Se condenado Iunes pode receber até nove anos de prisão, pagamento de multas e ficar inelegível por oito anos.
(Foto: Arquivo)
O prefeito de Corumbá, Marcelo Iunes (PSDB), foi denunciado pelo Ministério Público Estadual (MPE) ao Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS), por meio da Procuradoria Regional Eleitoral, pelos crimes de corrupção eleitoral e falsidade ideológica eleitoral, com a finalidade de obter votos, que garantiram sua reeleição no pleito de 2020.
Se condenado na Justiça, pela compra de votos, Iunes pode receber pena de até nove anos de prisão, pagamento de multas e ficar inelegível por oito anos. Investigações apontam que o atual prefeito de Corumbá cometeu crime eleitoral pelo menos 24 vezes, com a participação de um servidor comissionado, também mencionado no processo.
Na denúncia, o procurador regional eleitoral Pedro Gabriel Siqueira Gonçalves revela o “modus operandi” da compra de votos, que variava entre entrega de dinheiro, cestas básicas, remédios e também se dava através da realização ou antecipação de exames e procedimentos médicos, em sua maioria, realizados no laboratório Citolab, laboratório credenciado para realização de exames laboratoriais de cidadãos corumbaenses encaminhados pelo órgão de saúde municipal. O mesmo laboratório, em 2020, foi alvo de investigações da Polícia Federal. Até o ano de 2017, o laboratório tinha dois proprietários, José Batista Aguillera Iunes e Amanda Cristiane Balancieri Iunes, respectivamente irmão e esposa do prefeito.
Conversa de WhatsApp alerta para esquema de corrupção. Foto: ReproduçãoNa denúncia foram anexados prints de conversas pelo WhatsApp, no qual Marcelo troca mensagens com uma mulher identificada como Isabel/Kelly Bola que avisa que conseguiu fazer exames e agradece, confirmando que no dia da eleição o voto "é 45".
Pelos crimes denunciados, caso seja condenado pela Justiça Eleitoral, o prefeito pode pegar até quatro anos de reclusão e pagamento de 5 a 15 dias de multa pelo Artigo 299 e até cinco anos de reclusão e pagamento de 5 a 15 dias de multa pelo Artigo 350.
Operação Mercês
No dia 4 de novembro de 2020, uma semana e meia após as eleições municipais, a Polícia Federal abordou o servidor comissionado, acusado de envolvimento, que conduzia um veículo Prisma, quando ele saía do diretório de campanha eleitoral do PSDB em Corumbá.
Na ocasião, os agentes encontraram uma planilha de dados, contendo número do título de eleitor, seção e zona eleitoral de dezenas de eleitores corumbaenses, R$ 7.750,00 em espécie, divididos em porções de R$ 250,00 cada, listas de pessoas contendo informações de nome, telefone e bairro, material de campanha dos candidatos a prefeito Marcelo Iunes e a vereador Yussef Salla.
Servidor comissionado, que atuava na campanha de Iunes, foi flagrado com listas e dinheiro. Foto: DivulgaçãoAlém do dinheiro e das planilhas com dados pessoais de eleitores, o que já é bastante comprometedor, foram encontrados com o servidor, cópia da requisição de exame médico de ultrassom dos ombros, cotovelos e punhos de uma mulher, requisitado pela médica da Secretaria de Saúde de Corumbá/MS, e cópia da Solicitação de Assistência Especializada e Autorização de Procedimentos Ambulatoriais em nome de outra mulher. Alertando para o uso do serviço público para obter benefícios e votos na campanha eleitoral. Com o servidor, também havia dinheiro em seus blosos.
O servidor tentou destruir o aparelho celular ao ser conduzido para delegacia após abordagem. Com a quebra de sigilo telefônico dele, foram encontrados indícios da existência de uma associação criminosa composta por agentes públicos e políticos que atuavam praticando crimes eleitorais, em especial, compra de votos na cidade.
Na denúncia ainda consta que o prefeito omitiu “sete vezes, em documento público, declaração que devia constar, para fins eleitorais, consistente na contratação para serviços de cabos eleitorais.
Até o momento, o prefeito Marcelo Iunes não divulgou nenhuma nota ou declaração sobre o assunto.
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