Silhuetas de agentes de segurança diante de muro com inscrição “PCC”, em área urbana.
(Foto: Arquivo/Agência Brasil)
A eventual classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas por parte dos Estados Unidos tem gerado posições controversas entre especialistas e gestores de segurança pública. No entanto, há consenso quanto à necessidade premente de uma ação mais vigorosa, sistemática, coordenada e contundente por parte do poder estatal, com o firme propósito de enfrentar o crime organizado em suas mais diversas facetas.
Recentemente, foi firmado um acordo de cooperação entre os Estados Unidos e o Paraguai, com o objetivo principal de combater o crime organizado e o narcotráfico por meio do fortalecimento da vigilância e da troca de informações de inteligência entre os países. Tal medida se justifica diante da inegável presença de facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) no território paraguaio.
A possível classificação dessas facções como organizações terroristas pelos Estados Unidos, sob a alegação de que o governo brasileiro tem permitido sua infiltração no aparato estatal — resultando em corrupção sistêmica, domínio territorial e atuação como verdadeiros poderes paralelos —, somada ao recente acordo de cooperação e à aproximação norte-americana com a Argentina, além do alinhamento brasileiro com a China no âmbito do BRICS, pode contribuir para um cenário de isolamento regional do Brasil. Nesse contexto global, a geopolítica, a diplomacia e as estratégias adotadas pelo país tornam-se ainda mais relevantes.
Trazendo a análise para o plano regional, destaca-se que Mato Grosso do Sul possui uma característica singular: faz fronteira com países produtores de drogas, onde, além do tráfico de entorpecentes, crimes transnacionais como contrabando, descaminho e tráfico de armas ocorrem em larga escala.
Embora tais crimes sejam de competência federal, os órgãos federais no estado enfrentam limitações estruturais. Nesse cenário, as forças policiais estaduais têm atuado de forma corajosa e proativa, por meio do Departamento de Operações de Fronteira (DOF) e de iniciativas como o Gabinete de Gestão Integrada de Fronteiras e Divisas e o policiamento rural.
A cooperação internacional desempenha papel fundamental na desarticulação e no estrangulamento financeiro dessas organizações criminosas, devendo caminhar de forma integrada com os órgãos nacionais de segurança.
É inquestionável a importância da participação do governo federal nesse enfrentamento. Isso passa, inicialmente, pela melhor estruturação de instituições como a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal e a Receita Federal, aliada a políticas de valorização profissional que incentivem o desempenho eficiente de seus integrantes.
Medidas como a criação de Centros Internacionais de Cooperação Policial Integrados — a exemplo do modelo existente na Amazônia —, bem como a formação específica para atuação em regiões de fronteira, são essenciais.
Outro ponto relevante diz respeito ao sistema prisional. É necessário que a União indenize os estados pelos custos decorrentes da custódia de condenados por crimes federais, tema já debatido no Supremo Tribunal Federal. A ausência desse apoio financeiro sobrecarrega os estados e compromete a estrutura do sistema penitenciário.
Destaca-se também o papel das Forças Armadas, especialmente no que se refere à soberania nacional, atuando no controle territorial por meio de ações de vigilância e no apoio logístico e de inteligência às forças de segurança pública — um verdadeiro esforço conjunto em benefício da sociedade.
Cabe ressaltar que a União não pode se eximir de suas responsabilidades em matéria de segurança pública, que se iniciam na competência para legislar sobre Direito Penal, Processual Penal e Execução Penal.
No âmbito estadual, torna-se essencial a criação de Batalhões de Fronteira nas principais cidades limítrofes, com missão específica de atuação.
Por fim, espera-se que o debate sobre a eventual classificação das facções criminosas brasileiras como organizações terroristas pelos Estados Unidos sirva como catalisador para uma reação firme, coordenada e imediata por parte do governo federal, sem protelações ou justificativas frágeis, atendendo ao clamor da sociedade por maior segurança pública.
Paralelamente, é fundamental que o governo brasileiro acompanhe de perto esse processo, participando ativamente das discussões internacionais e avaliando as implicações práticas dessa eventual classificação, ao mesmo tempo em que adota, com coragem, medidas concretas no enfrentamento ao crime organizado.
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