Domingo, 17 de Maio de 2026
Entrelinhas

Grito da sociedade por segurança

15 mai 2026 - 16h49   atualizado em 16/05/2026 às 11h46

Coronel Alírio Villasanti

Grito da sociedade por segurança Mulher é abordada durante ação criminosa em via pública. (Foto: Reprodução)

Esclarecedor, elucidativo e, ao mesmo tempo, extremamente preocupante é o levantamento Medo do Crime e Eleições 2026: os gatilhos da insegurança, realizado pelo Instituto Datafolha a pedido do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

A pesquisa aponta que mais de 41% dos brasileiros reconhecem a presença de facções criminosas ou milícias em seus bairros, ou seja, convivem diariamente com o crime nas vizinhanças. Cerca de 61% dos entrevistados afirmam que o crime organizado exerce influência moderada ou forte sobre as decisões e regras de convivência locais. Em suma, as pessoas estão literalmente amedrontadas.

O estudo acabou revelando apenas aquilo que já é de domínio público, sem trazer nada de surreal, mas evidenciando uma sociedade sofrida, não apenas nos grandes centros urbanos, mas também nas cidades médias e pequenas do interior, em razão da ineficiência do poder estatal, caracterizando o fenômeno da interiorização da criminalidade.

É notório que as organizações criminosas não conseguem crescer sem a corrupção de agentes públicos.

A pesquisa revela o olhar da sociedade e o seu grito por mais segurança. Há muito tempo as autoridades não conseguem enfrentar o crime organizado com eficiência e proporcionar aos cidadãos a tão desejada sensação de segurança.

O Estado, detentor do monopólio do uso da força e do direito de punir, precisa cumprir seu dever constitucional. Em algumas cidades, as autoridades são incapazes de mapear a atuação das facções, algo que qualquer cidadão que ali vive consegue identificar facilmente.

Nos anos eleitorais, surgem soluções mágicas que propõem, basicamente, o endurecimento da lei penal e a aquisição de viaturas, geralmente apresentadas à sociedade em grandes desfiles pelas ruas das cidades.

Os anos eleitorais são pródigos em produzir debates que apontam soluções para a segurança pública. Porém, logo em seguida, tudo volta ao normal, e continuamos convivendo com regiões totalmente dominadas por facções, sem que haja uma ação contundente e vigorosa para combatê-las.

Na tentativa de enfrentar esse cenário, o governo federal lançou o programa Brasil Contra o Crime Organizado, alicerçado em quatro eixos: enfrentamento ao tráfico de armas, asfixia financeira do crime organizado, aumento das taxas de esclarecimento de homicídios e reforço da segurança prisional. A principal medida é a implantação de um padrão de segurança máxima em 138 unidades prisionais consideradas estratégicas.

O programa depende da adesão dos governos estaduais para garantir acesso aos recursos. Também prevê a coordenação das ações contra as organizações criminosas e o fortalecimento das polícias científicas e da perícia nos estados, visando aumentar a taxa de resolução de homicídios. Vale ressaltar que, no que se refere à resolutividade dos homicídios, nosso Estado apresenta excelente desempenho, fruto do trabalho conjunto da Polícia Militar, da Polícia Civil e da perícia.

É visível que as polícias estaduais, que estão na linha de frente do combate à criminalidade, evoluíram em estrutura, capacitação de seus integrantes e na prestação de serviços. Atribuo esses avanços à forte pressão da sociedade, que exige cada vez mais segurança.

O descaso com a segurança pública é histórico, até porque o país ainda não conseguiu superar problemas que remontam à sua formação, como a enorme concentração de renda, o preconceito e a discriminação, entre outros fatores.

Espero que o Brasil supere definitivamente essa etapa de sua história, sem retórica e sem bravatas, mas com pragmatismo e ações concretas. Já passou da hora de o país priorizar a segurança pública e adotar uma gestão pública orientada por resultados, pois ela está intrinsecamente ligada à economia, ao desenvolvimento e à qualidade de vida dos brasileiros.

Receba a coluna Entrelinhas no seu Whatsapp. Clique aqui para seguir o Canal do Capital do Pantanal

Leia Também

Trânsito seguro com mais fluidez e mobilidade ativa
Entrelinhas

Trânsito seguro com mais fluidez e mobilidade ativa

Heróis que protegem vidas
Entrelinhas

Heróis que protegem vidas

O preconceito contra os policiais militares
Entrelinhas

O preconceito contra os policiais militares

O peso da segurança pública nas Eleições 2026
Entrelinhas

O peso da segurança pública nas Eleições 2026

Crime organizado ou terrorismo global?
Entrelinhas

Crime organizado ou terrorismo global?

Interferência ou cooperação na segurança pública?
Entrelinhas

Interferência ou cooperação na segurança pública?

MS e o protagonismo na proteção ambiental
Entrelinhas

MS e o protagonismo na proteção ambiental

Fundação Bombeiros do Pantanal
Entrelinhas

Fundação Bombeiros do Pantanal

MS é referência nacional no trabalho prisional
Entrelinhas

MS é referência nacional no trabalho prisional

Mais Lidas

Funcionários do aeroporto de Corumbá são alvo da PF por facilitar tráfico internacional de drogas
Polícia

Funcionários do aeroporto de Corumbá são alvo da PF por facilitar tráfico internacional de drogas

Boliviano é baleado durante tentativa de assalto no bairro Popular Nova
Plantão

Boliviano é baleado durante tentativa de assalto no bairro Popular Nova

Colisão violenta deixa motociclista em estado grave no Popular Velha
Plantão

Colisão violenta deixa motociclista em estado grave no Popular Velha

Integração e pluralidade marcam a abertura do Festival América do Sul 2026
Cultura

Integração e pluralidade marcam a abertura do Festival América do Sul 2026