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PF já tem provas para indiciar fazendeiros de MS por queimadas no Pantanal

25 setembro 2020 - 11h26Gesiane Sousa com informações de Amaury Ribeiro Jr

Depoimentos de trabalhadores rurais e moradores da região coincidem com imagens de satélite, analisadas pela Polícia Federal (PF), na operação Mataá, que investiga a origem criminosa dos incêndios no Pantanal de Mato Grosso do Sul. O conjunto de informações que a PF reuniu até o momento já é considerado suficiente para indiciar pelo menos quatro fazendeiros. O Ministério Público Federal (MPF) vai analisar a questão e decidir se pode ou não denunciar os investigados à Justiça Federal.

A operação da PF foi deflagrada em 14 de setembro, quando equipes partiram de lancha para a área identificada nas imagens de satélite da Nasa (agência espacial americana) e do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Os peritos federais encontraram vestígios que indicariam a ação humana nas queimadas nas propriedades rurais. De acordo com a análise dos peritos, os focos de incêndio tiveram início no dia 30 de junho, quase na mesma hora, em quatro propriedades localizadas na região oeste do rio Paraguai.

Para a PF e o MPF, esse fato indica que a prática de colocar fogo na vegetação para o plantio de pastagens pode ter sido uma ação combinada entre os fazendeiros. Segundo as testemunhas, dias antes de mandar seus funcionários colocar fogo nas propriedades, os fazendeiros providenciaram a retirada de todo o gado.

Fazendeiros negam ter iniciado fogo

Nos depoimentos que prestaram à PF, os fazendeiros negaram ter mandado colocar fogo nas fazendas. "Vamos provar com as imagens de satélite da própria polícia que o fogo não começou na fazenda do meu cliente. Mas infelizmente não tive ainda acesso ao inquérito", afirmou o advogado Newley Amarilha, que defende o fazendeiro Ivanildo da Cunha Miranda, proprietário da fazenda Bonsucesso, uma das quatro propriedades em que as queimadas ocorreram.

Armamaento apreendido em fazenda investigada. Foto: Divulgação/PF

Os fazendeiros contam com a defesa do Sindicato Rural, que se posicionou contra a acusação da PF, no dia 16 de setembro. Em nota, o sindicato afirmou que a acusação não faz sentido, uma vez que os fazendeiros também são prejudicados com as queimadas, que geram altos prejuízos nas propriedades.

Em uma das fazendas, foram apreendidas várias armas de fogo e munições, inclusive de calibre não permitido. O delegado da PF que comanda as investigações, Daniel Rocha, disse que a operação foi desencadeada depois de uma minuciosa análise das imagens de satélite feita por peritos de Brasília que praticamente "deram o mapa da trajetória do fogo". "Quando sobrevoamos a região, vi uma imagem que jamais podia imaginar. Um mar de água doce transformado em fumaça e fogo." O delegado aguarda a transcrição das conversas telefônicas e os laudos da perícia para concluir o inquérito. "Fizemos a perícia nas propriedades e temos indícios de que os incêndios foram provocados a fim de criar novas áreas de pastagens", disse Rocha.

Os proprietários devem ser indiciados por danos às áreas de preservação permanente e unidades de conservação, incêndio e poluição. As penas previstas na legislação, somadas, podem chegar a 15 anos de reclusão.

Fogo ainda se espalha pelo Pantanal

Pata de onça-pintada feirida nos incêncios. A imagem comoveu o Brasil. Foto: Divulgação

Três meses depois, as queimadas na região continuam a provocar prejuízos. Nesta quarta-feira (23), o fogo chegou ao Parque Nacional do Pantanal e ao corredor que liga a Serra do Amolar ao Parque Encontro das Águas, em Mato Grosso, considerado o maior refúgio de onças pintadas do mundo. "Infelizmente quatro felinos ficaram com as patas feridas", afirmou o tenente-coronel reformado da Polícia Militar Ângelo Rabelo, presidente do Instituto Homem Pantaneiro, que trabalha no combate às queimadas. O fogo se expandiu também para a região das grandes lagoas na fronteira do Brasil com a Bolívia. Os peritos da PF concluíram também que os incêndios acabaram destruindo as matas ciliares que .

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