Determinação e coragem marcam a trajetória de jovem de 23 anos, que vai participar do concurso estadual no dia 25 de julho.
(Foto: Arquivo Pessoal)
Aos 23 anos, Rhayllana Silva, proprietária de um salão de beleza em Corumbá, prepara-se para um grande desafio: representar sua cidade no Miss Trans Mato Grosso do Sul. Na categoria plus size, ela disputará o concurso no dia 25 de julho, no Teatro Aracy Balabanian, em Campo Grande, buscando não apenas um título, mas também dar visibilidade à população trans da região.
Seu interesse pelos concursos de beleza surgiu do desejo de encontrar uma representação verdadeira para si mesma. "Desde quando o bom corumbaense fala 'me entendi por gente', e por ter dentro do meu coração uma mulher, eu sabia que teria que buscar algo que me representasse", relata Rhayllana. Para ela, a passarela vai além do desfile; é um espaço de luta e superação. "Você vence, não a luta toda, mas a primeira batalha", acrescenta.
A estreia no universo dos concursos foi em 2022. Apesar de não ter conquistado o título, a experiência representou uma vitória pessoal. "Quando chegou ao fim, mesmo não ficando em primeiro lugar, eu mesma me coroei: você conseguiu, Rhayllana Silva." Entre os obstáculos, ela destaca o julgamento por ser plus size e a falta de apoio da família, além da dificuldade em obter patrocínio local. "Muitos na nossa cidade preferem valorizar e dar visibilidade a quem vem de fora do que fomentar o sonho da corumbaense nata", lamenta.
Rhayllana incentiva outras mulheres trans a não desistirem de seus sonhos. Foto: Arquivo PessoalA preparação para o concurso é intensa e começa até seis meses antes do evento. Rhayllana ressalta que a etapa de perguntas e respostas, feita na hora, é especialmente desafiadora. "Me sinto uma guerreira", afirma.
Mais do que um concurso, a jovem entende seu papel como porta-voz da comunidade trans de Corumbá. "Eu fico muito feliz por representar cada mulher trans da minha cidade", diz. Ela reforça que o objetivo ultrapassa a coroa. "Não se trata só de uma faixa e de uma coroa, mas sim de uma luta diária por reconhecimento e respeito à nossa comunidade, que a cada dia sofre mais com mortes por transfobia."
Mesmo diante da falta de patrocínio, que quase a fez desistir, a vontade de representar sua cidade e seu povo a motivou a seguir em frente. "Por que eu vou desistir no final? Resolvi participar pela última vez desse concurso maravilhoso", explica.
Jovem carrega com orgulho a faixa com o nome de sua cidade natal. Foto: Arquivo PesoalAlém da visibilidade pessoal, Rhayllana valoriza o aprendizado político proporcionado pelo concurso. "Não é só desfilar, é militar a favor dos nossos direitos." Ela destaca também a sororidade entre as candidatas, que compartilham apoio e fortalecem umas às outras nos bastidores.
Com os olhos no futuro, Rhayllana se prepara para o Miss Brasil Trans Curve, em outubro. Seu compromisso é continuar na luta e na representação, levando o nome de Corumbá e da comunidade trans para além do Pantanal.
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