Estudantes participaram de rodas de conversa sobre proteção infantil.
(Foto: Divulgação/Moinho Cultural)
O mês de maio tem sido marcado por uma série de atividades educativas em escolas de Corumbá e Ladário voltadas à prevenção da violência sexual contra crianças e adolescentes. As ações fazem parte da campanha Maio Laranja e são conduzidas pelo Instituto Moinho Cultural Sul-Americano em parceria com a rede municipal de ensino.
As atividades ocorreram em unidades escolares da região de fronteira entre Brasil e Bolívia, reunindo estudantes em rodas de conversa, distribuição de materiais informativos e debates sobre direitos, proteção e formas de denúncia. Participaram das ações as escolas CAIC, Ângela Maria Perez, Delcídio do Amaral, Cassio Leite de Barros, Pedro Paulo de Medeiros, Djalma Mendes Sampaio e Izabel Corrêa.
A proposta do projeto “De Criança para Criança” aposta na troca de experiências entre os próprios jovens participantes do Moinho Cultural e os estudantes das escolas visitadas. Em vez do formato tradicional de palestra, os encontros priorizam o diálogo direto e a linguagem acessível ao público infantil.
“Neste mês, estamos abordando a temática do Maio Laranja, falando sobre abuso, exploração sexual, sinais de atenção, o motivo do surgimento da campanha, meios de denunciar e a importância de falar sobre o assunto”, explica Jessyka Karolaine da Fonseca Alvares, assistente social e coordenadora do Núcleo Social do Moinho Cultural.
Durante os encontros, os estudantes receberam orientações sobre identificação de sinais de violência, canais de denúncia e a importância da escuta dentro da escola, da família e dos serviços de atendimento.
Além das ações em Corumbá, o projeto também participou de mobilizações em Ladário, em parceria com a Guarda Municipal e o Conselho Tutelar. A iniciativa busca fortalecer a atuação conjunta da rede de proteção em municípios da região fronteiriça.
Para a diretora artística do Moinho Cultural, Márcia Rolon, o debate sobre proteção à infância precisa envolver toda a sociedade.
“Nesse 18 de maio, a mensagem que a gente deixou como rede da criança e adolescente da fronteira é que toda criança precisa ser ouvida, precisa ser vista, precisa ser protagonista e feliz. Precisamos construir ambientes onde ela tenha acesso à arte, à cultura, à educação, ao alimento e ao direito de viver plenamente a sua infância”, destaca.
Márcia também ressaltou a importância de ampliar os espaços de acolhimento para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade.
“É fundamental que essa criança encontre espaços de escuta na escola, em casa, nos serviços de saúde, no CRAS e em toda a rede de proteção. Quando fortalecemos esses vínculos, ajudamos a garantir que ela possa crescer com segurança, dignidade e esperança”, afirma.
A assistente social e consultora do Moinho Cultural, Sandra Angélia Maciel Alves, afirmou que as atividades desenvolvidas durante o Maio Laranja representam um esforço coletivo de conscientização e acolhimento na região de fronteira.
“Mais do que uma campanha, o 18 de Maio foi um chamado coletivo para que toda a sociedade compreenda que proteger crianças e adolescentes é uma responsabilidade compartilhada, construída diariamente por meio da educação, cultura, arte, escuta, afeto e garantia de direitos. Em um território de fronteira, proteger crianças e adolescentes é também ultrapassar barreiras culturais, sociais e invisíveis que muitas vezes silenciam dores e vulnerabilidades”, afirma.
Segundo Sandra, as ações desenvolvidas nas escolas ajudam a aproximar crianças e adolescentes da rede de proteção existente nos municípios.
“Cada roda de conversa, cada atividade e cada diálogo realizado representa mais que conscientização. Representa presença, proteção e esperança para crianças brasileiras, bolivianas e fronteiriças saberem que não estão sozinhas”, completa.
Há mais de duas décadas, o Instituto Moinho Cultural Sul-Americano desenvolve projetos culturais e educativos voltados a crianças e adolescentes de Corumbá, Ladário, Puerto Suárez e Puerto Quijarro.
*Com informações da assessoria de comunicação do Moinho Cultural.
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