Danielle Oliveira, de 40 anos, começou a correr após episódio traumático na família.
(Foto: Divulgação/Fiems)
“A corrida significa transformação, é o momento em que você tem a oportunidade de se transformar física e mentalmente. Ela te dá essa capacidade de ser uma nova pessoa. Eu incentivo as mulheres enlutadas, pessoas que têm ansiedade, depressão, a tentarem, a se arriscarem a fazer algo novo. E a corrida pode ser essa ferramenta, essa porta para você ver uma melhor versão de si mesmo”, Danielle Oliveira, 40 anos.
“Eu lembro que eu já fui para o carro pensando numa forma de tirar a minha vida, pensei em diversas formas. E aí me dei conta que eu estava com um short por baixo da calça, porque depois eu ia treinar. Eu tirei a calça e fui correr. Corri 10km e agora estou aqui contando essa história pra você. Chego a me arrepiar. Por isso, eu digo: a corrida salvou a minha vida”, Fabrício Henrique Santos, 44 anos.
Essas duas histórias são de atletas da Corrida do Pantanal que tiveram as vidas transformadas pelo esporte. A fotógrafa Danielle Oliveira conheceu a corrida há quatro anos, depois de perder a filha caçula. A criança teve um câncer renal com quatro anos de idade e veio a falecer nove meses após o diagnóstico.
“Após esse momento, eu não via mais sentido na vida, tudo era dor. Foi quando eu recebi o convite de um amigo para participar de uma prova de corrida e de cara me apaixonei. Ao completar o percurso, mesmo ofegante, com um riso misturado às lágrimas, tive a sensação de ser a mulher mais forte dessa vida. Comecei a correr e nunca mais parei. Me sinto muito mais viva e cheia de amor pela vida toda vez que corro”, se emocionou ao contar.
Hoje, ela coleciona mais de 80 medalhas e se prepara para ganhar mais uma. “A Corrida do Pantanal é especial pra mim, porque foi a primeira vez que eu corri 15km. Eu achei incrível correr com tudo aquilo de gente o percurso inteiro, foi fantástico. Eu amei, ficou na minha lembrança. E, nesse ano, tenho a missão de melhorar o meu tempo em relação à edição anterior. Conforme você vai treinando, batendo os próprios recordes pessoais, você quer sempre mais”, explicou.
A médica do trabalho do Sesi, Paola de Brito, esclareceu que diversos estudos mostram que a atividade é benéfica para a saúde mental, inclusive é indicada pelos especialistas como aliada à terapia medicamentosa.
“Ao realizar atividade física temos liberação de neurotransmissores no cérebro como a serotonina, dopamina e noradrenalina, promovendo sensação de bem-estar. A corrida de rua é uma excelente opção, acessível e, em grupos de corrida, há a união de pessoas com interesses em comum, criando vínculos de amizade, contribuindo também para a prevenção e melhora da qualidade de vida, consequentemente há redução dos níveis de estresse e ansiedade”, concluiu.
O personal trainer Fabrício Henrique Santos entrou para o universo da corrida em 2018, depois de fazer exames de rotina e receber um parecer médico de esteatose hepática nível 3, que é o acúmulo de gordura no fígado, prestes a evoluir para uma cirrose. A recomendação foi emagrecer. No dia seguinte, às 4 da manhã, ele fez a primeira caminhada e não parou mais. Pesava 101kg, hoje, está com 73 e com uma saúde excelente.
Anos depois, em julho de 2021, outro episódio em que a corrida foi determinante. “Minha irmã estava hospitalizada, há mais de 30 dias, na UTI, eu recebi a informação do médico que o quadro estava cada vez pior e que ela poderia morrer a qualquer momento. 25 minutos depois, o meu chefe entrou na minha sala e me demitiu. Peguei minhas coisas e fui para o carro já pensando em uma forma de tirar a minha vida”, revelou. Dias depois, a irmã do Fabrício faleceu. No lado profissional, ele resolveu deixar de investir na empresa dos outros para apostar na própria carreira e negócio.
“Durante a corrida, eu penso e reflito muito. Na época, foi o alicerce que me deu sustentabilidade para tomar minhas decisões, que salvou a minha vida em vários sentidos. Com certeza, a Corrida do Pantanal é um instrumento que está salvando e mudando vidas. Entre essas 15, 20 mil pessoas, certamente, tem muitas histórias de superação como a minha. É um evento diferenciado. Você chega lá e se depara com aquela multidão, todos querendo a mesma coisa, saúde e qualidade de vida”, finalizou.
A ação está em sintonia com o item 3 (saúde e bem-estar) dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU). As metas representam um apelo global à ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade.
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