Renúncia se deu após autorização do uso da Unidade para transporte intensivo de eucaliptos pela na MS-450.
(Foto: SOS Pantanal)
Em nota divulgada nesta quinta-feira (28), o instituto SOS Pantanal informa que renunciou sua vaga no Conselho Consultivo da Área de Proteção Ambiental Estrada-Parque Piraputanga após autorização do uso da Unidade para transporte intensivo de eucaliptos pela na MS-450.
No documento, a instituição informa que "seguindo os modelos mais modernos na relação entre os setores econômico, social, político e ambiental, o SOS Pantanal participa ativamente de processos regulatórios em prol da preservação da fauna e flora, além da manutenção do bem-estar e da sustentabilidade de comunidades que habitam a maior planície alagável do planeta. Essa virtude se estende em diversos âmbitos, entre eles o do Conselho Consultivo da Área de Proteção Ambiental Estrada-Parque Piraputanga, pelo qual o instituto manifestou diversas preocupações com o aumento de tráfego de caminhões a partir de um contrato firmado entre a empresa Suzano com uma fazenda local para a exploração de eucalipto. Neste caso, e após muitos debates, sua atuação não induziu a mudanças significativas no processo de autorização do uso da Unidade de Conservação". No texto, o instituto considera que entidades como a AGESUL (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos de Mato Grosso do Sul) e o IMASUL (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) adotaram um posicionamento "omisso" na discussão.
A SOS Pantanal destaca que é de notório conhecimento que o tráfego excessivo de caminhões nesta estrada, que corta os municípios de Dois Irmãos do Buriti e Aquidauana, com rota passando pelo distrito de Palmeiras, "trará imensos riscos às comunidades locais, incluindo animais que dependem dos recursos provenientes da área de proteção ambiental, criada há 24 anos". O instituto ressalta ainda que a rodovia não possui mecanismos básicos para a passagem de fauna, tampouco acostamento ou cercas de proteção. Além disso, pequenos negócios turísticos ali instalados serão prejudicados pela interferência dos veículos num ambiente que hoje é ideal para o relaxamento e para a prática de esportes de natureza, como rapel.
De acordo com Leonardo Gomes, diretor executivo do SOS Pantanal, o Conselho Consultivo da Área de Proteção Ambiental Estrada-Parque Piraputanga, com a participação do instituto, “fez uma ampla consulta com a população local, posicionando-se de forma clara com relação aos impactos do empreendimento para vidas humanas, animais silvestres e para a infraestrutura. Infelizmente isso não motivou análises mais profundas por parte das instituições estaduais envolvidas, e a continuidade do SOS Pantanal neste espaço seria legitimar uma decisão que consideramos bastante irresponsável”.
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