Edna fala com orgulho por ter feito parte do que chama de a "família do TJMS".
(Arquivo pessoal)
Conversar com Edna Maria Bojikian Sarubbi é uma excelente oportunidade para recarregar as próprias energias, tamanha é a vivacidade dessa mulher. Aposentada há um tempo considerável (o suspense quanto aos anos exatos é proposital), essa corumbaense de sotaque vigoroso como sua personalidade é um exemplo de disposição.
“No meu percurso até hoje, nunca tive um grande problema sabe? Algo muito forte mesmo! Nem de saúde, nem com meus filhos, nem com meu casamento, nem financeiro. Eu só tenho a agradecer a Deus pela minha história”.
Essa maneira positiva de encarar o mundo é apenas o reflexo do jeito corajoso de Edna, uma pessoa que não vê tempo ruim e enfrenta qualquer desafio desde cedo. “Eu comecei a trabalhar com carteira assinada quando eu ainda tinha 14 anos. Meu pai era comerciante, lidava com frios e me colocou para trabalhar com ele”, conta.
Ao atingir a maioridade, porém, Edna decidiu que precisava trabalhar fora do olhar do pai e assim conseguiu um emprego como bancária. Cinco anos depois, a jovem quis algo novo e ingressou em uma empresa de telefonia. “Fiquei alguns anos na telefônica e depois voltei a trabalhar com meu pai no comércio. Enquanto estava com ele no comércio, eu prestei concurso para ser professora em Corumbá e passei”.
Nessa nova etapa, Edna, que era técnica de contabilidade e normalista, decidiu se deslocar para Campo Grande em busca de mais qualificação profissional. “Eu tinha feito o Curso Normal, que também era conhecido como Magistério, mas com ele eu só podia lecionar para as séries iniciais. Então vim para Campo Grande fazer um curso que ia me permitir dar aula para as turmas mais avançadas. Mas quando eu cheguei na capital, fiquei encantada”.
Então Edna pediu transferência e foi morar em Campo Grande já assumindo uma escola na Vila Alba que, segundo ela, nem sabe dizer onde é hoje, pois naquela época o bairro só tinha a escola e “mato em volta”. Na nova cidade, a corumbaense se casou, constituiu família e passou a trabalhar no escritório de advocacia de seu marido.
“Nessa época aconteceu a criação do Estado. Meu irmão morava em Cuiabá e conhecia o Desembargador Leão Neto do Carmo, então veio falar comigo se eu queria entrar no Tribunal de Justiça que estava sendo criado. Eu aceitei e ingressei em 25 de janeiro de 1979 como contratada. Mas em abril de 1980 já saiu o concurso e eu resolvi fazer e, graças a Deus, passei”.
Sobre esse período inicial no Judiciário, Edna afirma categoricamente só ter excelentes recordações. “Éramos uma família! Quando tinha aniversário de um Desembargador, nós íamos até a sala dele, fazíamos serenata. Comemorávamos aniversário de todo mundo, porque todos se conheciam. Mas também tinha todo o requinte. Nós éramos a elite do serviço público. Éramos muito bem tratados pelo Tribunal”.
O tempo no Poder Judiciário foi curto, mas intenso, na visão da aposentada. “Fiquei só 13 anos. Eu entrei como auxiliar e aos poucos fui subindo na carreira. Eu tinha bastante experiência profissional, então consegui chegar a diretora do Departamento Financeiro. Fiquei 5 anos na função e pedi aposentadoria. Com certeza ficaria mais tempo, mas como eu já tinha 35 anos de contribuição para a previdência, e naquela época precisava só de 25, acabei aposentando aos 52 anos de idade”.
Sempre tão ativa, Edna não podia simplesmente ficar parada. Assim, a convite do Desembargador José Rizkallah, que havia sido escolhido para ser Secretário da Secretaria de Justiça e Segurança Pública do Estado, a recém-aposentada aceitou o desafio de trabalhar no Poder Executivo. “O doutor me conhecia, gostava do meu serviço, então me chamou para trabalhar com ele na Sejusp. Eu disse que ficaria só 1 ano e foi o que eu fiz. Depois desse período, me aposentei mesmo”.
Hoje ela faz questão de assumir vários serviços de casa. Além disso, auxilia a filha que trabalha fora cuidando da neta, inclusive levando e buscando a menina na escola em seu carro.
Indagada sobre o que a fez chegar na sua idade com tanta disposição, Edna responde sem hesitar. “Trabalhar, e trabalhar muito! Sua cabeça funciona, seu corpo também. No Tribunal a gente trabalha mais com a cabeça. Agora em casa, eu movimento mais o corpo. E é disso que a gente precisa. Estar sempre ativo, sempre em movimento”.
E para aqueles que ainda não conseguiram mensurar, resta aqui festejadamente concluir que essa senhora corumbaense, há 54 anos em Campo Grande, ainda mantém seu jeito inconfundível de falar, há 52 anos vive ao lado do homem que escolheu para compartilhar a vida e há 32 anos está aposentada, hoje curte gratamente seus 80 anos de idade.
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