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"Daqui a 15 anos, MS será um dos estados mais importantes", diz Puccinelli em entrevista

23 julho 2022 - 10h18Eduardo Miranda do Correio do Estado

André Puccinelli (MDB) está em pré-campanha para voltar ao cargo que ocupou por oito anos, entre 2007 e 2014. Nos últimos oito anos, Puccinelli diz ter mudado bastante, só não mudou mesmo a vontade de trabalhar, e promete que esta será a sua principal marca, caso seja eleito.  

Comemora projetos que ganharam força em seu governo, como a implantação de um polo de celulose na Costa Leste, e também da Ferroeste, que deve se concretizar em breve.  

O ex-governador exalta os trabalhos feitos por seu sucessor e por seus antecessores e crava: “Daqui a 15 anos, ninguém segura mais, Mato Grosso do Sul será um dos estados mais importantes da Federação”. 

Em meio à polarização política, Puccinelli, que agrega eleitores dos dois polos, usa o futebol – seu instrumento preferido para metáforas – para dizer que todos que moram em Mato Grosso do Sul são irmãos e que o papel do político é atuar como um “paizão” para todos, até mesmo para os que não gostam dele.   

Perfil - André Puccinelli   

André Puccinelli é médico, foi deputado estadual, deputado federal, prefeito de Campo Grande por dois mandatos e governador de Mato Grosso do Sul também por dois mandatos.  

Como está a preparação para a campanha, sua candidatura está garantida? 

Minha candidatura é garantida. No dia 5 de agosto, nós realizaremos a nossa convenção. Já temos um partido, o Solidariedade, que se coligará conosco. Estamos, talvez, com a possibilidade de termos mais 1 ou 2 partidos que se alinharem conosco, e candidatura garantida.     

Como a população tem te recebido? 

Eu fico extremamente surpreendido pelo respeito e carinho com que sou recebido, até mesmo os adversários.  

E nós temos andado o Estado para colher informações, para modernizar o nosso programa de trabalho, incluindo as peculiaridades e as prioridades de cada município. Temos um esquema básico, uma linha dorsal já estabelecida, e a ela nós acoplaremos as inovações, as peculiaridades, as prioridades que cada município elencar.   

O que você pensa em relação ao desenvolvimento do Estado para os próximos anos? 

Vejo um estado promissor no seu desenvolvimento. Com a construção civil em um ritmo mais acelerado que possa gerar empregos. Investimento por meio dos incentivos fiscais e tributários, por meio de uma política agressiva, para empresariar o Estado.   

O empresariamento e a industrialização na área do setor da agricultura de grãos e de carne, e no empresariamento das indústrias. Vou dar um exemplo, no nosso governo passado, nós começamos com 11 usinas sucroenergéticas, passamos para 23, 4 fecharam, quebraram, e hoje são 19. Muito emprego gerado por conta disso. 

O governo tem de infraestrutura por meio de asfaltamento de inúmeras novas áreas, novas rodovias estaduais, para que você incorpore por meio da chegada do asfalto, mais áreas à produção. 

Investimento em segurança, em parceria com o governo federal. E uma união de todos os parlamentares, os 11 parlamentares mais um governo. 

No sentido de que juntos, unidos, possamos fazer mais pelo Estado.   

A celulose ganhou força nos últimos anos, conte-nos como foi o início desse projeto em seu primeiro mandato? 

Em 2007, tinha somente a Fibria [atual Suzano], lá em Três Lagoas, que era uma fábrica de produção de celulose que produzia 1,3 milhão de toneladas de celulose por ano. Nós investimos muito nisso. 

A Fibria duplicou, com os mesmos incentivos fiscais, para que ela dobrasse o seu número de empregos e a sua produção. Nós tivemos a Eldorado Brasil. Agora, em Ribas do Rio Pardo, a Suzano. 

E agora uma empresa chilena estará se instalando no município de Inocência, às margens próximo ao Sucuriú. A Arauco foi uma empresa que nós fomos buscar. Noticiou aqui a mídia local que em 21 de setembro de 2011 nós estávamos no Chile, a ex-ministra [e ex-secretária Tereza Cristina] e a comitiva, no sentido de trazermos a Arauco. 

E isso se concretiza agora. Então, são 4 plantas. Essa planta nova da Arauco produzirá 2,5 milhões de toneladas. A planta da Fibria, que hoje é a Suzano, lá em Três Lagoas, dobra de produção, a fábrica de Ribas do Rio Pardo são 2,5 milhões de toneladas. Seremos a capital mundial da celulose. 

E o que você vai fazer no início de seu mandato, caso seja eleito? 

