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Mato Grosso do Sul tem 74 terras indígenas “sem providências”, ou seja, sem processos demarcatórios. Os dados são do relatório “Violência contra os povos indígenas no Brasil”, do Cimi (Conselho Indigenista e Missionário). Além disso, o Estado ocupa o terceiro lugar no ranking de assassinatos de indígenas.
“Mato Grosso do Sul é o estado onde as violências contra os povos indígenas são práticas permanentes. Não bastassem os confinamentos populacionais nas reservas, que geram profundos e graves problemas, a questão fundiária constitui-se, no atual contexto, o eixo central das mobilizações criminosas do latifúndio e do agronegócio contra os povos Guarani-Kaiowá, Terena, Kadiwéu e Kinikinau”, afirma o documento.
Dados oferecidos pela Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena) informam 110 assassinatos em 2017, 17 deles em Mato Grosso do Sul. Dados do Cimi, ainda assim, apontam que Mato Grosso do Sul teve o maior número de assassinatos: 23.
“A maioria das ocorrências aconteceu nas reservas de Dourados e Amambai e foi motivada por brigas, sempre antecedidas pelo consumo de álcool. A maioria das vítimas era jovem, entre 10 e 30 anos”, alerta o Cimi.
Dados do Cimi apontam mais assassinatos do que os dados da Sesai.Em um dos casos, por exemplo, um indígena foi atingido por uma facada no peito. “O caso foi registrado na DP como homicídio simples, mas a polícia alegou que não poderia fazer nada porque a provável testemunha do ocorrido, a esposa da vítima, estava embriagada”, explica o relatório.
Mato Grosso do Sul ainda registrou 7 tentativas de assassinato, e 5 casos de homicídio culposo, relacionados a atropelamentos. O relatório destaca a perimetral norte. Também em Dourados, onde os indígenas trafegavam em bicicletas ou a pé. “Na grande maioria dos casos, os motoristas fugiram sem prestar socorro”, afirma.
O Estado também registrou 5 casos de violência sexual, 31 casos de suicídio e 5 casos de desassistência na saúde. O documento ressalta a situação de acampamentos Guarani e Kaiowá, Kurusu Ambá e Pyelito Kuê, onde as crianças apresentam quadro grave de desnutrição.
Mato Grosso do Sul também foi marcado, em 2017, por 5 casos de desassistência geral, 36 casos de mortalidade na infância, ocupando o sétimo lugar em casos como esse, além de 2 casos de desassistência escolar.
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