A reformulação do Programa Minha Casa, Minha Vida, anunciada na segunda-feira (06/02) pelo Governo Federal, será capaz de gerar pelo menos 3 mil empregos diretos e indiretos na cadeia da construção civil em Mato Grosso do Sul ao longo este ano. A projeção é do presidente do Sinduscon/MS (Sindicato Intermunicipal da Indústria da Construção do Estado de Mato Grosso do Sul), Amarildo Miranda Melo, garantindo que se trata de um número bastante realista.
“A projeção é que o setor crie 500 mil novos postos de trabalho em todo Brasil e, em Mato Grosso do Sul, podemos facilmente alcançar de 3 mil a 3,3 mil novas vagas com os ajustes nas faixas de renda e no valor limite dos imóveis que, sem dúvida, farão crescer a demanda por novos empreendimentos imobiliários e, consequentemente, por mão-de-obra qualificada para atuar”, comemorou Amarildo Melo, ressaltando, ainda, que as mudanças, salvo alguns pontos, foram providenciais para dar fôlego à construção civil.
Para o sindicato da categoria, as mudanças são positivas para a economia do estado. Foto: DivulgaçãoNa avaliação do presidente da Fiems, Sérgio Longen, frutos dos esforços dos representantes dos empresários junto ao Governo Federal, essas mudanças vão dar um fôlego para todo o setor industrial e não somente para o segmento da construção civil. “Temos trabalhado nessa direção, buscando cada vez mais o equilíbrio do emprego, que enxergamos como a única maneira de proteger as famílias e acabar com a criminalidade. E o caminho para gerar empregos é fomentar a indústria, nesse caso, a da construção civil, cujo saldo do desemprego está muito elevado”, pontuou.
Ânimo
“Estamos muito animados com essas mudanças no programa", emendou o presidente do Sinduscon/MS, que estava em Brasília (DF) para acompanhar de perto o anúncio das alterações no programa habitacional feito pelo ministro das Cidades, Bruno Araújo, durante cerimônia no Palácio do Planalto, comandada pelo presidente Michel Temer.
O dirigente calcula que os ajustes nas faixas de renda e no valor limite dos imóveis do Minha Casa Minha Vida darão viabilidade para o desenvolvimento de novos projetos, já que antes os preços estavam defasados. "Foi um trabalho de meses, com um ótimo resultado", disse.
O pacote de medidas em socorro à construção civil, que por sucessivos meses amargou queda na atividade, começou a ser articulado por representantes do setor logo depois da aprovação do impeachment de Dilma Rousseff, quando Temer ainda ocupava a presidência interinamente. Ao anunciar a reformulação do Minha Casa, Minha Vida, Temer afirmou que o objetivo é geração de empregos e que a construção civil é o setor “que o governo tem prestigiado porque é peça-chave para a economia brasileira”.
Como fica
Novas faixas de renda para financiamentos do Minha Casa, Minha Vida:
Faixa 1: para famílias com renda mensal de até R$ 1,8 mil (não houve alteração);
Faixa 1,5: limite de renda mensal passa de R$ 2.350 para R$ 2,6 mil;
Faixa 2: limite de renda mensal passa de R$ 3,6 mil para R$ 4 mil;
Faixa 3: limite de renda mensal passa de R$ 6,5 mil para R$ 9 mil.
A taxa de juros da faixa 1,5 fica mantida em 5% ao ano. Na faixa 2, os juros cobrados continuam variando de 5,5% a 7% ao ano. Na faixa 3, para renda de R$ 4 mil até R$ 7 mil mensais, a taxa cobrada se mantém em 8,16%. Já para a renda familiar entre R$ 7 mil e R$ 9 mil, os juros sobem para 9,16% ao ano.
As famílias que se enquadram nas faixas 1,5 e 2 têm direito a subsídio do governo para a compra do imóvel, além de financiamento com taxa de juros abaixo da praticada no mercado. Já a faixa 3 prevê o financiamento com recursos do FGTS com taxas abaixo do mercado. O valor do subsídio dado na faixa 1,5 vai subir de R$ 45 mil para R$ 47.500 e, na faixa 2, de R$ 27.500 para R$ 29 mil.
Teto do valor dos imóveis
O Governo também elevou o teto do valor dos imóveis que podem ser financiados dentro do Minha Casa, Minha Vida. No Distrito Federal, São Paulo e Rio de Janeiro, o valor passará de R$ 225 mil para R$ 240 mil. O teto de imóveis será reajustado em todas as cidades. Nas capitais do Norte e Nordeste, por exemplo, o teto passará de R$ 170 mil para R$ 180 mil.
O Ministério das Cidades anunciou que tem como meta contratar 610 mil novas unidades habitacionais em todas as modalidades do MCMV em 2017. Na faixa 1, são 100 mil unidades no Fundo de Arrendamento Residencial (FAR), 35 mil na modalidade "Entidades Urbanas" e outras 35 mil na "Rural". Para as faixas 2 e 3 está prevista a contratação de 400 mil unidades habitacionais. Já para a faixa 1,5 serão 40 mil moradias.
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