Segunda-feira, 15 de Junho de 2026
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Em extinção, pintado continuará nos balcões de peixarias e sem mudar preço

11 jun 2022 - 06h03   atualizado em 03/03/2026 às 09h24

Gesiane S. Lourenço

Em extinção, pintado continuará nos balcões de peixarias e sem mudar preço Pesca pode ser proibida, mas estabelecimentos explicam que fornecedores cultivam peixe em cativeiro. (Kísie Ainoã/Campo Grande News)

Apesar do MMA (Ministério do Meio Ambiente) incluir o pintado na lista de peixes ameaçados de extinção, a espécie não vai sumir da mesa dos sul-mato-grossenses, já acostumados com um dos pratos mais tradicionais do Estado.  

Conforme a portaria, o transporte, armazenamento, guarda, manejo, beneficiamento e comercialização do pintado serão proibidos dentro de 180 dias. No entanto, as peixarias já vendem, atualmente, os animais criados em cativeiro, chamados peixes de cultivo.  

Diferente dos peixes de rio, os de cultivo são criados para a comercialização e vendidos até 50% mais baratos que os capturados na natureza. A diferença fica no sabor, que pode variar de acordo com o local onde os animais são mantidos. 

O proprietário da Peixaria Lima, Gilmar Bezerra Lima, de 43 anos, explica que se o peixe for cultivo em condições ruins, como em açudes pequenos, e não receber alimentação adequada, a carne fica com gosto inferior ao natural dos rios.  

“Quando o peixe é cultivado nas fazendas, em grande escala, tem todo um processo que faz com que elimine esse gosto de ração, de terra. Eu costumo dizer que o gosto é a mesma coisa, só se a pessoa tiver um paladar muito apurado, mas se tiver em um açude onde o peixe fica passando fome, com certeza vai ficar com o gosto ruim”, disse.  

O empresário comercializa os dois tipos de peixe, tanto de rio, quanto de cultivo. “Aqui vendemos bastante o pintado, é o mais tradicional no Estado. Mas no meu modo de ver, poderia fechar toda a pesca de peixe de rio, para criar a cultura do consumo de peixe de cultivo aqui no Estado”, apontou.  

Já para a proprietária da Peixaria Atlântica, Valdenice da Costa, 44 anos, o gosto entre os dois tipos de peixe é bastante diferente. “O peixe de rio não tem nem comparação, o sabor é outro, mas o gosto do de cultivo já melhorou muito com o aprimoramento da ração”.  

Ela aponta ainda que há dois anos, o pintado não está sendo encontrado com tanta frequência como antigamente. “Desde que pegou fogo no Pantanal, em 2020, está difícil de achar. Aqui estamos pegando peixe de cultivo do Amazonas, Paraná, que é mais barato que o de rio. Então o preço não vai ser afetado, não”.  

Além do sabor, o proprietário da Peixaria do Beto, Eliverson Abrão Asayv, 44 anos, afirma que a carne do pintado de cultivo também é mais frágil.  

“Ele não se movimenta muito, então a carne fica mais frágil, ao contrário do peixe de rio, que nada mais. Os restaurantes procuram muito o de rio, então se for proibido mesmo, vou ter que procurar alguma adequação”, relatou.  

“O de rio o peixe é muito vendido pela fama dele, pelo status, mas o peixe mais consumido já é o de cultivo, é mais fácil de achar e mais barato”, completou.  

Está ou não proibido?

A portaria nº 148 de 7 de junho de 2022, atualizou a de nº 445, de 2014 e prevê a proibição da captura e comercialização daqui a 180 dias. 

No entanto, a normativa pode ser revertida, já que o Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) questionou o Ministério a respeito dos dados.  

Como explica o superintendente de Meio Ambiente e Turismo da Semagro (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar), Pedro Mendes Neto é possível que seja feito um reestudo e um novo disciplinamento da pesca, pois o Mato Grosso do Sul possui decreto estadual estabelecendo medidas restritivas para captura das espécies, como limite de tamanhos mínimo e máximo.  

“Todos os dados vão passar por uma análise nesses seis meses. Se todas as pesquisas indicarem que a espécie está vulnerável, fica válida a proibição, mas aqui no Estado já existem políticas públicas que protegem o pintado”, apontou.  

A solicitação de reanálise foi feita nesta sexta-feira (10) e não há prazo para que o governo Federal envie uma resposta. Até lá, fica válida a portaria do Ministério do Meio Ambiente.  

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