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Governador acusa promotor de vazar investigação para o PCC

15 setembro 2018 - 17h20Correio do Estado

O governador e candidato à reeleição por Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PSDB), acusou o promotor Marcos Alex Vera, da 30ª Promotoria de Justiça de Campo Grande, de entregar documentos sigilosos a integrante da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), e também para a imprensa. A acusação foi feita durante trasmissão ao vivo de programa local do Sistema Brasileiro de Televisão (SBT).

Durante entrevista, o apresentador do programa questiona se o filho do governador, Rodrigo Souza e Silva, é assassino. Isso porque decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que autorizou a Operação Vostok, da Polícia Federal na última quarta-feira, relatava que Rodrigo seria o mandante de tentativa de assassinato contra José Ricardo Guitti Guimaro, o Polaco.

O apresentador ainda cita denúncia feita pelo lavador de carros Luiz Carlos Vareio, 61 anos, ao Ministério Público Estadual (MPMS). Ele teria sido contratado para roubar Polaco e assassiná-lo.

O governador, então, responde que Vareiro “é um picareta, ligado ao PCC” e acusa o representante do Ministério Público Estadual de vazar inquéritos e tramar contra ele: “Meu filho representou o promotor Marcos Alex no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), porque ele arquitetou essa falácia, porque ele vazava para imprensa algumas investigações sigilosas e chegou a chamar esses picaretas aí para dizer, no cafezinho: conta a verdade, foi o filho do governador que fez isso?”, disse Azambuja na entrevista.

E sustenta novamente que “então, está sendo representado. Eu gostaria que o MPMS analisasse essa entrega de documentos de uma investigação sigilosa  a uma pessoa ligada ao PCC, esse cara (Luiz Carlos Vareiro) é ligado ao PCC”.

Azambuja foi convidado para participar do programa como representante do Poder Executivo. No entanto, acabou sendo questionado sobre investigação da Polícia Federal, que o aponta como líder de uma organização criminosa responsável por crimes como corrupção e lavagem de dinheiro.

Vareiro foi preso por suposto roubo de veículo na BR-262, no ano passado. No ato da prisão, ele exigiu a presença do MPMS para revelar como orquestrou o crime.

O promotor Marcos Alex Vera de Oliveira compareceu à delegacia para ouví-lo e acabou tomando conhecimento “não de um roubo, mas do suposto  planejamento de um assassinato”, conforme consta na investigação da PF.

Luiz Carlos disse que foi contratado pelo filho do governador Reinaldo Azambuja para roubar a “propina” de R$ 270 mil  paga a Polaco e também para matar José Ricardo Guitti Guimaro.

Guimaro é o único alvo da Operação Vostok que continua foragido. Conforme revelado pelo Correio do Estado na edição de ontem, ele já havia concordado em fazer delação premiada sobre os denúncias investigadas pela PF, envolvendo o governador. No entanto, ameaçado de morte, recuou da decisão e ainda acusou de coação o promotor responsável pelo caso, Marcos Alex Vera.

RECLAMAÇÃO

Consta no site do Ministério Público Estadual que Rodrigo Souza e Silva, filho de Reinaldo Azambuja, de fato, fez uma reclamação disciplinar formal contra Marcos Alex Vera.

Em decisão do dia 3 de julho deste ano, o corregedor-geral do MPMS, Marcos Antônio Martins Sottoriva descreve que Rodrigo acusou o promotor de “repassar para  a imprensa fatos envolvendo  o requerente em supostos ilícitos penais, sem que ele tivesse tido conhecimento prévio a respeito dessa investigação, nem oportunidade de defesa”.

Sottoriva, no entanto, determinou o arquivamento  da reclamação, pois considerou que “não houve prática de falta funcional” pelo promotor. A decisão transitou em julgado sem interposição de recurso por parte dos advogados do filho de Azambuja.

No dia 3 de agosto de 2018, cópia desta decisão foi inserida no Sistema do CNMP, onde outro processo de análise de reclamação tramita.

O Correio do Estado questionou o Conselho Nacional do Ministério Público sobre a conclusão da apuração, mas até a publicação desta reportagem não houve resposta.

 O promotor Marcos Alex Vera também foi procurado para que se manifestasse sobre as acusações, mas apenas informou que já prestou esclarecimentos à Corregedoria-Geral do MPMS e não iria se pronunciar sobre declarações recentes.

A assessoria do MPMS também informou que o órgão não irá se manifestar.

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