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Tutora de 'Sandália' (vermelho) e secretária falam sobre o assunto. Foto: Sylma LimaO domingo, 05, foi marcado por uma polêmica em que mais de 500 pessoas ofenderam a moral e incitaram a violência contra a presidente do bairro Centro América, e da Associação Corumbaense e Ladarense LGBT, Tatiana Amorim. Tudo começou com a postagem feita pela pessoa que assina com o codinome Sil Albuquerque relatando que, “não queria se promover, mas que estava indignada com a situação de ‘Sandália de Cristal’, pois a travesti seria homenageada pelo bloco ‘Sem limites na Folia’, na qual Tatiana é presidente”.
A postagem mostrava fotos, e enfatizava que ‘Sandália’ vive em “situação miserável, cuja residência possui portas estouradas, mato alto e que o banheiro não é digno de um ser humano viver”. A pessoa de Sil Albuquerque ainda questionou a assistência social ladarense que é responsável pelos cuidados com a travesti e inclusive, pela tutora Gelize, que toma conta do cartão de aposentadoria por invalidez na qual ela recebe um salário mínimo, “Sandália recebe benefício do governo e como vemos anda toda suja e maltrapilha e ainda é tuberculosa” , disse a postagem, cujas cópias já estão nas mãos da Policia Civil de Corumbá.
Ocorre que Tatiana Amorim e seu conselho decidiram homenagear a travesti no carnaval, com o tema do samba enredo do bloco Sem limites na folia, que existe há 15 anos, e as acusações da autora da postagem dava a entender que Tatiana queria usar a imagem de uma pessoa incapaz para ganhar dinheiro com o bloco.
Em entrevista ao Capital do Pantanal Tatiana explicou que paga as camisetas, as canecas, local para concentração do bloco e 50 caixas de cerveja de "litrão", “o abadá custa R$ 40,00 e foram confeccionados 300 camisetas. O dinheiro apenas cobre os custos com organização, banda e logística. Teve ano que a homenageada pagou toda a bebida porque o dinheiro dos abadás, que nem todos são vendidos, não deu para cobrir as despesas. E este ano, decidimos homenagear ‘Sandalia’ porque ela é uma figura que anima o carnaval corumbaense com sua simpatia e irreverência nada mais do que isso. Não sou eu quem cuido dela. Não fico com o cartão, e a postagem confundiu a cabeça das pessoas, sendo que teve gente dizendo que eu merecia um tiro na cabeça” .
Sandália de Cristal é figura conhecida no carnaval corumbaense e ladarense. Foto: CDPAlém de incitar a violência a postagem de Sil Albuquerque causou uma série de constrangimentos, medos e possíveis retaliações contra Tatiana Amorim, que logo cedo procurou a tutora da travesti e a assistência social de Ladário para denunciar as acusações, “o povo precisa saber a verdade. Ninguém tem o direito de julgar e condenar uma pessoa em praça pública. Isso é crime de homofobia, e vou registrar o dano moral”.
A Assistente social de Ladário Andressa Moreira dos Anjos Paraquett concedeu entrevista ao Capital do Pantanal, que foi feita pela própria Tatiana Amorim nesta manhã de segunda-feira. Confiram toda a verdade sobre o caso. Quanto a casa estar suja, a tutora disse que manda limpar toda semana, “mas a própria Sandália não se ajuda. Nós fazemos a nossa parte e ela nunca teve tuberculose”.
Tatiana disse que sempre chama ‘Sandalia’ para os eventos porque ela é travesti, “é uma pessoa querida que passou natal ceando na minha casa, e sempre que precisa o faz. Jamais usaria a imagem dela para denegrir, mas, parece que tem gente incomodada. Porque essa pessoa não cuida dela, adotando ou de outra forma, porque eu só faço o bem e fui duramente criticada”. Após toda a polêmica a comissão organizadora do bloco disse que vai manter a homenagem, “não há nada que impeça. Estamos homenageando uma pessoa não denegrindo”. Escutem o áudio com a fala da tutora e da assistente social de Ladário.
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