Cartão do Mais Social, que garante auxílio mensal de R$ 450 e é de uso exclusivo do beneficiário.
(Foto: Divulgação)
Um rapaz autônomo de 25 anos afirma ter sido vítima de fraude no Programa Mais Social, em Anastácio, cidade a 137 quilômetros de Campo Grande, após descobrir que R$ 3,6 mil do benefício foram utilizados sem que ele sequer tivesse recebido o cartão. Desempregado e precisando do dinheiro, só percebeu o problema oito meses depois do início das movimentações. A servidora envolvida na denúncia, é investigada e foi exonerada, conforme publicação no DOE (Diário Oficial do Estado) desta sexta-feira (13).
“Eu não sei para onde estava indo meu dinheiro”, disse o jovem à reportagem. Por telefone, a vítima relatou que solicitou o benefício no começo do ano passado. Durante meses tentou obter informações sobre a situação do pedido. “Quando eu ligava para saber, falavam que iam retornar, mas nunca teve retorno”, afirmou.
Em uma das ligações para a superintendência do programa, no meio do ano passado, recebeu a informação de que o cartão constava como já entregue. “Uma senhora falava assim pra mim: ‘consta que está esse cartão com o senhor’. Eu falava que não, e a pessoa respondia: ‘tem que aguardar a visita então’”, relatou.
Ele disse que continuou aguardando, até que apenas ontem (12) recebeu o cartão, entregue pela coordenadora do programa em Anastácio. Logo depois, recebeu novas ligações. “Em seguida, o pessoal da Secretaria de Assistência Social entrou em contato", contou. Durante a conversa, foi questionado se estava com o cartão desde agosto. “O senhor não está com seu cartão desde o mês oito?”, teria perguntado uma funcionária. Ao informar que não estava, ele soube que havia movimentações.
“É de débito, mas não pode sacar. Mas quando perguntei na ligação, responderam que estava tendo movimentação. Eram R$ 450 por mês desde agosto do ano passado”, disse.
A revelação o deixou abalado. “Fiquei desesperado, fiquei nervoso. Tudo que você faz na vida uma hora tem retorno. Se você está recebendo um dinheiro público, você tem que prestar esclarecimento”, desabafou. Segundo ele, até agora não utilizou nenhum valor do benefício.
Após a orientação recebida na ligação, ele procurou uma agência do Banco do Brasil. “A mulher falou: tenha calma, pode tomar uma água e o senhor vai no banco. Aí fui no Banco do Brasil, perguntei para o rapaz e ele confirmou que desde agosto estava recebendo, outra pessoa utilizando”, afirmou. No local, foram emitidos comprovantes das movimentações. “Ele puxou os comprovantes. Depois fui na delegacia, como a moça da ligação orientou”, contou. Lá, registrou boletim de ocorrência. “O policial pediu o comprovante de que eu recebi o cartão, só que quando recebi ontem ela não me deu o papel", explicou.
Desde então, segundo ele, a assistência social do Estado tem mantido contato. O jovem afirma ainda que existem outras denúncias semelhantes no município. “Tem mais denúncias de fraude em Anastácio. Estou muito chateado. Várias vezes entrando em contato, falavam que meu cartão estava comigo e não estava”, disse.
A servidora apontada como envolvida na fraude foi exonerada. Em nota, o Governo de Mato Grosso do Sul informou que abriu investigação administrativa e criminal para apurar possível fraude na utilização de cartões do programa Mais Social por servidores públicos. A apuração é conduzida pela Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos.
Segundo o Executivo estadual, foram instaurados um procedimento administrativo interno e diligências preliminares para abertura de inquérito policial. Outras medidas disciplinares e de responsabilização poderão ser adotadas conforme o avanço das investigações.
O governo informou ainda que mantém mecanismos permanentes de controle e monitoramento do benefício, com fiscalização nos 79 municípios atendidos pelo programa, e ressaltou que repudia qualquer irregularidade que comprometa o atendimento a famílias em situação de vulnerabilidade.
O Mais Social concede auxílio mensal de R$ 450, depositado em cartão de uso pessoal e intransferível. O valor pode ser utilizado exclusivamente para a compra de alimentos, gás de cozinha, produtos de limpeza e itens de higiene pessoal. A aquisição de bebidas alcoólicas, produtos derivados de tabaco e outros itens proibidos pelo regulamento é vedada, podendo resultar na exclusão do beneficiário em caso de descumprimento.
A reportagem não conseguiu contato com a servidora.
Fonte: Campo Grande News.
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