Estima-se que 14% do bioma Amazônia já foi danificado por incêndios.
(Foto: Victor Moriyama / Greenpeace)
Os incêndios florestais na Amazônia se intensificam a cada ano. Imagens de florestas em chamas no Brasil, na Bolívia e em outros países amazônicos tornam-se mais frequentes a cada ano. Entre 2001 e 2020, pelo menos 120 milhões de hectares de florestas amazônicas foram afetados pelo fogo, número que corresponde à soma do que é queimado a cada ano, segundo análises de satélite feitas pela Rede Amazônica de Informações Socioambientais Georreferenciadas (RAISG ). Em termos percentuais, estima-se que 14% do bioma Amazônia já foi danificado por incêndios.
Dados da RAISG também indicam que, a cada ano, 17 milhões de hectares de florestas na Amazônia, em média, são danificados por incêndios. Em 2020, em meio à pandemia do COVID-19, esse número subiu para 27 milhões de hectares.
“Os incêndios, todos os anos, colocam a Amazônia em profunda crise”, diz Marlene Quintanilla, diretora de pesquisa da Fundação Amigos da Natureza.
Para monitorar, em tempo real, os incêndios florestais e outras pressões que ocorrem na Amazônia, a RAISG desenvolveu uma nova plataforma, que batizou de AMA.
Esta plataforma também permite ver como o desmatamento está avançando nos nove países da Amazônia. Segundo a avaliação feita entre 2000 e 2020, 54 milhões de hectares de floresta amazônicas foram perdidos nesses 20 anos, uma área equivalente ao tamanho da Espanha.
Os analistas da RAISG também usaram a plataforma AMA para fazer uma projeção de “risco futuro”, ou seja, onde e até que ponto o desmatamento na Amazônia poderá avançar entre 2021 e 2025. Segundo esses cálculos, 23 milhões de hectares de florestas serão perdidos a mais, uma extensão semelhante ao tamanho do Equador. Portanto, de 2000 a 2025, a Amazônia perderia pelo menos 77 milhões de hectares de floresta.
Panorama dos incêndios florestais
O problema dos incêndios florestais não é muito visível em toda a Amazônia, diz Quintanilla. Fala-se dos incêndios no Brasil e na Bolívia, mas pouco se sabe sobre o que está acontecendo na Colômbia ou na Venezuela. O especialista da FAN explica que, no Brasil, por exemplo, os incêndios florestais são conhecidos no sul do país, mas no norte, na fronteira com Guiana, Venezuela e Colômbia, ocorrem muitos incêndios.
Plataforma AMA monitora focos de calor e áreas queimadas na Amazônia e outros cinco biomas. Fonte: RAISGUma revisão de todas as fontes de calor registradas na AMA até agora em 2023 mostra um total de 359.509 registros, a maioria no sul da Amazônia, mas também no Cerrado e no Chaco Chiquitano, outros dois biomas que podem ser analisados na plataforma, aos quais são adicionados parte dos Andes, o Pantanal e as florestas de Tucuman.
“No norte da Amazônia, o pico das queimadas, principalmente na Colômbia e na Venezuela, são os primeiros meses do ano, janeiro, fevereiro e março. Situação semelhante ocorre nesses países entre setembro e novembro. Há duas temporadas de fortes incêndios nesses países que estão relacionados às condições climáticas”, acrescenta Quintanilla.
Quintanilla também destaca que é importante olhar para os incêndios além das fronteiras dos países. Como exemplo, ele cita o que acontece na fronteira entre o Brasil e a Bolívia, na área protegida Noel Kempff Mercado, na fronteira com o Brasil, onde “não há comunidades ou populações e, no entanto, observam-se áreas queimadas. As queimadas ocorrem do lado brasileiro e com os ventos atingem a área protegida, não têm fronteira, avançam e destroem os ecossistemas que encontram em seu caminho.”
