Quarta-feira, 30 de Setembro de 2026
Depende do clima

Levantamento do IBGE aponta recorde na produção do safrinha em MS

09 jun 2022 - 04h29   atualizado em 03/03/2026 às 09h25

Gesiane S. Lourenço

Levantamento do IBGE aponta recorde na produção do safrinha em MS Milho ocupou mais de 2 milhões de hectares, segundo o IBGE. (Chico Ribeiro/Governo MS)

Se o clima colaborar, Mato Grosso do Sul deverá ter o terceiro maior crescimento do Brasil na safrinha de milho, com previsão de colher mais de 11,5 milhões de toneladas neste ano, um aumento de 80,9% em comparação com o ano passado, quando o Estado produziu 6,4 milhões de toneladas. Os dados são da estimativa de maio do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgado hoje (8) pelo IBGE. 

O rendimento médio da safrinha de milho deverá ficar 5.299 kg/ha diante de 3.300kg/ha na safra passada. 

De acordo com o levantamento, a safra total que inclui cereais, leguminosas e oleaginosas em Mato Grosso do Sul deve atingir 21,5 milhões de toneladas neste ano, cerca de 13,5% superior ao ano agrícola anterior. Mato Grosso do Sul é o quinto no ranking nacional de produção agrícola, com 8,2% da participação na safra. 

No País a previsão é de colheita de 263,0 milhões de toneladas em 2022, avanço de 0,6%, o que representa 1,5 milhão de toneladas a mais. A estimativa é de que a safra deste ano seja 3,8% maior do que a de 2021, quando foram colhidos 253,2 milhões de toneladas de grãos. 

De acordo com gerente de agricultura do IBGE, Carlos Alfredo Guedes, o crescimento da estimativa é explicado pelo desempenho de produção do milho, do trigo e da soja. “A produção do milho deve alcançar novo recorde. A colheita da segunda safra está começando agora e as condições climáticas são boas, especialmente em Mato Grosso e Paraná, que são os principais produtores desse grão”, explica. A segunda safra responde por 77,0% da produção brasileira desse cereal. 

O milho, com a soma de suas duas safras, deve totalizar 112 milhões de toneladas. É um crescimento de 0,1% frente ao mês anterior e de 27,6% na comparação com o que foi produzido no ano passado. O atraso no plantio e a falta de chuvas causaram uma forte queda na produção do grão em 2021, o que não deve acontecer neste ano. Entre os estados com maior crescimento na segunda safra do milho frente à produção de 2021 estão Paraná (178,3%), Mato Grosso do Sul (80,9%), Mato Grosso (17,1%) e Goiás (9,9%). 

Já a soja, que está com a colheita praticamente finalizada nos principais estados produtores, deve somar 118,6 milhões de toneladas. Principal produto de exportação do país, essa cultura teve a safra atingida pelos efeitos da estiagem nos estados do Sul, em parte de Mato Grosso do Sul e em São Paulo. Os problemas climáticos fizeram a produção da soja cair 12,1% na comparação com 2021. 

“A soja foi plantada na época certa, mas faltou chuva em grandes estados produtores em novembro, dezembro e janeiro. Isso afetou muito a produção. No Rio Grande do Sul, por exemplo, a produção de soja caiu 55% em relação ao ano passado, no Paraná, a queda foi de 38,7%”, detalha Guedes. Mesmo com a queda na produção, a soja segue como grão de maior peso no grupo, representando 45,1% do total. 

Mato Grosso segue como maior produtor nacional de grãos, com uma participação de 30,1%, seguido pelo Paraná (13,9%), Goiás (10,7%) e Rio Grande do Sul (9,3%). Mato Grosso do Sul é o quinto do Brasil, com 8,2% da produção nacional de grãos. 

Armazenamento 

Também divulgada hoje (08) pelo IBGE, a Pesquisa de Estoques mostrou que Mato Grosso do Sul tem 488 estabelecimentos de armazenagem de grãos, com capacidade que supera 11 milhões de toneladas. O Brasil conta com 183,3 milhões de toneladas. Mato Grosso tem a maior capacidade de armazenagem do País, com 45,5 milhões de toneladas. O Rio Grande do Sul e o Paraná aparecem logo depois, com 34,6 e 32,7 milhões de toneladas de capacidade, respectivamente. 

 

 

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