Artesãs e artesãos de Corumbá e Ladário participaram da oficina “O preço do meu artesanato está certo? Estou tendo lucro?”
(Foto: Divulgação)
Definir o preço de uma peça artesanal vai muito além de somar o valor dos materiais utilizados. Para pequenos empreendedores da economia criativa, entender custos, calcular a margem de lucro e valorizar o próprio trabalho são passos importantes para manter o negócio sustentável.
Com esse objetivo, artesãs e artesãos de Corumbá e Ladário participaram, nesta quinta-feira (30), da oficina “O preço do meu artesanato está certo? Estou tendo lucro?”, realizada no Centro Sebrae Pantanal.
Durante quatro horas de capacitação, os participantes aprenderam na prática como organizar os gastos da produção, identificar oportunidades de melhoria e criar estratégias para evitar prejuízos. A proposta foi aproximar a gestão financeira da realidade de quem transforma criatividade em fonte de renda.
A analista-técnica do Sebrae/MS, Larissa Moraes, destacou que muitos artesãos ainda enfrentam dificuldades na hora de definir valores para seus produtos, o que pode comprometer o crescimento do negócio.
“Utilizar as técnicas corretas de precificação garante uma renda mais adequada e fortalece esses empreendedores. No Pantanal, temos uma região muito rica nesse setor e essa oficina veio para apoiar quem vive do artesanato”, afirmou.
Além das orientações sobre formação de preços, a atividade também abordou temas como identificação do público consumidor, posicionamento no mercado e estratégias para ampliar as vendas, tanto no comércio presencial quanto pela internet.
Para a artesã Auriene Dy Andrade, que trabalha com crochê e é responsável pela marca Fios de Encanto, a capacitação ajudou a enxergar pontos que podem ser melhorados no dia a dia.
“Foi uma oficina muito boa, ajudou a tirar muitas dúvidas que eu tinha sobre como cobrar e definir meu preço. Entendi como fazer os cálculos para garantir lucro, cobrir custos e ter mais segurança financeira”, contou.
Há seis meses trabalhando exclusivamente com artesanato, João Rafael Barbosa Barcelos também participou da oficina e disse que já teve prejuízos por não conhecer formas adequadas de calcular os valores das peças.
Integrante de uma família de artesãos, João mantém uma tradição iniciada pelo bisavô, João Lemos de Barcelos, conhecido pela produção de bustos que ainda podem ser encontrados em espaços públicos de Corumbá e Ladário, como uma peça instalada em frente ao 6º Comando do Distrito Naval.
“Eu não tinha noção de como colocar preço. Foi uma oficina para ajudar a valorizar a classe dos artesãos da nossa região. Saio daqui com outra mentalidade e vou começar a fazer meus cálculos para ter um preço justo e valorizar o meu trabalho com a argila”, disse.
A iniciativa busca auxiliar empreendedores locais a organizarem melhor seus negócios, fortalecendo a economia criativa e incentivando a valorização do trabalho artesanal produzido na região.
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