Pessoa privada de liberdade escrevendo texto sobre livro.
(Foto: Agepen/Divulgação)
Uma iniciativa inovadora está ressignificando o cotidiano no sistema prisional de Mato Grosso do Sul. O projeto de extensão “A Literatura Liberta”, desenvolvido pela UFMS Campus Pantanal em parceria com a Agepen, transformou as celas dos presídios masculino e feminino de Corumbá em espaços de diálogo e reflexão. Atualmente, 120 internos participam da ação, que utiliza o formato de clube de leitura para promover a cidadania.
Diferente de projetos convencionais de leitura individual, o modelo adotado em Corumbá é inédito no estado. Nele, os participantes leem a mesma obra simultaneamente e se reúnem para compartilhar percepções sob mediação especializada. Além do impacto humanizador, a participação garante a remição de até 48 dias de pena por ano, conforme as diretrizes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
O Poder da Leitura Coletiva e Regional
Coordenado pela professora Dra. Elaine Dupas, do curso de Direito da UFMS, o projeto conta com uma curadoria de 18 títulos, incluindo oito obras de autores sul-mato-grossenses. Essa escolha estratégica valoriza a literatura regional e aproxima os internos da cultura local.
“O clube de leitura permite outras percepções e reflexões que vão além da leitura individual tradicional. É um instrumento indispensável para a ressocialização”, destaca a coordenadora Elaine Dupas.
O projeto conta com o apoio fundamental do Conselho da Comunidade de Corumbá e uma biblioteca itinerante, que assegura a circulação dos livros entre as unidades de regime fechado.
Grupo de detentos participando de roda de leitura. Foto: Divulgação/AgepenParceria Estratégica e Humanização Penal
A execução do projeto exige uma logística precisa, envolvendo policiais penais e as direções das unidades prisionais. Para a diretora de Assistência Penitenciária da Agepen, Maria de Lourdes Delgado Alves, o clube de leitura reflete a política de humanização da execução penal adotada em Mato Grosso do Sul.
“O sistema prisional avança ao unir segurança e dignidade. O projeto promove educação e oportunidades reais de transformação”, afirma Maria de Lourdes. A mediação das rodas de conversa é feita por especialistas como Marcelle Saboya, do Clube Leituras di Macondo, com foco em uma escuta atenta e livre de preconceitos.
Formação Acadêmica e Impacto Social
O envolvimento de acadêmicos de graduação e mestrado da UFMS, como o estudante de Direito Adriano Ojeda, reforça o caráter extensionista da universidade. Para os alunos, a experiência permite vivenciar a aplicação prática da execução penal, unindo teoria jurídica e realidade social.
Com o sucesso em Corumbá, a Agepen e a UFMS já planejam ampliar as turmas e replicar o modelo do clube de leitura em outras unidades prisionais do Mato Grosso do Sul, consolidando a literatura como um eixo central da política pública de ressocialização. *Com informações da Comunicação Agepen
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