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Mato Grosso do Sul é o terceiro estado que menos perdeu renda no Brasil

24 setembro 2020 - 10h39Súzan Benites, Correio do Estado

Mato Grosso do Sul registrou o terceiro menor porcentual de pessoas que tiveram queda dos seus rendimentos em agosto. De acordo com a Pnad Covid-19, um recorte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), 254 mil pessoas relataram queda em suas rendas. O porcentual é de 21,4%, ficando atrás de Santa Catarina e Tocantins.

“Os números condizem com o percentual de pessoas que receberam rendimentos efetivos menores que os habitualmente recebidos. Essa porcentagem ficou em 21,4% em agosto, caindo 0,6 p.p. em relação a julho [22%]. No comparativo, MS é o estado com o terceiro menor número nesta porcentagem, atrás apenas de SC, com 20,5%, e TO, com 20,9%”, explicou o supervisor de informação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Fernando Gallina.

A pesquisa divulgada pelo IBGE nesta quarta-feira (23) aponta ainda que a renda média do sul-mato-grossense também cresceu de R$ 2.206 em julho para R$ 2.260 em agosto, um aumento de 2,5%. 

De acordo com a economista do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Fecomércio (IPF-MS), Daniela Dias, vários fatores auxiliaram para que a renda média aumentasse.  

“Efetivamente tivemos uma melhora de cenário quanto aos rendimentos. Sem dúvida nenhuma, os auxílios do governo ajudaram, fizeram com que as pessoas pudessem comprar bens prioritários para a subsistência. Outro aspecto muito importante é que muitas profissões têm surgido e outras estão mais demandadas, como as na área de tecnologia e marketing. Tudo isso pode ter contribuído com o aumento dessa renda”, explicou Daniela.

Já o rendimento médio per capita dos brasileiros ficou em R$ 1.302 em agosto, conforme o IBGE.  A renda média per capita dos domicílios onde alguém recebe o auxílio emergencial ficou em R$ 816, enquanto a renda per capita dos domicílios onde ninguém recebe auxílio ficou em R$ 1.802.

No Estado, os números seguem o mesmo padrão. Os domicílios em que alguém recebe algum tipo de auxílio têm renda per capita média de R$ 858, enquanto aqueles em que ninguém recebe têm renda de R$ 1.882.

 “O valor médio do auxílio [emergencial] por domicílio no Estado ficou em R$ 858. Há que se considerar que é um impacto importante dessa renda extra”, considerou Gallina.

Estado tem a quarta menor taxa de desemprego

A pesquisa do IBGE traz ainda um recorte sobre o desemprego. Mato Grosso do Sul registrou a quarta menor taxa de desocupação do País, 10,1%. O menor índice de desocupados foi registrado em Santa Catarina (8,2%), e a Bahia tem a maior porcentagem de desempregados, 18%.

Atualmente, residem no Estado 2,7 milhões de pessoas. Segundo o levantamento, na população residente, 1,3 milhão constitui a força trabalhadora do Estado, dos quais 1,2 milhão estão ocupados e 134 mil desocupados. A população fora da força de trabalho ficou estimada em 820 mil pessoas com 14 anos ou mais.  

“A taxa de desocupação de Mato Grosso do Sul sempre esteve entre as menores do País. Se compararmos a Pnad Contínua do primeiro trimestre de 2020, no período pré-pandemia, a taxa era de 7,6%, e agora esse índice está em 10%. A gente pode dizer que o Estado sente os efeitos da pandemia, mas, comparado aos outros estados da federação, ainda está entre as menores taxas, é a quarta menor do Brasil”, contextualizou a supervisora de informação do IBGE, Elenice Cano.

O nível da ocupação, isto é, o porcentual de pessoas ocupadas em relação às pessoas em idade de trabalhar, passou de 55,3% em julho para 55,7%, em agosto. O percentual é o terceiro maior do país entre os entes federados. 

Para a economista, os dados refletem o perfil econômico do Estado. “Os dados do IBGE apontam que tivemos um processo de desaceleração do desemprego desde o início da pandemia. O desemprego está acontecendo, mas em menor proporção. Em Mato Grosso do Sul isso está relacionado muito ao perfil do Estado, o agronegócio tem ajudado no desempenho. Tivemos fomento para os outros segmentos, e tudo isso pode contribuir com esse menor número de desempregados”, concluiu Daniela.

No Brasil, a população desocupada, que era de 10,1 milhões no começo da pesquisa, passou para 12,3 milhões em julho e agora está em 12,9 milhões de pessoas (aumento de 5,5% na margem e de 27,6% desde o início da pesquisa).

 A Região Sul foi a única a apresentar queda da população desocupada (-2,3%). Nordeste (14,3%) e Norte (10,3%) apresentaram as maiores variações.

Informalidade cresce

Ainda conforme a pesquisa, também aumentou o número de trabalhadores informais no Estado. Em agosto, foram registradas 392 mil pessoas nessa situação, aumento de 3,1% em relação a julho (380 mil).  

O porcentual de pessoas ocupadas como trabalhadores informais em relação ao total de pessoas ocupadas ficou em 32,6% em MS. Isso representou a sétima menor porcentagem entre os estados. No Brasil, o percentual é de 33,9%.

Mato Grosso do Sul tem cerca de 88 mil pessoas ocupadas e não afastadas que trabalham de forma remota. Isso corresponde a 7,8% da população empregada, mesmo porcentual de julho. No Brasil, são cerca de 11,1% trabalhando remotamente.

 

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