Mato Grosso do Sul é um dos estados participantes do projeto.
(Foto: Divulgação Recode)
A ancestralidade e a inovação tecnológica se uniram na criação da Arandu, uma inteligência artificial (IA) desenvolvida e gerida exclusivamente por mulheres indígenas de diversas etnias do Brasil. O nome, que significa “sabedoria” em tupi-guarani, batiza a ferramenta que integra a plataforma Círculos Indígenas, funcionando como um acervo digital para a salvaguarda de saberes tradicionais e um motor de autonomia financeira para comunidades originárias.
O projeto, viabilizado pela ONG Recode, permite que as participantes produzam, editem e distribuam conteúdos que registram conhecimentos ancestrais. Além da preservação cultural, a plataforma atua como um ecossistema de economia solidária, possibilitando a comercialização de produtos e artes produzidos nas aldeias.
Expansão e representatividade
Atualmente, a rede conta com mulheres de 12 estados ( Acre, Amazonas, Bahia, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Rondônia, Roraima, Santa Catarina e Tocantins) e do Distrito Federal, englobando etnias como Pataxó, Terena, Guajajara e Yanomami. O movimento busca combater barreiras históricas de acesso à tecnologia. "Este projeto garante que essas vozes sejam protagonistas de suas próprias narrativas", destaca Rodrigo Baggio, fundador da Recode.
A iniciativa está em fase de expansão. Com o objetivo de atingir 240 participantes até o final de 2026, as inscrições para a terceira turma — com 160 novas vagas — já estão disponíveis no portal oficial da organização. Para se inscrevrer clique aqui.
Tecnologia a serviço da identidade
Para as participantes, a IA Arandu não é apenas uma ferramenta técnica, mas um suporte para a comunicação. Júlia Tainá, indígena em contexto urbano no Acre, relata que o ambiente virtual funciona como um território de segurança e reconexão. “A IA nos apoia a estruturar nossas falas e a aprender a nos comunicar do nosso jeito, impactando o futuro sem abrir mão de quem somos”, afirma.
Funcionalidades e Ética
A plataforma oferece recursos específicos para a realidade indígena, tais como:
- Tradução: Suporte entre línguas indígenas e o português.
- Gestão de Conteúdo: Ferramentas intuitivas para edição de vídeo, áudio e texto.
- E-commerce: Espaço voltado à venda direta de produtos das aldeias.
- Uso Ético: Supervisão constante para garantir que a IA respeite os direitos coletivos e os contextos culturais.
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