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Cosme e Damião: Por traz da devoção a cultura da solidariedade

27 setembro 2018 - 13h16Sylma Lima
Crianças felizes se alimentando após um dia cansativo de correria. Fotos: Victor Viegas

Poucas cidades do pais mantem a tradição de dar doçes para as crianças no dia 27 de Setembro. Cosme e Damião (gêmeos) são santos da Igreja Católica Romana, cujo dia no calendário cristão é 26 de Setembro. Já na Umbanda e seu sincretismo religioso, o dia de comemoração é 27 de Setembro - e é justamente a data que caiu no gosto popular, quando as pessoas saem às ruas em busca dos doces. Esta seria uma prova da força da influência umbandista na cultura local e do forte sincretismo religioso presente na comunidade pantaneira.

O ato de dar doces para as crianças geralmente é cultural e passado de pais para filhos. Devotos do santo afirmam que o principio da devoção é fruto de milagres poderosos, “ a cura de uma doença, ou algum pedido muito difícil que os santos realizam” , dai por diante quem começa a  dar as oferendas nunca mais param, “ algumas pessoas prometem fazer por um determinado período, mas no fim elas acabam dando a vida toda, e aí entra a vez dos filhos que seguem a tradição dos pais” , disse Tatiana Amorim ao Capital do Pantanal.

Desde cedo as crianças saem com suas sacolas e passam o dia todo correndo. Onde estouram fogos, é certeza que tem doces, mas este ano as crianças se surpreenderam, pois muito devotos resolveram dar almoço, como no caso de Tatiana, “ vamos atender 250 crianças com macarronada com molho de frango, arroz, salada e feijão empamonado” . A vizinha e amiga Peluce Velmon vai distribuir doce das 15h como tem feito há mais de 30 anos. Estas promessas são antigas, e duram uma vida.

Comida bem feita e com alimentos de primeira qualidade prova o quão grande é a fé dos devotos. Footos: Victor Viegas

Este ano ,2018, a satisfação das crianças em receber um prato de alimento foi surpreendente, pois para muitas delas será única refeição do dia. Há pessoas que compram doces, fazem os saquinhos e sobem para os bairros mais carentes para  distribuir, “ faço por caridade mesmo. Não tem preço ver a alegria no rosto de uma criança”, diz Silvia Andrade, universitária que não abre mão da tradição, “ não foi promessa, é caridade e muito amor envolvido” .

Prova de que esses atos de solidariedades comovem são fáceis de serem observados, basta que subam para os bairros e vão perceber que os mais pobres é que se ajudam. É deles que partem a vontade de doar. Pouquíssimas pessoas do centro de Corumbá repartiram doces. O ato de fé é também de cultura, para isso agentes culturais de outros estados do país visitam Corumbá nesta data e no Banho de São João para fazer registro histórico da tradição que se perpetua , mesmo com o passar dos anos.

 

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