Festa de nossa Senhora do Carmo em Forte Corimbra.
(Foto: Ayrton Benites/Arquivo)
A histórica comunidade de Forte Coimbra, em Corumbá, vivencia nesta quinta-feira, 16 de julho, as celebrações da tradicional Festa de Nossa Senhora do Carmo. O evento religioso e cultural atrai fiéis, moradores e turistas para uma programação intensa que começou nas primeiras horas da manhã e se estende até o período da tarde, unindo ritos de fé e momentos de confraternização.
As homenagens tiveram início às 6h com a alvorada festiva, seguida por um café da manhã comunitário e pela realização da Santa Missa. O ponto alto da manhã reservou momentos de forte emoção para os devotos: entre 9h e 9h30, a imagem da padroeira percorreu as ruas de terra do povoado em procissão terrestre, culminando na tradicional e reservada cerimônia de troca do manto da santa.
Na sequência, após um novo cortejo a pé, os fiéis embarcaram para a emblemática procissão fluvial pelas águas do Rio Paraguai, um dos momentos mais plásticos e aguardados da festividade. O retorno das embarcações está previsto para o meio-dia, horário em que será proferida a bênção final, abrindo espaço para o almoço de confraternização que encerra o evento com a despedida das autoridades às 14h. A festa conta com o apoio da Prefeitura de Corumbá, por meio da Fundação da Cultura.
Uma devoção forjada na pólvora e na resistência
Mais do que um ato de fé contemporâneo, a Festa de Nossa Senhora do Carmo é um mergulho na própria história de Mato Grosso do Sul. As homenagens têm raízes profundas na trajetória do forte, erguido em 1775 e tombado como patrimônio nacional pelo Iphan em 1975. A santa é historicamente associada a dois episódios militares em que a guarnição brasileira foi poupada da aniquilação por forças estrangeiras no século XIX.
O primeiro milagre atribuído à imagem ocorreu em 1801. Na ocasião, apenas 110 soldados do forte resistiram bravamente por nove dias ao avanço de um exército espanhol composto por 600 homens e 30 canhões. Relatos da época apontam que as tropas inimigas recuaram após a aparição da imagem da santa na entrada da fortificação, dando início à devoção na vila.
Décadas mais tarde, em 1864, durante a Guerra do Paraguai, o forte foi cercado por uma força esmagadora de 3,2 mil soldados paraguaios. Defendida por apenas 149 brasileiros, a praça militar resistiu a dois dias de bombardeio severo. A história oficial registra que a exibição da imagem de Nossa Senhora do Carmo por um soldado fez os adversários suspenderem temporariamente o ataque, o que garantiu o tempo necessário para a fuga estratégica dos sobreviventes.
A histórica escultura, trazida para a região por Ricardo Franco — fundador e primeiro comandante do forte —, permanece guardada na capela da Vila Civil, onde recebe honras militares. Aos seus pés, joias, fotografias, condecorações e cédulas depositadas pelos devotos ao longo das décadas dão testemunho físico das inúmeras graças alcançadas.
Receba as notícias no seu Whatsapp.Clique aqui para seguir o Canal do Capital do Pantanal
Leia Também
Hugo & Guilherme se apresentam em Corumbá no dia 20 de setembro
Inscrições abertas para curso gratuito de Viola Caipira em Corumbá
Nhô Moinho reúne música, dança e comidas típicas nesta sexta-feira, dia 17
Confira os destaques da semana na coluna Pantanal em Revista
Confira os arraiás das escolas municipais
Concurso nacional destaca saberes indígenas que influenciam a arquitetura brasileira
Legado de Benedito Ruy Barbosa é lembrado em homenagem de Paulo Duarte
Paulo Betti emociona público na abertura da 10ª FLIB com monólogo autobiográfico
Encontro divulga os avanços do estado na política de afroturismo