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Estradas do Pantanal em boas condições na cheia favorecem ecoturismo e pesca

14 julho 2018 - 08h32Portal do Governo de Mato Grosso do Sul

O turismo está em alta no Pantanal da Nhecolândia, em Corumbá, onde a cheia atípica desse ano já começa a dar vazão e os campos surgem floridos e com oferta de alimentos para os bichos. A manutenção dos principais acessos rodoviários à região – as MS-184 e MS-228 -, pelo Governo do Estado, garante o fluxo de visitantes, mesmo com áreas ainda inundadas, a um dos principais destinos de contemplação da natureza de Mato Grosso do Sul.

As duas rodovias de revestimento primário formam a Estrada-Parque, distante 300 km de Campo Grande, com acesso no entroncamento da BR-262-MS-184, no Buraco da Piranha. São mais de 70 pontes de madeira sobre vazantes no caminho, de 120 km. A estrada ecológica integra unidade de conservação criada em 1993, e em sua borda se instalou uma bem estruturada rede de hotéis, pousadas, pesqueiros e áreas de camping.

Aves, como o tuiuiú, se concentram nas lagoas e banhados no pós-cheia: fartura de alimentos.Foto: Governo do Estado do MS.

Olha a onça-pintada!

Com influência dos transbordamentos dos rios Taquari, Aquidauana, Miranda e Abobral, a região inunda mais cedo, em relação à cheia causada pelo Rio Paraguai. O maior volume de água já baixou, período ideal para fazer turismo de observação de animais. Um passeio de carro pela Estrada-Parque é a oportunidade para presenciar uma onça-pintada cruzando a via. É época de acasalamento e o felino, animal solitário, se expõe mais à procura do parceiro. 

Ao longo do único tronco rodoviário de acesso à região, observa-se a boa qualidade da pista e das estruturas de madeira, cujo cascalhamento praticamente eliminou a concentração de solo arenoso e barrento, permitindo a passagem de veículos de passeio. O empresário de turismo e gestor da Estrada-Parque, João Venturini Junior, está preocupado com o excesso de velocidade e sugere a instalação de lombadas para evitar acidentes e mortes de animais.

Legenda da FotoRevoada de garças em lagoa na região do Passo do Lontra, na MS-184: atração. Foto: Governo do Estado do MS.

“A estrada nunca esteve tão boa e as pessoas tem exagerado na velocidade”, diz ele. “Em outras épocas, tínhamos que contar com a sorte para chegar aqui quando chovia, hoje está às mil maravilhas, não temos o que reclamar”, acrescenta Venturini. “Estamos num período ideal para observação de animais, com a fartura de alimentos carreados pela cheia, e a estrada conservada nos permite oferecer e entregar o melhor ao turista”, completou.

Passeios em família

O guia Paulo Henrique, 41, da Pousada São João, explicou que a ocorrência de animais e bichos na borda da Estrada-Parque é maior nessa época do ano por conta da fartura de alimentos e ciclo reprodutivo. “A onça-pintada anda agitada, dando esturros ao anoitecer, e os turistas tem visto ela com frequência na beira da estrada durante os safaris”, observa Paulo Henrique. Pantaneiro nascido no Paiaguás, divisa com Mato Grosso, ele atua na área há 18 anos.

Jacaré em vazantes que cruza a Estrada-Parque: depósito de alimentos deixados pela cheia. Foto: Governo do Estado do MS.

Metade do trajeto da Estrada-Parque – 60 km, entre o trevo com a BR-262 e o distrito de Porto da Manga, na beira do Rio Paraguai, sentido Leste-Oeste – é o mais atrativo. Além da oportunidade de contemplação da natureza, é onde está instalada a melhor estrutura de hospedagem e outros serviços turísticos. A 8 km da BR-262, pela MS-184, fica a comunidade do Passo do Lontra, banhada pelo Rio Miranda, com bons hotéis, pousadas e pesqueiros.

O passeio é ideal para grupo e família e a região não é muito quente nessa época do ano. Às vezes o frio chega repentino, é bom levar um bom casaco. As pousadas integram turismo com pecuária, permitindo ao visitante compartilhar a rotina dos peões, e oferecem boas opções, como cavalgada, safari fotográfico, pesca de piranha, focagem noturna e passeios pelos rios em barcos e canoas. A comida? Saborosa, em fogão de lenha, incluindo o quebra-torno.

Cheia é um atrativo

Depois de trafegar 40 km pela MS-184, chega-se ao seu final e entroncamento com a MS-228. Mais adiante, segue mais 20 km e você está na Manga, deslumbrando o majestoso Rio Paraguai, que está transbordando na região. Esse trecho está parcialmente submerso e todo cuidado é pouco. Apesar de a estrada estar cascalhada, a força da água solava o solo e pode causar acidentes. É ideal orientar-se com um guia e trafegar sem pressa em veículo traçado.

Legenda da FotoTuristas se preparam para um safári pela Estrada-Parque: oportunidade de observar a onça. Foto: Governo do Estado do MS.

Tomada estas precauções, o visitante encontrará pela frente uma infinidade de aves concentradas nas lagoas, ao lado da estrada. Na pista, tuiuiús, capivaras, porcos do mato e gaviões (se alimentando de caramujos) dividem os espaços secos. A cheia – que não é sinônimo de catástrofe, mas de renovação da vida no Pantanal – proporciona estes momentos. E atrai aves migratórias, como o Cabeça-Seca, com maior incidência na costa do Nordeste.

Vivenciar a estrada alagada é vivenciar a dinâmica da cheia na região. A Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul) suspendeu o serviço de balsa no Rio Paraguai, na Manga, mas a vida continua para quem gosta de pescar. Os pesqueiros estão fazendo o translado de seus clientes por meio de lanchas até onde é possível chegar na MS-228. As águas estão baixando, mas em alguns trechos atinge mais de meio metro acima da pista.

 

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