O projeto é uma oportunidade para auxiliar a comunidade que enfrenta dificuldades econômicas como consequência da degradação dos recursos naturais.
(Divulgação UFGD)
Uma equipe composta por professores e pós-graduandos da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) esteve no município de Miranda (MS) desenvolvendo ações do projeto de extensão “Apiário Flor de Camalote: um experimento de geração de renda - ODS 1,2,8,10”, que tem como objetivo auxiliar os produtores locais a formalizarem sua organização social e a organizarem os processos de gestão, produção e comercialização de mel e seus derivados.
Os profissionais do Apiário Flor de Camalote são também pescadores. A pesca era a principal e única atividade econômica exercida por muitos membros daquela comunidade. Contudo, a redução dos estoques pesqueiros no Rio Miranda tornava a pesca e, portanto, a sobrevivência desse grupo de pescadores cada vez mais incerta. Assim, os então pescadores buscaram uma outra fonte de renda e encontraram na apicultura a alternativa de sustento que tanto procuravam.
Nesse contexto, é importante destacar que este projeto de extensão é uma oportunidade para auxiliar uma comunidade que enfrenta dificuldades econômicas como consequência da degradação dos recursos naturais. Além disso, as ações a serem realizadas permitirão que discentes de graduação e pós-graduação coloquem em prática os conhecimentos obtidos na universidade, como uma espécie de laboratório social, através da realização de consultorias gratuitas para auxiliar os apicultores na formalização do negócio e na comercialização do mel e de seus derivados, uma vez que essa atividade começou a ser realizada recentemente.
Apesar de ser um esforço interdisciplinar, com a participação de discentes e docentes de diferentes unidades acadêmicas e de instituições parceiras, as ações serão conduzidas pela Faculdade de Administração, Ciências Contábeis e Economia (FACE/UFGD), pois os apicultores dominam o processo de produção, mas carecem de conhecimentos técnicos de gestão e comercialização dos produtos obtidos, áreas de expertise da FACE. Assim, através deste projeto, serão implementadas ações que envolvem aspectos práticos das áreas de gestão, comercialização, produção, cooperativismo, marketing, finanças, entre outros.
Além disso, a universidade prestará apoio a uma pequena comunidade que não tem sido atendida pelo Estado e, sozinha, têm tentado lidar com as dificuldades econômicas vigentes através de arranjos locais. Assim, este projeto pode auxiliar esse grupo de apicultores a otimizar os resultados já obtidos, através da organização dos processos produtivos e institucionais, o que poderá aumentar a produtividade e gerar emprego e renda naquela comunidade. Dessa forma, o projeto vai contribuir com o desenvolvimento local e com a redução das desigualdades sociais, já que a comunidade a ser atendida pelo projeto está situada em Miranda, macrorregião do Pantanal sul-mato-grossense, uma das regiões menos desenvolvidas de Mato Grosso do Sul (IBGE, 2021).
Uma múltipla equipe participou do projeto. Foto: Divulgação UFGDAs ações planejadas estão em sintonia com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), definidos pela ONU, que dentre outros objetivos deseja: acabar com a fome e com a miséria, garantir a sustentabilidade ambiental, estabelecer parceria global pelo desenvolvimento. Esses objetivos são intrínsecos ao projeto e estão explícitos nele, o qual visa a promoção do desenvolvimento ao gerar renda aos apicultores do Apiário Flor de Camalote de Miranda (MS), através de uma atividade sustentável, às margens do Rio Miranda, a qual é ambientalmente desejável em decorrência dos serviços ambientais prestados. Durante a atividade em campo foi constatado o potencial dos pescadores na produção do mel do pantanal, bem como os impactos que o referido projeto causa no bioma e na vida das pessoas.
O contato inicial com esses produtores ocorreu através do Instituto de Pesquisa da Diversidade Intercultural (Ipedi), entidade civil de direito privado sem fins lucrativos, que realizou ações de alfabetização naquela comunidade e é parceira nesta ação.
Participaram da atividade de campo a seguinte equipe da FACE: docentes Jhonatan Gonçalves da Silva, Jane Corrêa Alves Mendonça, Vera Luci de Almeida, Caio Luis Chiariello; discentes de Mestrado e Doutorado em Agronegócios: Lucas Silva Ramos e Marcos Souza de Almeida.
Pela Faculdade de Ciências Agrárias (FCA) participou o professor Eduardo Lucas Terra Peixoto (Zootecnia).
E pela Faculdade de Comunicação, Artes e Letras (FACALE), a professora Denise Silva (professora visitante PPGLetras).
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