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Comunidade quer festa do peixe no Porto de Ladário

30 agosto 2018 - 13h44Sylma Lima
Festa ddo peixe faz parte da programação oficial do aniversário de Ladário. Em 2017 estava lotada. Foto: Arquivo Capital do Pantanal

A polêmica começou desde que a Secretaria de Cultura do Município Ladarense oficializou a mudança do evento este ano, 2018, para a Avenida 14 de Março. A empresária  Ednéia dos Santos Costa, conhecida como Ednéia Pantaneira, que tem um restaurante à beira do rio, e idealizou junto com o amigo (falecido)  Roberto Paixão, a festa do peixe há dez anos, se sentiu excluída quando o chefe do executivo decidiu trocar o lugar do evento sem comunicar a comunidade do entorno. O porto de Ladário sempre foi palco da festa que contava com a participação de artistas da terra, comida da hora, bebida gelada e muita animação, em tendas montadas embaixo de árvores na beira do rio.

Edinéia bate o pé e diz que não vai para Avenida. Fotos: Sylma Lima

Após entrar para o calendário oficial do município, agora, tem seu local alterado, segundo resposta de Carlos Anibal Ruso á TV Morena, por falta de estrutura. A argumentação  é contestada pelos moradores, “ aqui estava uma imundície, lixo, mato alto tomando conta de tudo, mas depois que denunciamos eles limparam. Dá para fazer aqui. A estrutura é mesma de dez anos atrás. Se sempre deu certo, porque agora não daria?”, questiona a comerciante que vive no porto  há 52 anos,  e diz que não vai participar da quermesse se for na Avenida, “ os turistas prestigiam por causa da beleza panorâmica . Nosso Pantanal é referência . Como mudam sem nos consultar, ou fazer um plebiscito? Eu não vou subir a Avenida, porque geralmente preparo  300 quilos de peixe,  uso material de primeira e pescado fresquinho” , diz lamentando a decisão do prefeito.

A pescadora Sarlidey Pena, que participa desde a primeira edição, diz que esta muito triste com toda essa polemica, “ eu repudio a festa desse prefeito. Vivo da pesca, por isso, serei obrigada a ir para a Avenida porque preciso. Tenho filhos para sustentar ,e considero tudo isso um desrespeito moral. Essa festa não começou na gestão dele (Ruso), porque agora quer mudar uma tradição. Matar uma manifestação popular que é direito dos ribeirinhos. Nós que fazemos do evento uma fonte de renda, emprego, e publicidade para nosso município”  Diante do impasse, as moradoras organizaram um protesto no final da manhã desta quarta-feira,29, com faixas e cartazes pedindo respeito ao bem cultural , “ vamos fazer um outro evento, aqui no porto, a ‘feira do peixe’, por nossa conta e ainda esse mês”, garantiu Ednéia. Em 2017 a festa foi no porto de Ladário , como concebida, e atraiu um publico significativo.

Nem o calor 

Pescadora profissional Sarlidey mostra as belezas do porto. Foto: Sylma Lima

intenso afastou os frequentadores que se deliciaram com dezenas de pratos elaborados com peixes do rio Paraguai (água doce). Grandes tendas foram montadas com mesas e cadeiras , embaixo das árvores, organizadas para comodidade do público. Mais de dez barracas ofereciam deliciosos pratos preparados com peixes típicos da região como o pintado e o pacú, acompanhados dos populares arroz, mandioca e vinagrete, sempre presentes na comida pantaneira.

A programação oficial da festa em comemoração a emancipação política da ‘Pérola do Pantanal’, ( 2 de Setembro) , este ano (2018),consta apenas atos cívicos , alvoradas, missas e feiras nos seus 240 anos. Nenhuma obra foi anunciada nestes dois anos de administração de Carlos Ruso ,que se torna um ‘prefeito indigesto’ para os ladarenses que o chamam de ‘truculento  e autoritário’.

Legislação

No dia 2 de Dezembro de 2010 o Ministério da Cultura publicou a lei nº 12.343,  do Plano Nacional de Cultura, em conformidade com o § 3º  do art. 215 da Constituição Federal, com duração de dez anos, e que garante direito a arte e cultura, direito a memória e as tradições, proteger e promover o patrimônio histórico e artístico, material e imaterial; valorizar e difundir as criações artísticas e os bens culturais; estimular o pensamento crítico e reflexivo em torno dos valores simbólicos.

Comunidade buscou apoio da imprensa. Foto: TV Morena

 

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