Também é possível saber a magnitude dos incêndios florestais. Por exemplo, foi identificado que durante o ano de 2020, os incêndios florestais excederam a média anual de queimadas na Amazônia. Além disso, sua presença é cada vez mais perceptível em áreas protegidas. Quintanilla destaca que 60% das queimadas em 2021, por exemplo, ocorreram em áreas que não haviam queimado antes e em territórios indígenas.
Relação entre incêndios e desmatamento
Rodrigo Torres, coordenador da Unidade de Geografia da Fundação EcoCiencia no Equador, explica que eles compararam os dados do desmatamento com os dados das queimadas agrícolas.
A análise realizada constatou que a relação entre áreas queimadas e áreas desmatadas está ocorrendo em áreas que estão fora dos territórios indígenas e áreas protegidas, locais que foram transformados e têm uso agropecuário marcado.
Torres comenta que as informações históricas sobre as áreas queimadas —de 2016 a 2021— permitem observar que há áreas onde há cinco ou seis anos de queimadas. “Todo ano o mesmo polígono é queimado novamente.”
Torres destacou que a plataforma desenvolvida pela RAISG permite saber o que está acontecendo com os incêndios florestais em países como Equador e Venezuela, que não possuem sistemas de monitoramento local.
Entre 2000 e 2020, se perderam 54 milhões de hectares de floresta amazônica. Foto: Pazy EsperanzaUm olhar regional sobre o desmatamento
Nas análises feitas pela RAISG, grande parte do Brasil, principalmente o sul, a fronteira entre Brasil e Bolívia, assim como o sul da Bolívia aparecem como áreas com alto risco de desmatamento. Também a zona central do Peru, o norte da Colômbia e o setor entre a Cordilheira dos Andes e a Amazônia do Equador são vistos com grande preocupação devido à perda de florestas.
“A área de maior risco é o Brasil e isso tem a ver com nível de infraestrutura, estradas e acesso à floresta. Outro setor é aquele entre a Bolívia e o Brasil, que se tornou uma área de grande concentração de desmatamento”, diz Quintanilla.
Imagens de satélite também mostram que comunidades nativas e áreas naturais protegidas atuam como uma barreira ao avanço do desmatamento. No entanto, “nos últimos anos, o desmatamento está penetrando nesses territórios”, acrescenta Quintanilla.
Fanny Kuiru, representante da Coordenadoria das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (Coica), destaca que ferramentas de monitoramento por satélite, como o AMA, permitem às comunidades indígenas “agir e tomar providências de forma rápida e oportuna para evitar incêndios florestais e desmatamento na Amazônia… Isso permite que as autoridades indígenas exerçam uma melhor governança territorial e protejam a Amazônia.”
Rodney Camargo, especialista em SIG da Friends of Nature Foundation, explica que o AMA, nesta primeira versão, concentra informações sobre as áreas afetadas pelos incêndios, alertas sobre focos de calor — dados da National Aeronautics and Space Administration dos Estados Unidos (NASA por sua sigla em inglês)—, e números sobre desmatamento. Uma versão posterior incluirá informações sobre mineração, hidrocarbonetos e usinas hidrelétricas. “Você quer ter todas as camadas de pressão na Amazônia em uma única plataforma”, diz ele.
Leia Também
Funcionária fica ferida após queda de placas de vidro em comércio de Corumbá
Colisão entre bicicleta e van de autoescola deixa casal ferido em Corumbá
Mulher fica inconsciente após queda de 20 metros no Morro da Carlinda
Com resgates em Corumbá e Jardim, MS lidera ranking de trabalho escravo no Centro-Oeste
Aeronave resgata jovem com dores no peito em fazendo do Paiaguás
Calor intenso e promessa de chuva marcam a quinta-feira em Corumbá e Ladário
Dino determina reintegração de Andrei Rodrigues ao comando da PF
36ª edição dos Jogos da Reme será realizada de 22 a 31 de outubro em Corumbá
Mulher sofre luxação após desmaio em Ladário