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Análise constata aumento no nível de alerta da Covid-19 entre os municípios de MS

02 setembro 2020 - 11h19Fernanda Vasques

A análise dos dados da pandemia da 33ª a 35ª semanas epidemiológicas - período de 15 a 29 de agosto - realizada com os microdados atualizados em 1º de setembro, mostra que os níveis de alertas cresceram nas diferentes microrregiões de saúde (MRS) de Mato Grosso do Sul (MS). A metodologia, desenvolvida por um pesquisador da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), resume cinco indicadores em uma medida-resumo - o índice de morbimortalidade municipal por Covid-19 - e se traduz em níveis de alerta. 

O resultado da análise, segundo Adeir Archanjo da Mota, expressa de que maneira os gestores públicos têm administrado a pandemia nos diferentes municípios que integram as MRS: “Observamos crescimento, ou em alguns casos, estabilidade com modesto crescimento no índice, em todas as microrregiões de saúde do estado com exceção da microrregião de Aquidauana. Ao considerar os alertas emitidos pelos pesquisadores, a gestão municipal decretou lockdown por sete dias e - embora seja um curto período de tempo - parece ter surtido efeitos positivos na redução dos números da pandemia”. Composta por Aquidauana, Miranda, Anastácio, Nioaque, Dois Irmãos do Buriti e Bodoquena, todos os municípios registraram queda nos níveis de alerta (Aquidauana de 5 para 4 e os demais de 4 para 3, com exceção de Bodoquena que permaneceu com nível de alerta 1). 

De acordo com a pesquisadora da Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB), Fernanda Vasques Ferreira, o resultado dessa microrregião de saúde é reflexo do nível de importância dado pelos gestores públicos à pandemia. “Quando são emitidos alertas, um gestor público reconhece a importância das pesquisas e toma providências no sentido de preservar a vida dos cidadãos, a população também passa a dar a dimensão de gravidade correspondente à realidade da pandemia. Isso contribui para que as pessoas respeitem os decretos com restrições mais severas, como também para que os números da doença recuem”, avaliou a professora, que pesquisa na área de Comunicação, Saúde e Políticas Públicas. Archanjo da Mota reitera a necessidade de vigilância em relação aos dados da Covid-19: “O que fica evidente é que, em certa medida, Aquidauana fez o ‘dever de casa’. Contudo, a microrregião precisa continuar um trabalho de conscientização e de restrições para prevenir mortes evitáveis”.

CGR em alerta máximo

Enquanto os níveis de alerta da MRS de Aquidauana tiveram um sensível recuo, Campo Grande e Nova Alvorada do Sul registraram aumento significativo nos índices de morbimortalidade. Campo Grande continua com nível de alerta máximo (alerta 5) e Nova Alvorada do Sul saltou do nível de alerta 2 para 4. Respectivamente, os índices de morbimortalidade saltaram de 11,68 para 13,94 e de 1,00 para 3,90. 

Na MRS de Campo Grande, os pesquisadores destacaram, também, o crescimento do nível de alerta de 2 para 3 de Chapadão do Sul. “A situação geográfica de Chapadão do Sul, no contexto do nordeste do estado, contribui para compreender o aumento dos indicadores deste município, com maior nível de interação espacial com a microrregião de Paranaíba, por meio das rodovias BR-158 e MS-306 (Mapa 1), do que com a capital”, explica Archanjo da Mota.

Variações

O acompanhamento dos índices de morbimortalidade tem mostrado aos pesquisadores como a doença evolui no estado. Na MRS de Paranaíba, todos os municípios registraram aumento nos índices de morbimortalidade e, por sua vez, nos níveis de alerta. Paranaíba saltou do nível de alerta 2 para o 3, Cassilândia saltou do nível de alerta 2 para o nível 4 e Aparecida do Taboado, do nível 3 para o nível 4. 

A MRS de Três Lagoas registrou queda nos níveis de dois municípios: Água Clara e Brasilândia (recuaram do nível 2 para o nível 1). Os demais municípios dessa MRS - Três Lagoas índice de 0,98 para 1,38 - permaneceram com níveis de alerta, a b e c.  Santa Rita do Pardo e Selvíria se mantiveram no nível 1, com índices decrescentes.

Dos cinco municípios que integram a MRS de Coxim, três registraram aumento nos níveis de alerta: Coxim saiu do nível 2 para 3, Rio Verde e Pedro Gomes do nível 1 para o 2. Alcinópolis se manteve com o nível de alerta 1 e Sonora registrou queda no nível de alerta: saiu do nível de alerta 3 para o 1. 

Dos seis municípios que compõem a MRS de Jardim, dois deles - Jardim e Bonito - registraram mudanças. O alerta de Jardim recuou de 3 para 2 e o nível de alerta de Bonito subiu de 3 para 4. “Sabemos que houve abertura para o turismo ecológico em Bonito e, possivelmente, isso tenha impactado nos índices de morbimortalidade. Infelizmente, enquanto não houver vacina e não houver diretrizes para a condução desse momento pandêmico, teremos variações nos níveis de alerta a cada alteração de contexto”, explica Archanjo da Mota. 

A MRS de Corumbá registrou aumento nos índices de morbimortalidade. Ladário saiu do nível de alerta 3 para 4, mesmo nível de alerta de Corumbá. “Os indicadores de Ladário refletem a dinâmica socioespacial da conurbação Corumbá-Ladário, com alto nível de disseminação do novo coronavírus na cidade de Corumbá e decretos pouco restritivos, é um grande desafio para a contenção da Covid-19 em Ladário”, contextualiza o pesquisador.

Os municípios de Ivinhema e Fátima do Sul registraram aumento nos níveis de alerta, saindo do nível 1 para o 2. Dourados se manteve no nível de alerta 3, mas apresentou crescimento no índice de morbimortalidade passando de 1,52 para 2,18.

Ocupação de UTIs

Dos 752 leitos de UTI no SUS do estado, 86,44% se concentram nos municípios de Campo Grande, Dourados, Três Lagoas e Corumbá, que são pólos das macrorregiões de saúde. Esses municípios acumulam 81,39% na taxa de ocupação de leitos de UTI. Os municípios que apresentaram as taxas mais preocupantes em 01 de setembro, conforme dados do Painel Mais Covid-19 MS, são: Paranaíba, com 90%; Campo Grande, com 84%; Dourados, com 75%; Ponta Porã, com 73%, Corumbá, com 68% dos leitos de UTI e cem por cento dos leitos clínicos ocupados; e Três Lagoas, com 65% de taxa de ocupação de leitos de UTI. 

“Os gestores sabem que podem reduzir os impactos da doença na vida das pessoas. Eles também sabem que as mortes são evitáveis. Resta saber quando serão responsabilizados pelos danos causados à vida da população, à saúde pública e coletiva e aos impactos negativos na economia pela retroalimentação da pandemia e pelo uso não racional dos recursos públicos da saúde”, questionou a pesquisadora em Comunicação, Saúde e Políticas Públicas. 

 

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