Domingo, 06 de Setembro de 2026
Projeto REDD+

Evento marca lançamento da primeira certificação de crédito de carbono no Pantanal

30 mai 2023 - 09h32   atualizado em 03/03/2026 às 09h27

Gesiane S. Lourenço

Evento marca lançamento da primeira certificação de crédito de carbono no Pantanal Mais de 231 mil créditos de carbono, que serão comercializados no mercado voluntário internacional, têm o potencial de reduzir cerca de 430 mil toneladas de CO2e até 2030. (Divulgação)

Aconteceu na manhã desta terça-feira (30), no Memorial Instituto Homem Pantaneiro (IHP), em Corumbá, o lançamento da primeira certificação de crédito de carbono no Pantanal. O evento é um importante marco na  questão ambiental, uma das diretrizes determinados pelo governador Eduardo Riedel, para construir um Estado verde, próspero e inclusivo. 

O governador chegou no aeroporto da cidade logo pela manhã e foi recepcionado por autoridades políticas e civis. Seguindo a agenda, participo do evento no IHP juntamente com Rita Mesquita, secretária Nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais, do Ministério do Meio Ambiente; Jaime Veruck, secretário      Estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Ciência e Inovação, coronel Ângelo Rabelo, diretor-presidente do IHP, Marcelo Iunes, prefeito de Corumbá, entre outras autoridades.

A onça-pintada desempenha um papel ecológico fundamental para o equilíbrio dos ecossistemas, protegendo a biodiversidade, as águas e as florestas, além de garantir a sobrevivência das espécies que coexistem com ela e de seus habitats associados. O felino está presente em 18 países da América, mas nos últimos 100 anos sua população foi reduzida quase pela metade. De acordo com o Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, do ICMBio, a espécie é considerada quase ameaçada. Ainda, de acordo com o Programa Felinos Pantaneiros, estima-se que, no Pantanal, existem 12,4 onças-pintadas por 100 km².

Por isso, desde 2019, a ISA CTEEP, líder no setor de transmissão de energia do País, desenvolve o Programa Conexão Jaguar, que visa à conservação da biodiversidade; à mitigação das mudanças do clima por meio da implementação de projetos florestais em áreas prioritárias para proteção, recuperação e conexão do habitat e corredores da onça-pintada; e ao desenvolvimento das comunidades. 

“Recentemente, fomos reconhecidos como uma empresa carbono neutro pelo Instituto Colombiano de Normas Técnicas e Certificação (Icontec), nos escopos 1 e 2, o que demonstra que estamos no caminho certo com as iniciativas dentro de casa, como as ações de ecoeficiência para o uso responsável de recursos naturais em nossas operações. O Programa Conexão Jaguar é a forma que encontramos de transcender as nossas operações e potencializar a geração de valor sustentável para o país”, diz Ana Carolina David, gerente de comunicação, sustentabilidade e relações institucionais da ISA CTEEP.

Governador acompanhou informações do Programa Conexão Jaguar e Felinos Pantaneiros, que criam um corredor ecológico de proteção as onças  pintadas, na Serra do Amolar. Foto: DIvulgação/IHP

A área protegida com o apoio do Programa é de mais de 135 mil hectares está localizada em Corumbá, ela forma um corredor de biodiversidade para a onça-pintada e outras dezenas de espécies animais que equivale a cerca de 135 mil campos de futebol, compondo assim o primeiro projeto REDD+ com emissão de créditos de carbono no Pantanal. A gestão da área protegida é realizada pelo Instituto Homem Pantaneiro (IHP), responsável pela execução do projeto.

De acordo com o próprio IHP, o Brasil abriga a maior população de onça-pintada do mundo, principalmente, na Amazônia e no Pantanal. 

“Essa área representa um corredor para a biodiversidade onde há centenas de espécies de mamíferos, de aves e de répteis. Com esse projeto, nós ampliamos a proteção a um sítio do Patrimônio Natural da Humanidade. Além do benefício ambiental, o Programa Conexão Jaguar permite uma revolução econômica no local, à medida que contribui para o desenvolvimento das comunidades pantaneiras. Essa é uma iniciativa privada que caminha ao encontro da necessidade humana sob os aspectos ambiental e social”, explica Coronel Ângelo Rabelo, presidente do IHP.

Projeto Jaguar mantém monitoramento na Serra do Amolar. Foto: Divulgação/IHP 

Pioneirismo e marco histórico

O Programa Conexão Jaguar, desenvolvido pela ISA e suas empresas, é responsável pelo financiamento e apoio técnico deste primeiro projeto REDD+ (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal) certificado no Pantanal pela Verra. A certificação de créditos de carbono contou com o apoio dos aliados técnicos da ISA CTEEP, South Pole e Panthera, dois líderes mundiais no combate às mudanças climáticas e no fomento da sustentabilidade, dedicados ao mercado voluntário de créditos de carbono e à conservação de grandes felinos, respectivamente. 

