de socorro por serem um casal homoafetivo.
Muita coisa mudou neste 1 ano e 8 meses sem Sophia, mas a que preço?
A pequenina e frágil menina passou cerca de 24 horas agonizando antes de ser levada já morta, nos braços da mãe, para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Bairro Coronel Antonino, sem contar, ou levando bastante em conta, os meses de terror nas mãos de Stephanie de Jesus da Silva, de 26 anos, e do marido dela, Christian Campoçano Leitheim, 27, que, segundo investigação, espancavam e ameaçavam a criança com frequência. Ambos negam o assassinato.
Christian Leitheim e Stephanie de Jesus, padrasto e mãe de Sophia, durante audiência no dia 5 de dezembro. Foto: Juliano Almeida/ArquivoResumo
Na tarde do dia 26 de janeiro de 2023, Sophia deu entrada na UPA do Coronel Antonino, no norte de Campo Grande, já sem vida. Inicialmente, a mãe, que foi até lá sozinha com a garota nos braços, sustentou versão de que ela havia passado mal, mas inspeção médica encontrou lesões pelo corpo, além de constatar que a morte havia ocorrido cerca de quatro horas antes da chegada ao local.
O atestado de óbito apontou que a garotinha morreu por sofrer trauma raquimedular na coluna cervical (nuca) e hemotórax bilateral (hemorragia e acúmulo de sangue entre os pulmões e a parede torácica). Exame necroscópico também mostrou que a criança sofria agressões há algum tempo e tinha ruptura cicatrizada do hímen – sinal de que sofreu violência sexual.
Para a investigação policial e o Ministério Público, Sophia foi espancada até a morte pelo padrasto, depois de uma vida recebendo “castigos” físicos e tortura psicológica — como ficar em pé, em silêncio e sob ameaça, até comer todo o alimento servido pelo homem —, quase sempre com o aval da mãe, quando não era ela quem cometia as agressões.
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