Mercado Municipal de Corumbá
(Foto: Capital do Pantanal)
Depois de dois anos de articulações para tirar o projeto do papel, a restauração do Mercado Municipal de Corumbá e da Praça Uruguai chegou à fase de execução nesta quarta-feira (30), com a assinatura da ordem de serviço. Contratada por R$ 6.129.800, a obra será realizada pela Marsou Engenharia Ltda. e prevê recuperar o prédio histórico e requalificar a praça no entorno.
No Mercadão, estão previstas intervenções na estrutura, cobertura e instalações elétricas e hidrossanitárias, além de adequações para que o prédio volte a receber atividades comerciais. A Praça Uruguai também integra o projeto, com melhorias na iluminação, paisagismo, bancos e instalação de playground.
Os recursos são federais e fazem parte das ações de preservação do patrimônio histórico desenvolvidas com participação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Durante a solenidade, o prefeito Gabriel Alves de Oliveira destacou o apoio técnico do instituto na preparação dos projetos e agradeceu a participação do órgão no processo que permitiu chegar à execução das obras.
As falas durante o ato também resgataram o caminho percorrido até a assinatura da ordem de serviço. Segundo representantes envolvidos no projeto, foram cerca de dois anos de trabalho técnico e articulações para viabilizar as intervenções previstas para Corumbá dentro das ações do PAC.
Se a estrutura física já tem projeto e empresa contratada, o funcionamento do Mercadão depois da restauração ainda será discutido. Gabriel anunciou a intenção de criar um grupo de trabalho para definir o modelo de ocupação e quais atividades serão oferecidas no espaço.
“Agora a gente vai entrar em uma outra discussão […] criar um grupo de trabalho para ver a forma como vai funcionar, discutir com todos como que vai funcionar o Mercadão, qual o modelo, o que nós vamos colocar à disposição da população”, afirmou.
A discussão sobre o futuro do prédio se encontra com uma história iniciada há mais de seis décadas. Antes da construção do Mercado Municipal, produtores que viviam do cultivo de verduras percorriam as ruas de Corumbá para vender o que colhiam. Uma das antigas comerciantes relembrou durante a solenidade que essa era a rotina de sua família.
“Nós saíamos às ruas, de porta em porta, vendendo a verdura que nós colhíamos e plantávamos. Quando veio a ideia de construir esse prédio, foi maravilhoso para nós. Porque nós paramos de andar nas ruas e passamos a trabalhar num lugar fixo”, contou.
Ela lembra de um mercado ocupado por verdureiros, açougues, bancas de cereais e outros comerciantes, onde diferentes famílias encontraram um ponto fixo para trabalhar durante a semana. Mais de 60 anos depois, a possibilidade de o prédio recuperar essa função também alcança sua própria família. Segundo ela, o irmão ainda planta e poderia voltar a levar a produção para ser comercializada no local.
“Eu espero que, com essa reformulação, ele volte a ser aquilo que foi para mim”, disse.
Construído na década de 1960, o Mercado Municipal foi implantado durante a gestão do então prefeito Edivir Moreira Rodrigues. A história também foi lembrada na cerimônia, que reuniu familiares do ex-prefeito. O filho René Moreira Rodrigues destacou que o prédio foi uma das obras realizadas durante a administração do pai e falou sobre a importância de preservar espaços ligados à memória da cidade.
Durante décadas, o Mercadão concentrou a venda de hortifrutigranjeiros e outros produtos e se tornou também um espaço de convivência entre comerciantes e moradores. Posteriormente, perdeu essa função e o imóvel recebeu outros usos.
Com a restauração, a expectativa apresentada nesta quarta-feira é que o prédio volte a fazer parte do cotidiano da região, com comércio, circulação de pessoas e convivência. Como será feita essa retomada, quem poderá ocupar o espaço e quais serão os critérios para utilização ainda deverão ser definidos pelo grupo de trabalho anunciado pela Prefeitura.
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