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Alunos de Corumbá apresentam bengala eletrônica em feira nacional

14 março 2018 - 09h23Daniel Pedra

No primeiro dia da mostra de projetos finalistas da Febrace (Feira Brasileira de Ciências e Engenharia), o “Olho de Agamotto”, bengala eletrônica desenvolvida por alunos da Escola do Sesi de Corumbá para guiar deficientes visuais com o auxílio de sensores e georreferenciadores, se destacou perante os jurados pela inovação, características técnicas e caráter assistencialista. A feira nacional está na 16ª edição e é promovida pela USP (Universidade de São Paulo), na capital paulista, de 12 a 16 de março.

Para o coordenador pedagógico da Escola do Sesi de Corumbá, Marcel Giordano Jeffery, depois de o projeto conquistar diversos prêmios, a participação na Febrace é mais um passo para o crescimento dos alunos. “É uma oportunidade única para os alunos vivenciar esse momento de muita criatividade e inovação, quando todos os passos que eles dão há uma troca constante de conhecimento, cultura, o que amplia bastante o desenvolvimento e ampliação do olhar deles sobre engenharia e ciências”, avaliou.

Durante a feira, são apresentados 346 projetos feitos por estudantes dos ensinos fundamental, médio e técnico de escolas públicas e particulares de todo o País. A professora orientadora do projeto, Marcelly Rodrigues Tavares, destacou o bom desempenho dos alunos da Escola do Sesi de Corumbá no primeiro dia de avaliações.

“O grupo teve grande êxito, então as nossas expectativas são as melhores possíveis. Os alunos estão animados e dando seu melhor no momento de mostrar o protótipo, o diário de bordo, e se mostram preparados para os próximos dias de apresentação, porque ainda temos dois dias pela frente”, pontuou Marcelly Tavares, acrescentando, ainda, que os alunos também estão assistindo palestras e aproveitando o máximo possível as oportunidades de aprendizado.

Os estudantes

Aluna da 3ª série do Ensino Médio e integrante da equipe, Kianny Clímaco Guerreiro se diz satisfeita após o primeiro dia. “Fico bastante orgulhosa por participar desse projeto e ver o quanto ele pode mudar a vida das pessoas com deficiência visual, e pelo fato de vários avaliadores elogiarem bastante nosso projeto, então espero que a gente melhore cada dia mais”, disse.

Ex-alunos da Escola do Sesi de Corumbá, Fábio Gustavo Urquieta e Adilson da Silva Júnior, que foram integrantes da equipe do “Olho de Agamotto” enquanto estudavam na instituição e acompanharam toda a concepção do projeto, também participam da apresentação durante a Febrace. “O primeiro dia foi impressionante, pois ao ver a variedade de projetos, as diversas áreas de aplicação em que as pessoas trabalham e não são profissionais, pois a maioria está no ensino técnico, você vê a tecnologia dando seus passos e mostrando para o mundo o que ela é capaz de fazer”, disse Fábio.

 “O primeiro dia serviu para conhecer os projetos e, com isso, compreender a importância de estarmos aqui, temos essa chance de estarmos aqui juntos e tudo isso só vem agregar tanto na vida acadêmica quanto na escolar”, completou Adilson, que hoje é acadêmico da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul). Acompanhante da equipe, Paulo Henrique Almeida da Silva, da 1ª série do Ensino Médio da Escola do Sesi de Corumbá, comenta o aprendizado obtido já no primeiro dia. “Foi tudo muito novo e de bastante aprendizagem, tem muitos projetos interessantes e de muita qualidade, o que torna a feira muito competitiva e acirrada para todos”, analisou.

Na torcida, Naiara Aparecida Firmino Rodrigues, que também é ex-integrante do “Olho de Agamotto” e acompanha a equipe em São Paulo, avalia que a participação na feira é um dos pontos altos do projeto. “Uma feira desse nível foi um dos pontos mais positivos para o projeto, tanto em questão de experiência como na expansão do projeto que cada vez tem se tornando mais conhecido em vários lugares”, finalizou.

Os projetos inscritos na 16ª edição da Febrace são avaliados por especialistas e devem conter um artigo, exposição de pôster, vídeo ou slide explicativo. São premiados os projetos vencedores em diferentes categorias e subcategorias, bem como o “Professor Destaque” da edição. O “Olho de Agamotto” já foi eleito o melhor projeto multidisciplinar da edição 2017 da Fecipan (Feira de Ciência e Tecnologia do Pantanal) e também ganhou o 1º lugar na área de Engenharia da 4ª FetecMS (Feira de Tecnologia, Engenharias e Ciências de Mato Grosso do Sul), realizada pela UFMS e Grupo Arandú de Tecnologias e Ensino de Ciências.

O nome do dispositivo foi baseado no amuleto que o personagem das HQs (Histórias em Quadrinhos) do Grupo Marvel, “Dr. Estranho”, carrega no pescoço e é inspirado no mundo real em “O Olho que Tudo Vê”, de Buda, nome dado a Siddhartha Gautama, líder religioso que viveu na Índia e fundou o “budismo”.

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