Família boliviana contava com serviços de empresas clandestinas para cumprir esquema criminoso de imigração ilegal.
(Divulgação PF)
O problema do transporte rodoviário clandestino em Corumbá ultrapassa as fronteiras do país e desrespeita todos os limites de segurança ao passageiro. O ônibus clandestino é um problema real e atual, que transita não apenas entre as cidades do estado de Mato Grosso do Sul, como também entre a Bolívia e o Brasil, através da fronteira por Corumbá.
Bolivianos têm se aventurado com atravessadores ilegais, integrantes de um esquema criminoso, na tentativa de estabelecer residência no Brasil, mais especificamente em São Paulo, onde as oportunidades de trabalho e uma vida melhor, são oferecidas pelos coiotes. A rede criminosa de imigração conta com o apoio das empresas de ônibus “piratas”, sem qualquer registro nos órgãos reguladores do transporte de pessoas. São empresas irregulares quanto a segurança no trânsito, que trabalham à margem da seriedade e responsabilidade exigida, elas visam exclusivamente o retorno financeiro da atividade.
Recentemente, no final de janeiro, a Polícia Federal (PF) identificou uma família de bolivianos, que vivia em Corumbá, como articuladores do esquema de imigração ilegal na região. De acordo com a investigação da PF, o grupo familiar contratava empresas de ônibus “piratas” e faziam viagens regulares para São Paulo, levando entre 30 a 40 pessoas diariamente, pelo menos entre dezembro de 2021 e o começo de 2022.
No dia 20 de janeiro um ônibus clandestino foi apreendido pela PF, lotado de imigrantes ilegais, que tentavam entrar em Corumbá e seguir viagem até São Paulo.
Para Gisiel Rodrigues dos Santos, gerente local da Andorinha, que atua há décadas no transporte rodoviário de pessoas em todo o estado, é inaceitável que empresas atuem de maneira criminosa como a flagrada pela PF.
“Nosso trabalho envolve responsabilidade e respeito aos usuários. Oferecemos segurança e logística de primeiro mundo. É criminoso fechar os olhos para a imigração ilegal visando o lucro, que com certeza é alto, mas não paga o orgulho de servir as famílias sul-mato-grossenses com responsabilidade pela vida de cada um que usa os serviços da Andorinha”.
Carreta em alta velocidade matou quatro passageiros que aguardavam o conserto do ônbus na beira da estrada. Foto; DivulgaçãoNeste domingo, acidente entre uma carreta e um ônibus com passageiros bolivianos, na rodovia MS 040, trecho do município Ribas do Rio Pardo, acendeu novamente o alerta para o problema do transporte clandestino. Quatro pessoas morreram por estarem expostas em meio a via, no escuro da noite, aguardando que o ônibus fosse consertado para seguir viagem. Empresas regulares possuem protocolos de segurança e seguem uma manutenção rígida nos veículos para diminuir ao máximo as chances de avarias na estrada, principalmente durante a noite, quando a visibilidade diminui extremamente.
Fiscais da Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Mato Grosso do Sul (Agems) cumprem uma rotina de fiscalização rígida nas estradas do estado para combater o transporte irregular. De acordo com a Agems os “fiscais costumam se deparar com flagrantes de situações perigosas de veículos que fazem o trajeto em péssimas condições”. A Polícia Federal tem fiscalizado essas operações clandestinas assim como a Polícia Rodoviária Federal. Apesar de todo esquema montado contra imigração ilegal os bolivianos tem se aventurado e arriscado a vida ao tentar entrar no Brasil, saindo de Corumba com destino a São Paulo.
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