Segunda-feira, 06 de Abril de 2026
Cultura

Dia de Cosme e Damião mobiliza terreiros e devotos em Corumbá

27 set 2025 - 04h15   atualizado em 03/03/2026 às 09h57

Danielly Carvalho

Dia de Cosme e Damião mobiliza terreiros e devotos em Corumbá Tradição de 27 de setembro reúne fé, doces e brincadeiras em homenagem aos santos protetores. (Foto: Capital do Pantanal)

Cosme e Damião, gêmeos que eram médicos e se tornaram mártires, são celebrados por terem curado os doentes sem cobrar por seus serviços. Na Igreja Católica, a festa ocorre no dia 26 de setembro, mas no Brasil os santos também são cultuados por religiões afro-brasileiras e de matriz africana, como a Umbanda e o Candomblé. Nessas tradições, eles são sincretizados com os Ibejis, orixás infantis que representam pureza, proteção e cura. O culto envolve a oferta de doces e brinquedos em homenagem à memória dos santos e à proteção das crianças. Nos terreiros, a festa é realizada no dia 27, num momento de fé e alegria.

A devoção no Brasil mobiliza famílias e terreiros com meses de antecedência. Rosiane Moraes dos Santos relata que a tradição começou com sua mãe, há 46 anos, quando ela fez uma promessa aos santos milagrosos e foi atendida. “Nos sete primeiros anos foram distribuídos dois mil saquinhos. A devoção de Cosme e Damião representa muita saúde e muitas graças alcançadas, como a saúde da minha irmã Rozemeire, que, para os médicos, nunca mais iria andar, além de várias outras graças”, lembra Rosiane, que hoje segue a tradição iniciada por sua mãe.

Mesa de santos e doces na casa da Rosiane reflete a tradição familiar e a fé viva. Foto: Arquivo Pessoal

A preparação começa já em julho, com a compra de doces e organização de saquinhos. “Distribuo 500 saquinhos, além de cachorro quente, bolo e refrigerante. É uma emoção quando chega setembro, o momento mais esperado por mim e minha irmã Rozemeire, pois prometemos à nossa mãe seguir a tradição e a devoção até o último dia de nossas vidas”, acrescenta Rosiane.

Paula Leiva, devota, reforça a importância familiar da prática. “Mesmo que a promessa já tenha acabado, a gente continua distribuindo. A nossa alegria é ver as crianças correndo na rua pegando docinhos e saquinhos. É uma tradição que vem da minha mãe e queremos que nunca acabe. É ver a alegria transbordando em todos os corações.”

O babalorixá Marcos Vinicio Queiroz explica que a festa mobiliza toda a comunidade do terreiro durante setembro. “Acreditamos que, através disso, vamos dar alegria para as crianças e satisfação para os adultos. Cada um traz um pouco e participa da preparação. Além dos saquinhos, teremos o bolo de um metro por 70 centímetros e um jantar com risoto, salada e batata palha para todos que vierem.”

Preparativos da festa no terreiro envolvem montagem de saquinhos com doces e guloseimas para os pequenos. Foto: Capital do Pantanal

No dia 27, as ruas se enchem de crianças correndo, rindo e pedindo doces. Algumas pedem saquinhos extras para a mãe, irmãos ou amigos, sempre com a inocência e a alegria que marcam a tradição. Nos saquinhos, há de tudo um pouco: balas, pirulitos, brigadeiros, cajuzinhos, bolos e chocolates, tornando a festa ainda mais doce e divertida. O momento é também de interação entre gerações, ensinando respeito à fé do próximo, solidariedade e a importância de manter viva uma tradição cultural e religiosa.

Mais do que uma celebração, a data é marcada por fé e alegria que transcendem a religião, em busca de pedidos: saúde, paz e felicidade para crianças e adultos. Entre oferendas, erês, ibejadas e doces, a devoção mantém vivo o culto aos santos que, em vida, cuidaram dos doentes e continuam protegendo as crianças.

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