Última audiência pública sobre tema foi realizada em Corumbá.
(Foto: ANTT)
A Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) aprovou esta manhã o conteúdo apresentado nas audiências públicas e consulta para recebimento de sugestões sobre a concessão da Hidrovia no Rio Paraguai. Uma das etapas da discussão aconteceu em Corumbá. De um lado, representantes de setores econômicos apontam que o canal é essencial para o transporte de minério, grãos e combustível, por exemplo, enquanto ambientalistas temem alterações no principal rio da bacia pantaneira.
A agência divulgou que o tema foi analisado em reunião extraordinária, após o diretor Alber Vasconcelos apresentar o relatório que fez sobre o tema. Ele destacou a hidrovia “como um instrumento fundamental para a efetivação do fluxo de carga do Centro-Oeste do país e uma ferramenta de fortalecimento do bloco econômico do Mercosul”. É a primeira de cinco hidrovias que o governo federal pretende repassar ao setor privado. Hoje, os rios são utilizados conforme as condições de navegabilidade, sem um órgão administrando e fazendo a manutenção, que fica a cargo do DNIT.
Segundo divulgou a Antaq, a criação da hidrovia vai permitir o uso por maior período, com decorramento em trechos que reunirem sedimentos – a dragagem do rio é uma preocupação principal de ambientalistas, que defendem que pode mudar ritmo do rio e impactar no bioma-, em especial em períodos de estiagem, e reduzir a duração de viagens, segundo constou na manifestação de Vasconcelos. O que foi divulgado é que haverá intervenção no chamado tramo sul do Rio, para baixo de Corumbá e estudos serão permanentes para controle ambiental.
Segundo o relatório aprovado, foram recolhidas 155 contribuições. Encerrada essa etapa, o próximo passo é encaminhar os documentos da concessão para o Ministério de Portos e Aeroportos e, em seguida, para o Tribunal de Contas da União.
A Hidrovia do Rio Paraguai compreende o trecho entre Corumbá e a Foz do Rio Apa, em Porto Murtinho, incluindo o Canal do Tamengo, dentro de Corumbá, com 600 km. Nos primeiros cinco anos da concessão, serão realizados serviços de dragagem, balizamento e sinalização adequados, construção de galpão industrial, aquisição de draga, monitoramento hidrológico e levantamentos hidrográficos, melhorias em travessias e pontos de desmembramento de comboio, implantação dos sistemas de gestão do tráfego hidroviário.
O investimento direto para os primeiros anos deverá ser de R$ 63,8 milhões. O prazo contratual da concessão é de 15 anos com possibilidade de prorrogação por igual período.
A Adecon (Agência de Desenvolvimento Sustentável das Hidrovias e dos Corredores de Exportação) defende que a concessão atrairá investimentos privados para o setor, criando condições para projetos hoje em compasso de espera, e gerará economia diante dos custos logísticos menores do transporte fluvial. O presidente da entidade, Adalberto Tokarski, defende que haverá ganho ambiental, uma vez que o modal é menos poluente que o transporte rodoviário, que hoje se tornou majoritário com a falta de outros meios para transportar minérios no Estado, com cerca de 700 caminhões por dia nas estradas em períodos de estiagem e pico do escoamento.
Receba as notícias no seu Whatsapp. Clique aqui para seguir o Canal do Capital do Pantanal.
Leia Também
Brasil concorre ao Global Water Awards por avanços promovidos pela ANA
Livro do DNIT usa caso de MS para orientar proteção da fauna nas BRs
Juruva é oficializada como ave símbolo da Mata Atlântica em Mato Grosso do Sul
Senar/MS lança curso para produtores combaterem incêndios no Pantanal
Tecnologias e diversificação de culturas melhoram produção em solos arenosos
Papa nomeia climatologista brasileiro para conselho da Igreja Católica
COP15 termina com resultados inéditos e 40 novas espécies protegidas
COP15 aprova maior proteção de bagres gigantes da Amazônia e ariranhas
Onça-pintada que circula áreas urbanas de Corumbá será realocada