Segunda-feira, 05 de Outubro de 2026
Cultura

Cinzas do Pantanal viram matéria-prima para obras de arte expostas na Câmara Federal

09 jul 2025 - 08h11   atualizado em 03/03/2026 às 09h32

Gesiane S. Lourenço

Cinzas do Pantanal viram matéria-prima para obras de arte expostas na Câmara Federal Exposição chama a atenção da sociedade para os incêndios florestais. (Foto: Divulgação)

No dia 15 de julho, às 17h, no Salão Nobre da Câmara dos Deputados, ocorre o lançamento da exposição “Cinzas da Floresta – Bioma Pantanal: um chamado para a conservação das áreas úmidas à luz da COP 30”. A mostra reúne mais de 30 obras de artistas de rua de diferentes regiões do país, criadas com tintas à base de cinzas dos incêndios que devastaram o Pantanal entre 2020 e 2024.

A exposição é parte do desdobramento do projeto criado pelo artivista Mundano em 2021, que transforma as cinzas de incêndios florestais em pigmentos para obras de arte. Surgido como resposta à banalização da destruição ambiental nos noticiários, o projeto percorreu regiões atingidas pelo fogo para coletar cinzas diretamente nos biomas brasileiros, transformando-as em tinta para obras de denúncia e resistência.

Realizada em parceria com a Environmental Justice Foundation (EJF), Documenta Pantanal, Instituto SOS Pantanal, WWF-Brasil, Wetlands International e Frente Parlamentar Ambientalista, a iniciativa une arte, ciência e mobilização política para destacar a importância das áreas úmidas frente à crise climática.

As obras, ao mesmo tempo poéticas e contundentes, transformam destruição em denúncia. As cinzas dão corpo a imagens que revelam o impacto humano e ambiental dos incêndios florestais. “Queremos sensibilizar os representantes do povo para a urgência de proteger o Pantanal e outros biomas brasileiros”, diz Mundano. Artistas como Mari Pavanelli, Carina Mello, Benson, Berg e Nels Armour participam da mostra, que leva a arte das ruas do Brasil aos corredores do Congresso.

Exposição reúne artistas de diversas regiões do país. Foto: Divulgação

Segundo Mônica Guimarães, diretora do Documenta Pantanal faz uma indagação:  “Quais sentimentos despertamos ao dizer que 17 milhões de vertebrados morreram nos incêndios de 2020? Certamente a indignação é um! Mas uma obra de arte pode despertar uma reflexão para além desse sentimento? Uma obra de arte pode provocar uma ação?  Apostamos nisso”. 

O lançamento ocorre em momento decisivo: em junho de 2024, o STF determinou que o Congresso aprove, até dezembro de 2025, uma lei federal dode proteção ao Pantanal, conforme previsto desde 1988 na Constituição. O prazo é uma resposta à omissão histórica do Legislativo, reconhecida pelo Supremo como inconstitucional. Fruto disso, os PL 2334/2024 e PL 5482/2022 tramitam para apreciação dos congressistas. Destacamos a importância desse momento para o avanço na segurança jurídica do bioma e reforço no alinhamento entre governos federal e estaduais na proteção do Pantanal. 

“As áreas úmidas cobrem apenas 6% do planeta, mas armazenam tanto carbono quanto todas as florestas do mundo”, destaca Luciana Leite, representante da EJF no Brasil. “Falar de Pantanal e de áreas úmidas em geral, é falar sobre resiliência climática, sobre soluções baseadas em natureza, sobre proteção contra eventos extremos - e isso também precisa estar no centro da COP30.”

No Brasil, estima-se que as turfeiras armazenem cerca de 39 bilhões de toneladas de carbono — 44 vezes mais que as emissões totais da União Europeia em 2023, por exemplo. Quando degradadas, essas áreas se tornam grandes emissoras de carbono. Em 2020, os incêndios no Pantanal liberaram 115,6 milhões de toneladas de CO, mais que as emissões da Bélgica naquele ano.

“Áreas úmidas são grandes aliadas contra as mudanças climáticas, e o Pantanal é um grande símbolo delas, a maior planície alagável de água doce do mundo. Além da conscientização constante sobre o Pantanal, o objetivo desta ação é colocar as áreas úmidas em maior destaque para atrair mais atenção e investimentos do mundo”, diz Leonardo Gomes, Diretor Executivo do Instituto SOS Pantanal.

A exposição é, portanto, um alerta visual poderoso, que prega a urgência de alinhar a agenda ambiental do país aos compromissos globais.

A mostra ficará aberta ao público entre os dias 14 e 18 de julho, no Espaço Cultural Senador Ivandro Cunha Lima, com visita guiada no dia da abertura e presença de autoridades do Legislativo e Executivo.

Serviço:
Evento: Lançamento da exposição “Cinzas da Floresta – Bioma Pantanal”
Data: 15 de julho de 2025
Horário: 17h
Local: Salão Nobre da Câmara dos Deputados, Brasília – DF
Período de visitação da exposição no Espaço Senador Ivandro Cunha: de 14 a 18 de julho de 2025
A exposição integra o calendário de eventos da Virada Parlamentar Sustentável. 

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