A região da Maracangalha, no Pantanal de Corumbá, é a única com fogo ativo neste momento.
(Foto: Divulgação/IHP)
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, através da ministra Marina Silva, e o Corpo de Bombeiros do Mato Grosso do Sul, nas palavras da Tenente-coronel Tatiane Inoue, divulgaram que, nesse momento, os incêndios no Pantanal estão próximos da extinção, avaliação com a qual a Ecoa concorda, com base nas ‘ferramentas’ manejadas pela instituição: imagens de satélite, informações vindas de diferentes regiões enviadas pela rede de contatos da Ecoa, incluindo 25 Brigadas Comunitárias voluntárias, ribeirinhos, pescadores e várias organizações locais.
Atualmente, a região da Maracagalha é a única com fogo ativo no Pantanal de Corumbá. Os focos foram identificados na quinta-feira, 11 de julho, e mobilizaram Bombeiros e Brigadistas para o combate no local considerado de difícil acesso. Aeronaves e militares da Marinha do Brasil também atuam na região.
No processo de análise e avaliação desta semana, a Ecoa decidiu divulgar os principais fatores que conduziram o recuo dos incêndios no bioma, para segundo a organização, contribuir com o necessário planejamento das ações dos próximos meses.
Clima
A frente fria que entrou no País a partir do Sul e alcançou o Pantanal, reduziu a temperatura drasticamente nas regiões onde ocorriam os principais focos de incêndio, em partes dos municípios de Corumbá e Miranda, ambos no MS. A queda na temperatura veio acompanhada de alguma chuva – pouca, na verdade – depois de um longo período de extremo calor e sem nenhuma chuva.
Ações de prevenção
O governo de Mato Grosso do Sul e o Ministério de Meio Ambiente iniciaram os preparativos para o combate ao fogo há alguns meses. O governo do MS destinou 25 milhões de reais para as operações de prevenção e combate ao fogo através do Corpo de Bombeiros, muito antes dos incêndios tomarem a proporção que tomaram. A Ecoa desta que medidas corretas foram adotadas, dentre elas o estabelecimento de bases avançadas, inibidoras de incendiários e facilitadoras de pronta ação de combate; a proteção da Estrada Parque Pantanal e suas pontes; o trabalho de educacional nas Escolas das Águas e aquisição de equipamentos.
O Ministério do Meio Ambiente trabalhou desde o inicio do ano na preparação de um Plano que, na sua execução, mobilizou várias forças governamentais para trabalharem de modo convergente para a contenção do fogo. A alta direção do MMA envolveu-se diretamente. A organização aponta que deve-se ter em conta o trabalho de articulação realizado pelo MMA com os governos estaduais, situação que não ocorreu em governos anteriores. Brigadas Comunitárias voluntárias, o apoio do Ministério Público do Trabalho e as organizações não governamentais.
Hoje as Brigadas Comunitárias voluntárias, são 23 e as privadas, em fazendas, outras tantas. Desde o surgimento dos primeiros focos nos municípios de Ladário, Miranda e Corumbá, todos no MS, várias brigadas atuaram para impedir que focos se transformassem em incêndios, inclusive no interior de fazendas a convite de proprietários. Uma Área de Proteção Ambiental (Baía Negra) foi salva até agora pela atuação conjunta da Brigada Comunitária e dos brigadistas do Prevfogo Ibama. Está em andamento um trabalho de reaparelhamento de algumas das brigadas com apoio do Ministério Público do Trabalho.
Identificação e investigação sobre os responsáveis por iniciar incêndios
O trabalho do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, em conjunto com a Polícia Militar Ambiental, para identificação dos responsáveis e eventual responsabilização é apontado pela Ecoa como um fator importante para intimidar eventuais propagadores de fogo no Pantanal. Contribui para esse ‘efeito’ a determinação do Ministério da Justiça que a Polícia Federal iniciasse investigações sobre os responsáveis pelos incêndios.
Aqui vale o registro de que levantamentos indicam que a quase totalidade dos focos tiveram início em propriedades particulares.
O importante papel da mídia
Na avaliação da Ecoa, a mídia no geral, tanto grandes publicações quanto as menores, fizeram o acompanhamento de maneira correta, mostrando a gravidade das condições climáticas e os danos do fogo, mostrando a necessidade de ampliação das intervenções dos órgãos governamentais.
E os próximos dias?
A frente fria derrubou a temperatura na parte do Pantanal, porém não trouxe chuvas para toda a região. Levantamento feito pela Ecoa indica que mais ao norte de Corumbá, na Serra do Amolar, não choveu. Chuvas insuficientes em algumas partes e continuidade da seca em outras indicam que o quadro de incêndios pode ocorrer novamente.
A frente fria derrubou a temperatura em Corumbá, chegando possivelmente a mínima de 8°C durante o final de semana. A partir de quarta-feira, 17 de julho, as temperaturas devem voltar a subir, alcançando máximas de até 40°C, sem chuvas previstas. Condições propicias para o fogo. Prevenção é a palavra chave no momento.
Área queimada
Desde o começo do ano até 9 de julho, 594 mil hectares foram queimados no Pantanal Sul-mato-grossense, o que corresponde a 6% do total de 9 milhões de hectares da região pantaneira no Estado. O aumento chega a 159% em relação ao mesmo período de 2020, quando foram queimados 229,4 mil hectares - considerada até então, a pior temporada de incêndios.
Os números são do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais do Departamento de Meteorologia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Os focos de calor detectados via satélite chegam a 3.098 de janeiro até 9 de julho, segundo dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais). Aumento de 46,8% em relação ao mesmo período de 2020, quando houve 2.111 registros. *Informações da Ecoa.
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