Márcio Monteiro, ex-secretário de Azambuja, deixa sede da PF: dez mandados cumpridos
(Valdenir Rezende/Correio do Estado)
Pelo menos dez dos 14 mandados de prisão expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) foram cumpridos até a publicação desta reportagem pela Polícia Federal como decorrência da Operação Vostok, desencandeada na manhã desta quarta-feira (12).
O Correio do Estado apurou que a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) discutia com a PF até a publicação desta reportagem para onde seriam encaminhados os acusados.
Ainda de acordo com fontes ligadas à Agência Estadual de Administração Penitenciária (Agepen), peritos do Instituto Médico e Odontológico Legal (Imol) deixariam a sede da autarquia na região sul para realizar o exame de corpo de delito dos detidos nas carceragens onde eles estão detidos.
Segundo a PF, foram cumpridos os mandados de prisão temporária por cinco dias de Rodrigo Souza e Silva, filho do governador Reinaldo Azambuja (PSDB), que se apresentou por conta própria junto do pai à tarde.
Durante a manhã, foram detidos o deputado estadual Zé Teixeira (DEM), Márcio Monteiro, conselheiro do Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul e ex-secretário de Estado da Fazenda, e Osvane Aparecido Ramos, ex-deputado estadual e ex-prefeito de Dois Irmãos do Buriti.
Além deles, também foram presos o empresário João Roberto Baird, Antônio Celso Cortez, dono de uma empresa de tecnologia prestadora de serviços do Estado, e os pecuaristas Ivanildo da Cunha Miranda e Rubens Massahiro Matsuda.
Segundo o despacho do ministro do STJ, Félix Fischer, continuam em aberto os mandados de Nelson Cintra Ribeiro, ex-prefeito de Porto Murtinho, José Ricardo Guitti Guimaro, corretor de gado, e dos pecuaristas Zelito Ribeiro e Élvio Rodrigues.
Operação Vostok
As investigações tiveram início neste ano, e tiveram como ponto de partida delação de empresários do grupo JBS. A ação envolve 220 policiais federais que cumprem 220 mandados de busca e apreensão, 14 de mandados de prisão temporária em Campo Grande, Aquidauana, Dourados, Maracaju, Guia Lopes da Laguna e na cidade de Trairão (PA). Os mandados foram expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
O inquérito da PF apontou que até 30% dos créditos tributários (incentivos fiscais ao grupo JBS) eram revertidos em proveito do grupo, que os policiais federais chamam de “organização criminosa”. A Operação da Polícia Federal foi denominada “Vostok”, o mesmo de uma estação de pesquisa da Rússia na Antártida e, segundo a PF, tão fria quanto as notas utilizadas para lavar a propina da JBS.
As propinas foram pagas por meio de doação eleitoral para a campanha de 2015, e também em espécie, nas cidades de São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ), em 2015.
Os pedidos de prisão temporária foram em desfavor de:
- Rodrigo de Souza e Silva (filho de Reinaldo Azambuja, governador de MS)
- Ivanildo da Cunha Miranda
- João Roberto Baird
- José Ricardo Guitti Guimaro (o Polaco)
- Antonio Celso Cortez
- Elvio Rodrigues
- Francisco Carlos Freire de Oliveira
- José Roberto Teixeira (deputado Zé Teixeira)
- Marcio Campos Monteiro (conselheiro do Tribunal de Contas de MS)
- Miltro Rodrigues Pereira
- Nelson Cintra Ribeiro (ex-prefeito de Porto Murtinho)
- Osvane Aparecido Ramos
- Rubens Massahiro Matsuda
- Zelito Alves Ribeiro
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