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Corumbá aguarda reconhecimento de situação de emergência pela União

14 junho 2018 - 13h00Correio do Estado

O município de Corumbá teve a situação de emergência por conta da cheia no Pantanal  reconhecida pelo governo do Estado vinte dias depois do decreto assinado pelo prefeito Marcelo Iunes. A inundação, comum nesta época do ano, isolou 2.500 pessoas ribeirinhas e causa prejuízos econômicos com impactos sanitários no rebanho devido ao deslocamento dos animais. O fenômeno natural atinge o local desde o início de maio e levou a prorrogação da vacina antiaftosa até o dia 30 de julho. O decreto tem prazo de duração de 180 dias.

A estimativa é que neste ano, a cheia no Pantanal não ultrapasse os seis metros (do rio Paraguai) na régua de Ladário, localizada na fortificação da Marinha. Na época do decreto municipal o rio chegou a atingir 5,20 metros. Depois cinco dias em estabilidade, o rio voltou a subir e registra 5,33 metros nesta terça-feira (12.6). Estima-se que o pico nesse ponto, que serve de referência para estudos e previsões hidrológicas na bacia pantaneira, será de 5,70 metros. O nível atual do rio em Ladário estava previsto para o final do mês.

O governo do estado encaminhou parecer técnico da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil sugerindo a homologação do decreto municipal. O reconhecimento pelo governo Federal torna a região atingida pelo fenômeno natural prioridade quanto ao repasse de recursos financeiros e permite, excepcionalmente, o alongamento de dívidas dos produtores rurais. Além da prorrogação da vicina, os pantaneiros pediram liberação de linha de crédito especial pelo Banco do Brasil e mudanças em programas, como o de retenção de novilhas.

RIBEIRINHOS

O coordenador estadual de Defesa Civil, tenente-coronel Fábio Santos Catarineli, que assinou o parecer técnico enviado à Secretaria Nacional, que a situação nas áreas ribeirinhas do rio Paraguai estão sendo monitoradas. Ele adianta que o Estado planeja aquisição de cestas básicas para atender as famílias atingidas pela cheia nas regiões do Amolar, Taquari, Forte Coimbra e Porto da Manga.

“Fizemos uma vistoria in loco nas regiões inundadas, como ação complementar, e constatamos uma situação real, cujos danos e prejuízos decorrentes do evento implicaram no comprometimento da capacidade de resposta econômica e administrativa do poder público municipal”, ressalta. “Aguardamos um plano de ação da prefeitura de Corumbá para iniciarmos o atendimento às famílias desabrigadas ou em situação de isolamento.”

 

PECUÁRIA

A enchente no Pantanal atinge atualmente o município de Corumbá, que detém a maior área da planície do bioma. Até o momento, o maior volume de água do rio se concentra nos arredores da cidade, que não é atingida pela cheia, mas já isolou a região do distrito do Porto da Manga e comprometeu o acesso pela Estrada Parque (MS-228). Essa água chega em julho em Porto Murtinho.

Laudo técnico da Embrapa Pantanal descreve que existem mais de 2 milhões e 300 mil cabeças de gado na região do baixo Pantanal, de Coxim a Porto Murtinho. Com a falta de logística adequada para a movimentação do rebanho, o custo total do deslocamento dos animais por meio de comitivas até os pontos de embarque deve ficar em torno de R$ 5 milhões. Em Corumbá, segundo o Sindicato Rural local, mais de 1 milhão de cabeças de gado já foi remanejada.

Conforme o presidente do Sindicato Rural de Corumbá, Luciano Leite, os efeitos da inundação deste ano devem ser sentidos nas propriedades rurais até 2019 por sua influência no score corporal das vacas de cria. “Esses animais, por serem retirados dessas áreas mais baixas em longas caminhadas, vão diminuir seu score corporal. Consequentemente, vão diminuir a produção de bezerros de maio de 2019 (da próxima estação de parição)

 

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