A partir do dia 1º de janeiro de 2023, o governo terá de ir, como um caixeiro viajante, atrás de empresas: ‘vamos lá, que nós estamos com 90% de sentido fiscal e tributário para vocês se instalarem no Estado’. Vamos fazer uma política fiscal e tributária agressiva no sentido de empresariar o Estado. E com a Rota Bioceânica agora, que um visionário na década de 1960 vislumbrou que quando o midland da América do Sul, o Centro-Oeste, especificamente do nosso Brasil, tivesse saída para os portos do Chile.   

Nós poderíamos ser a fábrica alimentadora das bocas orientais, 4 bilhões de pessoas, entre China, Índia, Coreia e Japão.  

Então o futuro de Mato Grosso é promissor, e eu ouso dizer que daqui a 15 anos, entre os estados do Centro-Oeste, Mato Grosso sul será o mais promissor de todos, porque nós estamos mais próximos.  

Mas dizem: e Goiás? Lá tem de passar por outros caminhos. Mato Grosso também. E a saída para os portos asiáticos vai se fazer a partir da área produtora de Mato Grosso do Sul, via Paraguai, Argentina, Chile. 

A logística sempre foi uma marca de seus dois primeiros mandatos? Quais são os seus planos? Vai manter os projetos existentes? 

Nós temos a Ferrovia Norte-Sul, que chega até a Estrela do Oeste, do lado de São Paulo, contígua a Aparecida do Taboado, onde nós temos uma ponte rodoferroviária.  

Nós já apresentamos esse projeto no meu outro mandato com o governo federal, a Norte-Sul poderia vir e, em um contrafluxo, entrar por Aparecida do Taboado, porque do lado de São Paulo não tem frete, até chegar aqui embaixo, em Mundo Novo, pela Ferroeste, trecho que foi idealizado no meu governo, que será concluída.   

Então, para que construir uma nova ponte? Do lado de São Paulo, não tem frete nenhum. Aqui, você pega uma ferrovia que vem de Maracaju, Dourados. Você tem grãos, álcool, temos minério, celulose. Temos o que as ferrovias precisam, frete por 30, 40, 50 anos, em quantidade suficiente. Essa ferrovia finalmente sai. Então, até o término do mandato do futuro governador, teremos a ferrovia pronta.   

Quando nós tivermos o modal hidroviário – tem que começar a dragar esse Rio Paraguai – o minério não vem mais de caminhão. O minério vai descer por lá. Da Argentina e do Uruguai sobem adubos, fertilizantes. 

Então, nós temos um modal hidroviário, Rio Paraguai, a ser dragado. Temos um modal rodoviário, vai melhorar as nossas estradas: a Bioceânica, por rodovia, tá dependendo só da ponte. 

E quanto aos outros modais? 

O modal aeroviário, quando eu fui prefeito, fizemos. Temos documentos mostrando que nós fizemos a Infraero aqui no Aeroporto de Campo Grande, a destinação de uma área para que fosse tornado o aeroporto Internacional de Cargas. 

Eram mais três pistas no projeto, para ter decolagem e pouso ao mesmo tempo.   

Então, modal aeroviário, modal rodoviário, modal hidroviário e modal o ferroviário. Isso não se faz de hoje para amanhã. Mas começou o projeto no meu primeiro governo e agora a ferrovia está se fazendo, que era um dos projetos estratégicos de Mato Grosso do Sul. Daqui a 15 anos, ninguém segura mais e Mato Grosso do Sul será um dos estados mais importantes da Federação. 

Como tem sido a aceitação dos servidores nesta pré-campanha, após ter permanecido oito anos no governo? 

Nós temos tido uma conversa franca com vários setores dos servidores públicos, policiais civis, militares e bombeiros militares.  

Com o grupo do magistério, os administrativos, a área da cultura. Por que eles gostam do André? Porque nós sentávamos à mesa antes da data-base para negociarmos e exauríamos todas as alternativas.   

Nem um dia de greve tive nos meus mandatos, porque tratávamos diretamente. Era assim: isso eu posso, isso eu não posso. Isso eu dou, isso eu não consigo.  

Quando ia projeto de lei para valorizá-los em termos salariais ou para vale, usá-los profissionalmente por meio de algum cargo, é modelo de cargos de salários, não é? Eles sabiam que iam encontrar.  

Então, a sinceridade e a franqueza no tratamento direto do governador com os servidores, estando sempre ao meu lado o secretário da pasta que estava em questão, é que ele nos fez respeitarmos mutuamente e confiar-nos mutuamente.   

