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MS recebe vacina contra Covid na próxima semana; Testes iniciam por Campo Grande

16 outubro 2020 - 10h33Ana Karla Flores, Correio do Estado

Aplicações de teste da vacina Coronavac, contra o novo coronavírus, iniciam na próxima semana em Campo Grande. 

Na segunda-feira (19) o lote de vacinas produzidas pela empresa farmacêutica chinesa Sinovac, em parceria com o Instituto Butantan, em São Paulo, chegam em Campo Grande e, em seguida, inicia o processo de imunização dos voluntários já cadastrados.

De acordo com a pesquisadora, Ana Lúcia Lyrio, com a chegada da vacina, os profissionais vão organizar o centro de atendimento, que será localizado no Hospital Dia, na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). “Na segunda mesmo a gente já começa o cadastro pelo aplicativo para iniciar os testes. Na próxima semana começa com certeza a aplicação, talvez na quarta-feira”.

A equipe para realizar a vacinação será formada por cerca de 20 pessoas, entre médicos, enfermeiros, técnicos em enfermagem, técnico laboratorial e farmacêuticos. Todos os profissionais são de Mato Grosso do Sul e estarão sob coordenação do Instituto Butantan.

A pesquisadora explica que 1 mil voluntários serão inscritos para receber a vacina. Os interessados devem ser profissionais da saúde da rede pública ou privada que tenham de 18 até 59 anos e 11 meses. Os voluntários também não podem ter nenhuma comorbidade, mas serão aceitos aqueles que já tenham contraído a Covid-19.

Nesta fase de testes, serão aplicadas duas doses da Coronavac. Após a primeira vacinação todos os voluntários serão monitorados. Os vacinados vão receber um número de telefone que vai funcionar 24 horas, para aqueles que sentiram qualquer alteração, como febre, entrarem em contato.  

“O voluntário retorna depois de duas semanas, 14 dias, para a segunda dose. Além de aplicar a vacina, nós vamos colher o sangue para ver como está a resposta do organismo”, detalha Lyrio. Ao fim das aplicações, os vacinados serão monitorados por um ano, para que seja identificado o tempo de eficácia da Coronavac e o comportamento dos anticorpos ao longo do ano. 

“A gente precisa saber se essa vai ser uma vacina para sempre, ou se ela vai ter que ter um reforço depois de um ano ou dois. É isso que vai ser acompanhado, para ver qual o número de anticorpos e como ele vai se comportar durante esse ano”.

A especialista ressalta que mesmo que o Estado tenha iniciado os testes quatro meses depois que outras unidades da federação, ele consegue acompanhar a pesquisa. 

Os testes não serão prejudicados, pois, em diversos centros, o número de vacinações não foi o suficiente para comprovar eficácia.  “Quando a gente faz uma pesquisa dessa, faz com um número de pessoas que é necessário para significar se o produto funciona ou não. Esses centros não conseguiram atingir nem a metade dos testes desde julho” explica a pesquisadora.

Segundo Lyrio, a diferença de Mato Grosso do Sul é que o Estado alcançou o pico da contaminação após as outras regiões. Com isso, a circulação do vírus é maior que nos outros locais do país.  “O que interessa para gente é o resultado, somar todas essas pessoas do Brasil inteiro, e que tenha realmente um significado. O que a gente busca é que ela funcione e que seja segura, para então começar a comercialização, ano que vem”, relata Lyrio.

O secretário de Saúde do Estado, Geraldo Rezende, explica que a secretaria em parceria com o Butantan vai conversar com o Ministério da Saúde para comprar um quantitativo suficiente para a população, caso a vacina seja a primeira com eficiência comprovada.

Diferentes vacinas

A vacina da Coronavac usa o vírus da Covid-19 inativo. Conforme Lyrio, apesar de o vírus estar morto, ele continua com propriedades para desencadear que organismo desenvolva anticorpos.

De acordo com Resende, o Estado já assinou termo de cooperação com mais duas vacinas e sinaliza possibilidade de assinar, em janeiro, parceria com o Laboratório Sanofi, que está na fase três do processo de avaliação da vacina contra o novo coronavírus.

Na segunda-feira inicia a revacinação de 2 mil profissionais da saúde com a vacina BCG, produzida para imunizar contra a tuberculose. A Universidade de Melbourne, na Austrália, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Brasil, farão pesquisa a respeito da eficiência da vacina no combate à Covid-19. 

Em Campo Grande, a pesquisa é desenvolvida pelo pesquisador Julio Croda, professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

Outra vacina que iniciaria os testes no Estado é do laboratório belga Janssen-Cliag, unidade farmacêutica da Johnson & Johnson. 

No entanto, a empresa comunicou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a interrupção temporária do estudo clínico devido a um evento adverso grave ocorrido com um voluntário do exterior. 

 

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