Peças do Lú Lopes Ateliê unem reaproveitamento e bordados pantaneiros e ganham destaque internacional.
(Foto: Divulgação)
De malotes postais a bolsas cheias de história. A artesã Lucienne Lopes Teixeira, de 57 anos, encontrou na sustentabilidade um caminho para unir criatividade, cultura e propósito. À frente do Lú Lopes Ateliê, ela transforma lonas antigas dos Correios em bolsas, mini mochilas e nécessaires exclusivas, trabalho que agora cruza fronteiras e será apresentado na COP 30, em Belém (PA).
O projeto nasceu da parceria entre o Instituto Moinho Cultural Sul-Americano e o Sebrae/MS, com o objetivo de incentivar o reaproveitamento de materiais e fortalecer o empreendedorismo criativo. Cada peça vendida ajuda a manter as ações do Moinho Cultural, reconhecido como a melhor ONG de Cultura do Brasil.
“Esse projeto une sustentabilidade, empreendedorismo e impacto social, três valores que norteiam nosso trabalho. É uma forma inovadora de transformar resíduos em oportunidades, mostrando que moda e consciência podem caminhar juntas”, afirma Mônica Macedo, diretora executiva do Instituto.
Lucienne levará para o evento internacional 150 peças confeccionadas com os malotes reaproveitados. “Vai tudo com um pedacinho do Pantanal. Cada peça tem uma história, um bicho, uma lembrança do nosso lugar. É emocionante poder mostrar isso para o mundo”, contou.
De aprendiz a referência
A relação de Lucienne com o Moinho Cultural começou em 2008, quando participou de cursos de reaproveitamento de materiais oferecidos pelo Instituto. “Tudo começou no Moinho Cultural. Eu aprendi a trabalhar com malotes e banners, e percebi que dava pra criar algo bonito e útil com o que seria descartado. Foi ali que eu encontrei minha vocação”, relembra.
Com o tempo, ajudou a fundar a Cooperativa Vila Moinho, formada por pessoas de diferentes áreas, e participou da confecção de figurinos para espetáculos do Moinho Concert. “A gente fez figurinos inteiros, trabalhou com o Franklin Melo, ajudou na produção. Era uma época de muita troca, de muito aprendizado. O Moinho Cultural me ensinou que a arte e o trabalho caminham juntos”, pontua.
Lucienne levará 150 peças feitas com malotes reaproveitados para representar o Pantanal na COP 30. Foto: Divulgação Ao se mudar para Campo Grande, Lucienne passou a desenvolver seu próprio estilo. “No começo eu não tinha uma identidade. Fazia florzinha, coisinhas simples, e ninguém se interessava. Um dia uma amiga me mostrou umas toalhas com capivaras bordadas. A partir dali, comecei a criar meus próprios bichos — onça, arara, tuiuiú, tamanduá. São todos do Pantanal, e isso virou minha marca”, explica.
Hoje, o Lú Lopes Ateliê é reconhecido pelas peças artesanais bordadas à mão, com desenhos exclusivos inspirados na fauna pantaneira. “O rapaz que borda pra mim faz os desenhos só pro meu ateliê. Ninguém mais tem. Cada peça é única, e as pessoas se encantam quando veem os bichinhos. É a nossa identidade pantaneira costurada na lona”, afirma.
Parceria que gera impacto
A conexão entre Lucienne e o Moinho foi articulada por meio do programa Move Mais, do Sebrae/MS, que oferece consultoria para pequenos empreendedores. “A Lu Lopes é atendida pelo programa Move Mais, voltado à prospecção comercial e à abertura de novos mercados para pequenos negócios. Durante o atendimento, nossa agente identificou dificuldades na obtenção de matéria-prima, e a articulação com o Moinho Cultural veio como uma solução fantástica”, explicou Isabella Carvalho Fernandes Montello, gerente de Competitividade e Inovação do Sebrae/MS.
Com a parceria, os malotes que antes seriam descartados ganharam nova função. A cada dez peças vendidas, uma é doada à loja colaborativa do Moinho Cultural, fortalecendo o ciclo de economia criativa e solidária.
“Nosso papel é ajudá-los a manter também a viabilidade econômica de seus negócios. Essa parceria mostra como o trabalho em rede fortalece tanto a competitividade quanto o propósito de quem empreende com consciência”, completou Isabella.
As criações de Lucienne podem ser encontradas nas redes sociais e em feiras de artesanato em Campo Grande, e agora também representarão o Pantanal e o Mato Grosso do Sul no maior evento climático do planeta.*Com informações da Assessoria de Imprensa.
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