Os créditos de carbono são instrumentos de incentivo à preservação, desenvolvidos no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) para recompensar financeiramente áreas em desenvolvimento por seus resultados de redução de emissões de gases de efeito estufa. No bioma Pantanal, é o primeiro projeto certificado no Brasil, como resultado do Programa Conexão Jaguar, e tem potencial de redução de mais de 430 mil toneladas de CO2e até 2030. Ainda, a iniciativa terá o desafio de reduzir em 90% o desmatamento não planejado, no qual está incluído o fogo, considerado o principal fator de desmatamento neste bioma.

Abaixo, conheça quais são os impactos esperados até o fim do projeto:

  • Proteger e conservar uma área florestal de alto risco de forma permanente para viabilizar um refúgio natural para a onça-pintada, ariranha, tamanduá-bandeira, tatu-canastra e anta, espécies consideradas em extinção, em risco ou que são guarda-chuva;
  • Evitar o desmatamento não planejado e aumentar a funcionalidade do bioma;
  • Aumentar a quantidade de carbono sequestrado na vegetação nativa permanente, por meio de maiores áreas de reservas, aplicação de tecnologias, outros usos de solo, dentre outras iniciativas;
  • Reforçar a governança local e a gestão de áreas protegidas, por meio da participação ativa das comunidades no entorno, que até hoje retiram do ambiente o seu sustento, sem comprometer os recursos naturais de forma permanente.

O REDD+ atende aos critérios do Nível Ouro GL3 - Benefícios Excepcionais à Biodiversidade.

Chamada para novos projetos 

Interessados em fazer parte do Programa Conexão Jaguar podem cadastrar seus projetos florestais no link. As iniciativas selecionadas receberão apoio técnico e financeiro para emitir e comercializar créditos de carbono com os mais elevados padrões internacionais (VCS + CCB e Gold Standard), além de apoio técnico para conhecer o estado de conservação das espécies de médios e grandes vertebrados que habitam na área do projeto.

A área protegida com o apoio do Programa é de mais de 135 mil hectares está localizada em Corumbá. Foto: Ângelo Rabelo/IHP

Sobre o Programa Conexão Jaguar

Atualmente, o Programa apoia nove iniciativas na Colômbia, Brasil, Peru e Chile, que somam uma redução potencial de mais de 7 milhões de toneladas de CO2 em mais de 828 mil hectares de floresta e com 188 espécies de fauna registradas por meio de armadilhas fotográficas, algumas em algum grado de ameaça, como o jaguar e a arara.

O Conexão Jaguar contribui para cumprir com as metas globais da agenda 2030, como o Acordo de Paris, o Convênio sobre a Biodiversidade Biológica e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Para o ano 2030, a companhia estabeleceu a meta de apoiar 20 iniciativas de conservação e restauração de florestas ao longo do corredor da onça-pintada na América Latina, com as quais espera contribuir para a redução de 9 milhões de toneladas de CO2.

Sobre a ISA CTEEP 

Com uma equipe de mais de 1.400 colaboradores, a ISA CTEEP está presente em 17 Estados, operando uma complexa rede de transmissão por onde trafegam 30% de toda a energia elétrica transmitida no Brasil e 94% no Estado de São Paulo. Seu sistema elétrico é composto por mais de 29 mil km de circuitos (cerca de 28 mil em operação e 1,5 mil em construção), incluindo ativos próprios e controlados em conjunto, e 133 subestações próprias (126 em operação e sete em construção) com tensão de até 550 kV. Seu acionista controlador é a empresa colombiana ISA, que detém 35,82% do capital total. 

Sobre o IHP

Com 20 anos de atuação, o Instituto Homem Pantaneiro (IHP) compartilha com a sociedade os desafios para a conservação do Pantanal e toda sua biodiversidade. O Instituto é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, que atua na produção de natureza no bioma Pantanal, com respeito à história e à cultura local. Dentre as atividades desenvolvidas, destacam-se a gestão de áreas protegidas, o apoio a pesquisas e à promoção de diálogo entre os atores com interesse nas áreas. 

O Instituto realiza a gestão da Rede de Proteção e Conservação da Serra do Amolar (Rede Amolar). Esse programa foi criado em 2008, por iniciativa do IHP, e conta com parceria de outras instituições envolvidas na conservação da natureza. A Rede Amolar forma um corredor para a biodiversidade no Pantanal com área de mais de 300 mil hectares. Dentro desse território, o IHP tem as áreas São Gonçalo, Santa Rosa e Serra Negra e copropriedade na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Engenheiro Eliezer Batista. O IHP também é responsável pela gestão das fazendas Vale do Paraíso e Morro Alegre e de quatro RPPNs (Penha, Acurizal, Dorochê e Rumo Oeste). 

 

* Informações da Assessoria
 

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