E esse relacionamento, nas minhas andanças no Estado, eu tenho me referido que será da mesma forma. Francamente. 

Eles nos dizem que não têm tido aumento. Nós, todos os anos, demos aumento. Eles sabem porque eu já assumi o compromisso, inclusive escrito, de que em nosso mandato, no mínimo a reposição da inflação será, ano a ano, acrescida ao salário deles, para que eles voltem a adquirir o poder de compra que tinham antes. 

Como você vê essa divisão política, um extremismo que tem provocado conflitos entre os cidadãos por preferências por candidatos no plano nacional? 

É um direito democrático de cada um pensar. Mas a população sul-mato-grossense é de corintiano, santista, palmeirense, flamenguista, vascaíno.  

De todos os times. Não é atender um só setor. Por que que nós congregamos a simpatia de muitos? Porque nós atendemos a pessoa como cidadã sul-mato-grossense, e não como adversária.   

Nós somos todos irmãos e nós temos que procurar ter time competente para que a equipe formada – não é só o governador que faz, é o governador, a vice ou o vice, e equipe – faça sem discriminação nenhuma. 

Então você tem que ser paizão de todos, mesmo daqueles que não gostam de você. 

Como está a elaboração da chapa, a vice, e terá candidatura ao Senado? 

Parece que a chapa da candidata [Rose Modesto] está formada. Parece candidato que a chapa do ex-prefeito [Marquinhos Trad] está formada.  

E assim por diante. Então, nós estamos vendo. Nós achamos que seria bom para o partido, não só para mim, mas para o partido fazer composição com outro partido na questão do Senado.   

Mas nós vamos discutir com a executiva para ver que posição tomar, porque a nossa pré candidata à Presidência da República [Simone Tebet], indicada pelo partido, às vezes poderá até refluir.  

Então, a nossa pretensão é termos em aliança um nome para que possamos fechar a bandeira do Senado, e se assim não o tiver, o MDB se apresentará com candidato do governo, deputados federais e deputados estaduais. 

E o vice será uma mulher? 

O nível de Brasília, o nosso presidente [Baleia Rossi] disse: ‘olha, se vocês puserem uma mulher, eu tenho condições de ajudá-los mais’. Não temos chapa formada, poderá ser mulher ou homem, mas a preferência é de que seja uma mulher como vice.  

E, além disso, voltar ao que nós fazíamos antes. Quando fui prefeito, metade das pastas era comandada por homem e metade das pastas era comandada por mulheres, mesmo no governo. Eram 17 pastas, eu diminuí para 14 secretarias, com sete homens e sete mulheres.   

Veja só a quantidade de mulheres que nós projetamos para o Brasil: A ex-ministra Tereza Cristina; a Tânia Garib, que foi presidente do Sistema Nacional de Secretários de Assistência Social; a Nilene [Badeca], que foi presidente do Conselho dos Secretários Estaduais de Educação; e a Beatriz Dobashi, que também teve uma atuação destacada em sua área. A mulher tem de nós o maior carinho para que possa ser partícipe em chegando ao governo do Estado da nossa administração. 

Por que quer voltar a governar? 

Eu fiquei muito envaidecido, muito orgulhoso quando foram me buscar e insistiram para eu me tornar pré-candidato e aceitei de pronto e de plano. Quero trabalhar. Tenho energia suficiente para continuar trabalhando e a gente não consegue ficar ocioso. Quem está acostumado a trabalhar não consegue ficar ocioso.   

Quero trabalhar, trabalhar, trabalhar para, quem sabe, poder no futuro dos meus dias dizer e ser reconhecido talvez como o melhor governador do Estado. Para isso, temos que trabalhar muito. Preciso do apoio da população e estou andando pedindo por isso. E a promessa é de que vamos trabalhar, e muito. 

Para suplantar as marcas dos outros governos, que todos contribuíram, de uma forma ou de outra, para a construção de Mato Grosso do Sul. 

Se você encontrasse o André Puccinelli de 15 anos atrás, o que diria a ele? 

Exatamente 15 anos atrás, nasceu meu primeiro neto. Hoje eu tenho 6 netos. E a gente fica bobão e babão quando nascem os netos. Fica com orgulho e trabalha muito. Tem mais prazer em viver a vida, e os exemplos nos trazem a oportunidade de pensarmos mais, falarmos menos, ouvirmos mais, impor menos.   

E essas andanças, porque eu sempre estive muito próximo da população, têm me feito ouvir mais. E quem sabe, com a garra que eu tenho, produzir mais pelo nosso Mato Grosso do Sul. 

 

 

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