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Médico explica por que é importante a vacinação contra HPV na adolescência

12 março 2018 - 06h47Prefeitura de Corumbá

Neste mês de março, adolescentes que vivem em Corumbá, entre 11 e 14 anos, estão sendo convocados a se vacinar contra o HPV. O vírus frequentemente sexualmente transmissível pode ser evitado com a utilização de preservativos e mais eficazmente com a aplicação da vacina. O HPV, transmitido tanto por homens quanto por mulheres, é o responsável pelo desenvolvimento do câncer de colo do útero. Atualmente, o Ministério da Saúde disponibiliza doses da vacina para o público mais jovem.

Para o ginecologista e obstetra Carlos Eduardo Slaibi Conti, que atende no Centro de Saúde da Mulher, a convocação de adolescentes para vacinação no Município é uma iniciativa muito importante. “Existe protocolo hoje da Sociedade Brasileira de Patologia Cervical Uterina que você dê a vacinação o mais precoce possível, já aos 09 anos de idade, para melhorar prognóstico em relação a não ter o câncer do colo do útero. Com a vacinação, inclusive, você reduz a quantidade de preventivos que a mulher faz na vida”, afirmou o médico.

“Na América e na Inglaterra, por exemplo, a mulher que toma essa vacina passa a fazer preventivo às vezes a cada três anos e isso gera um custo menor para a saúde, necessitando de menos profissionais envolvidos na prevenção. Isso porque se você aplica a vacina, no futuro, você tem menos necessidade de colher novos preventivos”, completou.

No Brasil, na rede privada de atendimento à saúde, há disponibilidade dessa vacina para mulheres adultas. Conforme Conti, existe consenso que até os 26 anos a vacina deve ser aplicada, mas já há pesquisadores falando dessa aplicação até os 45 anos de idade, porém, ainda não é consenso.

O que é o HP

Dr. Conti explicou que o HPV é um vírus ligado diretamente à região do trato genital masculino e feminino, não vive externamente e é frequentemente transmitido sexualmente. “Com a descoberta de novas cepas do vírus, através de exames mais modernos, foi detectado que ele pode ser transmitido por via vertical através do parto e a menina já pode apresentar a proteína do vírus logo após o nascimento. Com esses são estudos mais novos, a medicina vai melhorando o diagnóstico e descobrindo que o vírus existe na vagina frequentemente”, afirmou o médico.

No entanto, ele esclarece que há vários tipos de vírus HPV, sendo um grupo de baixo risco (tipo A) e outro de alto risco (tipo B). Os tipos mais perigosos para a mulher são o HPV-11, HPV-18 e HPV-45 porque apresentam a capacidade de transformar célula normal em célula anormal, podendo, no futuro, com o desenvolvimento dessa célula, levar ao câncer de colo do útero. “Acredita-se hoje que 99% dos casos de câncer do colo do útero são HPV dependentes, então, na verdade, a prevenção desse câncer é a vacina contra o HPV”, afirmou Conti.

Ele disse ainda que é importante saber que nem todo HPV leva ao câncer de colo do útero, somente os que são de alto risco. “O HPV que se manifesta na pele, geralmente é o de baixo risco, do grupo A, esse a vacina não previne. Mas o HPV de alto risco, que é o que provoca o câncer de colo do útero, é prevenido pela vacina. É importante que a mulher tenha consciência que o exame preventivo é justamente para diagnosticar o HPV de alto risco, a lesão que ele provoca no colo do útero. A vacina previne exatamente esse HPV”, explicou o ginecologista.

É verdade também que o homem pode ter o vírus e não saber, já que nele geralmente é imperceptível, e acaba transmitindo para a mulher sem saber. Por isso, a importância da vacinação também nos meninos.

A vacina é segura

Alguns pais têm receio de permitir a vacinação de seus filhos por inúmeros motivos. No entanto, o ginecologista garante que não há nada científico que ligue a vacina contra HPV com o adiantamento do processo de puberdade das crianças ou que faça mal a elas. “Toda vacina provoca uma reação imunológica no corpo humano. Existem algumas reações colaterais como náuseas, mas nenhuma complicação grave. Houve boatos no passado sobre mortes de crianças, mas isso é algo extremamente raro e acontece geralmente quando a criança tem algum problema e que, por isso, não poderia tomar a vacina, como doenças que mexem com o sistema imunológico, a exemplo do HIV e outras enfermidades. Nesses casos, a vacina é contraindicada”, finalizou Conti.

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