Arthur faleceu em Campo Grande, na manhã do último domingo (21), após sofrer a terceira parada cardiáca.
(Foto: Arquivo Familiar)
Usando a solidariedade como fonte de superação, o casal Edemaio Carvalho Rodrigues, de 50 anos e Edilaine Alves da Silva, de 29, pais do pequeno Arthur, que nasceu prematuro de 26 semanas, falecido na manhã de 21 de janeiro, em Campo Grande, decidiram usar os R$ 1.146, 90, arrecadados em ‘vaquinha online’ para a compra de fraldas de recém-nascido prematuro, que serão doadas para a unidade intermediária, em Corumbá, e também para a UTI Neonatal da Maternidade Cândido Mariano, onde Arthur ficou internado.
A ‘vaquinha’ que antes serviria como apoio financeiro a família, agora irá beneficiar outras tantas, que lutam pela vida de seus bebês. A expectativa do casal é de realizar a entrega dentro dos próximos 15 dias, visto que o tipo da fralda não é vendida na cidade, e eles farão a compra pela internet.
O Capital do Pantanal conversou com Edemaio, o pai diz que a superação é difícil e que ainda buscam forças para viver um dia após o outro. Arthur seria o primeiro filho do casal juntos. “É muito triste, não esperávamos, estamos tentando superar a cada hora. Ele lutou como um leão pela vida, e é a força dele nos conforta”.
O caso do pequeno Arthur chocou e comoveu os corumbaenses. O bebê da família que é moradora de Ladário, nasceu prematuro, após 26 semanas de gestação (aproximadamente seis meses), no dia 16 de janeiro. A transferência da Santa Casa de Corumbá, onde não há UTI neonatal, para a maternidade Cândido Mariano, na Capital, só foi obtida no dia 19 de janeiro.
Arthur, que já havia sofrido uma parada cardíaca em Corumbá, sendo reanimado pela equipe médica, chegou na maternidade de Campo Grande já na madrugada de sábado (20). Passou o dia em tratamento, com quadro de evolução positiva, até que infelizmente, sofreu mais duas paradas cardíacas, porém o coração do pequeno Arthur estava debilitado demais para suportar. Foi então constatado o óbito, às 06h56 da manhã de domingo (22), dia seguinte da sua entrada na maternidade.
"Queremos divulgar o que aconteceu para que outras famílias não passem pela mesma dor, porque se a cidade tivesse uma UTI Neonatal as chances de sobrevivência do meu filho seriam muitos maiores, hoje ele poderia estar aqui conosco", diz Edmaio, que promete se manter na luta pela instalação de uma unidade em Corumbá.
Arthur foi sepultado no cemitério municipal de Ladário, na última segunda-feira (22), às 8h30. A família agradece o apoio das Secretarias de Saúde e Assistência Social de Ladário, que conseguiram rapidamente realizar o processo de translado do corpo para a cidade.
Luta por UTI Neonatal
A morte de Arthur reacende a discussão a respeito da falta de uma UTI Neonatal em Corumbá. Apesar da cidade ser uma das maiores de Mato Grosso do Sul e ser considerada uma macrorregião, não oferece o recurso na rede pública de saúde. O que obriga bebês que necessitam dessa assistência encarrarem uma verdadeira luta para serem transferidos para outras cidades.
O tema que já foi cobrado por diversas vezes na Câmara de Corumbá, até hoje não tem previsão para que a cidade tenha enfim uma unidade. Em abril do ano passado, o vereador Chicão Vianna lembrou que a UTI Neonatal foi promessa de campanha, mas que até agora, “sequer saiu do papel”.
Quando o governador ainda era Reinaldo Azambuja, em março de 2023, o Hospital passava por reforma, com aporte de mais de R$ 11 milhões do governo do estado. Nas obras estavam previstas a construção de um Centro Obstétrico e UTI neonatal. De acordo com matéria veiculada no site da Câmara, a previsão de entrega seria em junho do ano passado, porém a reforma no hospital e pronto socorro foi entregue sem esse recurso.
Em declarações anteriores veiculadas na mídia, o prefeito Marcelo Iunes, disse que a implantação da UTI Neonatal esbarra em questões financeiras. “O custo para manter fica em torno de R$ 850 mil mensais. O Município já aplica na Santa Casa e na Oncologia, já que os recursos repassados pelo Governo Federal para custeio, não são suficientes. Queremos sim, mas é preciso que venha a contrapartida de custeio”.
A prefeitura de Corumbá alega não haver previsão para a construção da unidade.
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