Sábado, 06 de Junho de 2026
Feminicídio

Acusado de matar a estudante Carla decide ficar em silêncio durante julgamento

13 ago 2021 - 07h41   atualizado em 03/03/2026 às 09h22

Gesiane Sousa

Acusado de matar a estudante Carla decide ficar em silêncio durante julgamento Defesa sustenta que acusado tem problemas psicológicos e afirma que não houve feminícidio. (Bruno Henrique, Governo do Estado)

Marcos André Vilalba Carvalho, 22 anos, acusado de matar a estudante Carla Santana Magalhães, optou pelo direito de permanecer em silêncio durante julgamento, que está sendo realizado nesta sexta-feira (13), em Campo Grande. 

O julgamento é pela 2ª Vara do Tribunal do Júri e a previsão é que seja encerrado às 16h. 

O crime aconteceu no dia 30 de junho de 2020, no bairro Tiradentes. Carvalho era vizinho da vítima e confessou o assassinato. 

Ele responde por homicídio qualificado por motivo fútil, meio cruel, uso de recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio, além de ocultação de cadáver e vilipêndio a cadáver. 

Advogado de defesa do acusado, Sebastião da Silva, disse que defenderá a tese de que Marcos tem problemas psiquiátricos, além de alegar que o caso não se trata de feminicídio. 

No entanto, o advogado afirma não ter um laudo que comprove que o acusado tenha os problemas sustentados. 

“Não é um feminicídio, ele não tem essa relação, e quando nós estivermos sustentando oralmente a defesa vamos demonstrar que esse caso é um caso isolado”, disse Lima. 

A defesa afirma ainda que não vai pedir pela absolvição, mas que a pena sejam medidas protetivas condizentes com a suposta condição de doença mental. 

Ele também afirmou que o caso ganhou “maior repercussão do que deveria ser dada”. 

“Nós não podemos eleger um Cristo penalizando e potencializando determinados fatos que nós julgamos que são horrendos mesmo, o que aconteceu foi uma coisa horrível, só que nós vivenciamos muitos outros casos, que milhões de pessoas morrem por conta da corrupção”, comparou o advogado. 

Sobre o fato do acusado ter escondido o corpo durante dias embaixo da cama e ter feito sexo com a vítima já morta, o advogado voltou a sustentar que isso demonstra problema psiquiátrico. 

“Isso é uma doença, o que eu posso fazer? É isso que nós vamos provar, eu acredito que ele é doente”, disse. 

“A gente não tá defendendo que ele é inocente, ele cometeu uma coisa horrível, agora como eu vou tratar uma pessoa que cometeu uma coisa horrível? Eu tenho que tratar de acordo com a sua personalidade”, acrescentou o advogado. 

De acordo com o juiz Aluízio Pereira dos Santos, caso seja condenado, Marcos Carvalho, pode pegar de 12 a 30 anos por feminicídio e nove anos por vilipêndio de cadáver. 

O caso 

Conforme denúncia do Ministério Público Estadual, Carvalho sequestrou Carla na frente da casa dela com um mata-leão, na noite do dia 30 de junho de 2020, e a levou para a edícula onde ele morava, na residência ao lado. 

Lá, ele matou a vítima com diversos golpes de faca no pescoço. 

Após matar a vítima, o acusado vilipendiou seu cadáver, praticando sexo com Carla já morta. 

Após os crimes, ele colocou o corpo da vítima embaixo da cama, onde foi mantido até o dia 3 de julho, quando ele o carregou até a esquina e deixou em frente a uma mercearia, a cerca de 40 metros da casa onde ela morava. 

O acusado foi preso 10 dias depois de abandonar o corpo, no dia 13 de julho de 2020, e confessou o crime. 

 

 

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