Menu
sábado, 19 de junho de 2021
Andorinha - Maio
Andorinha - Maio
Geral

Entrada de novas drogas no mercado é tema de estudo da Unifesp

09 dezembro 2016 - 10h17Agência Brasil

O maior levantamento online sobre drogas do mundo, o Global Drugs Survey (GDS) 2016/2017, começou a ser produzido em 20 países. No Brasil, a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) coordena o estudo que tem foco na entrada de novas drogas no mercado, padrões de uso, preços e nível de acesso, bem como o impacto sobre o consumo mundial da maconha após mudanças de seu status legal. O GDS é uma ferramenta importante para compreensão do problema do consumo de drogas e do narcotráfico. Para se ter uma ideia, durante a primeira década do milênio, o narcotráfico faturou, em média, 900 bilhões de dólares ao ano, segundo o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc).

“Esse levantamento tem um poder muito grande de detectar fenômenos recentes, como acontece de ano em ano, mostra as tendências como nenhum outro, pois é exatamente a mesma metodologia em 20 países”, destaca a psicóloga da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas (UNIAD/Unifesp), Clarice Sandi Madruga, organizadora do levantamento no Brasil. O GDS é feito desde o ano 2000 sob a coordenação do psiquiatra Adam Winstock, consultor sobre vícios do Maudsley Hospital (Londres) e professor honorário do Kings College London, e por uma equipe de especialistas em 20 países.

De acordo com a pesquisadora, os dados revelam a aparição de novas drogas no mercado. “O levantamento já tinha apontado a cannabis sintética no mercado e assim ficou sendo a principal fonte do desenvolvimento das novas legislações que proibiram seu uso”. Clarice disse que os dados do GDS 2014/2015 mostraram que um em cada quatro usuários precisaram de emergência no uso da metafetamina. “[O estudo] Mostrou isso bem solidamente: o quão perigoso estava sendo aquela droga que era vendida legalmente como legal highs [barato legal] em muitos estados americanos e na Europa”.

O último GDS [2014/2015] mostrou que o Brasil é o segundo país no qual os usuários mais consomem álcool de forma abusiva – 27,5% dos participantes alegaram ter ficado extremamente embriagados pelo menos uma vez ao mês. O Brasil está atrás apenas da Irlanda, com 29%. “E no aspecto quantidade de busca por emergência em função do consumo exagerado de álcool, o Brasil também só perdeu para a Irlanda”, aponta Clarice. Um em cada 30 participantes procurou serviços de emergência após beber. “O levantamento também revelou que o preço da cocaína no Brasil é a mais barata do mundo e a mais forte, isto é um dado assustador”, avalia a pesquisadora.

Para o GDS 2015/2016 não houve número suficiente de coletas – é preciso o mínimo de 5 mil questionários respondidos. A pesquisadora enfatiza que, como é um levantamento feito pela internet, não é representativo da população. “É como se fosse uma lupa nos grupos de risco. As prevalências de uso são todas muito mais altas, e geralmente quem responde o levantamento pela internet são os jovens que já são por natureza um grupo de risco”.

Por isso, ela chama a população brasileira para participar da pesquisa. “Precisamos de 5 mil participantes para podermos comparar com outros países e ter uma participação importante nesse levantamento”, esclarece. “Qualquer pessoa com mais de 16 anos pode participar, não precisa ser usuário de drogas, pois o levantamento também aborda café, energético, todos podem responder, inclusive alguém que é abstêmio”, acrescentou a responsável pela pesquisa no Brasil.

Informações são obtidas online e de forma sigilosa 

Todos os indivíduos com 16 anos ou mais podem responder ao inquérito, independente de serem usuários de qualquer droga. O questionário em português ficará disponível no link  até o dia 31 de janeiro de 2017.

Resultados

Clarice ressalta que os resultados auxiliam o planejamento de ações governamentais voltadas à saúde. Os dados da Global Drug Survey de 2015, por exemplo, propiciaram a formação de políticas públicas no Reino Unido e em outros países europeus. O estudo também detectou pela primeira vez o uso da maconha sintética no Brasil, identificando os riscos associados a essa substância, que coloca um a cada oito usuários em serviços de emergência por complicações relacionadas ao uso. A coleta anterior contou com a participação de 107.624 participantes de diferentes nacionalidades.

 

Deixe seu Comentário

Leia Também

COVID-19
Comissão rejeita proposta de inclusão de jornalistas, bancários e vigilantes em grupos prioritários
SAÚDE
SES autoriza municípios a vacinarem com a Pfizer adolescentes acima de 12 anos com comorbidades
POLICIAL
PRF apreende 450 mil maços de cigarro contrabandeados na Capital
GERAL
MPF aponta risco de desaparecimento de espécies no Rio Paraná
Rio Paraná Energia, empresa da holding China Three Gorges Corporation (CTG), é acusada de descumprir regras ambientais e levar à beira do desaparecimento peixes como Pintado e Dourado
SAÚDE
SES prepara distribuição das 70.160 doses de vacina contra a covid-19 em MS
GERAL
Fórum apresenta avanços do Plano Estratégico em MS
POLICIAL
PMA e Bombeiros resgatam ave em extinção ferida
GERAL
Contribuintes têm até o dia 3 de agosto aderir ao REFIS 2021
EDUCAÇÃO
Terminam hoje as inscrições do Encceja 2020 para privados de liberdade
GERAL
Homem fica ferido após queda de cavalo no Pantanal

Mais Lidas

GERAL
Homem fica ferido após queda de cavalo no Pantanal
GERAL
Bombeiros combatem incêndio em concessionária no Centro
POLICIAL
PM de Corumbá prende homem com mandado de prisão em aberto na área central
GERAL
Atenção ao prazo: licenciamento de veículos com placas 3 e 4 vence neste mês